Café Colombo

Gastronomia e mercado editorial

segunda-feira, maio 11th, 2009

O Café Colombo desta semana é uma deliciosa entrevista com Manoel Beato, do Fasano, sobre vinhos e literatura. Quem ainda não conferiu não perca as interessantes observações de Beato sobre a relação entre vinhos e autores como Machado de Assis e Jão Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade.

Por coincidência, na edição número 101 da Continente que está nas bancas, há uma matéria minha sobre o mercado editorial para a área de gastronomia, que está fermentando por aqui. :) Tanto pelo grande número de cursos técnicos e universitários sobre o assunto que já se encontra em Pernambuco quanto o maior desejo dos consumidores em conhecer e preparar pratos diferenciados, além de praticar a harmonização com bons vinhos. Livros como o “Recife – guia prático, histórico e sentimental da cozinha de tradição” de Bruno Albertim esgotaram uma tiragem de 10 mil exemplares rapidamente.  E a Revista Engenho continua fazendo um belo trabalho. A matéria completa está em PDF (basta clicar na imagem), mas muito mais coisa interessante está na Revista Continente, nas bancas.

(Renato Lima)

345 – A relação entre vinho e literatura – 2

segunda-feira, maio 11th, 2009

Manoel Beato, sommelier do restaurante Fasano e autor do Guia de Vinhos Larousse, conversou com o Café Colombo sobre duas coisas que tanto ele quanto a equipe deste programa adora: vinhos e literatura.  Para Beato, o mesmo rico vocabulário que é usado para descrever um personagem pode ser utilizado na caracterização de um vinho. Ao Café, ele arrisca uma harmonização entre vinhos e grandes escritores, como Machado de Assis e João Cabral de Melo Neto.  Beato fala ainda da popularização do consumo de vinhos no Brasil e filmes como Sideways e Mondovino.


Correspondência entre Mário Sérgio Conti e Ivan Lessa

sábado, maio 9th, 2009

José Teles, do JC, faz uma saborosa resenha de um livro recém lançado. Acompanhem:

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» LANÇAMENTO

Algumas bem traçadas linhas
Publicado em 09.05.2009

A correpondência virtual trocada entre Ivan Lessa e Mario Sergio Conti é publicada em livro que diverte e informa

José Teles

Na maioria das vezes, correspondência de pessoas famosas, quando publicadas em livro, são lidas como se o leitor tivesse invadindo a privacidade do missivista. A impressão é outra ao se ler Eles foram para Petrópolis uma correspondência virtual na virada do século, de Ivan Lessa e Mario Sergio Conti (Companhia das Letras, R$ 45, 264 páginas). Aqui se parece mais como se os dois estivessem convidando seus leitores para um papo informal, descompromissado, inclusive politicamente incorreto, o que, no caso de Lessa, é um estilo em que ele é insuperável: leva um processo mas não perder o chiste. O ex-editor do semanário O Pasquim, que vive em Londres há 30 anos, manteve uma correspondência virtual com Mario Sergio Conti, autor do livro Notícias do Planalto e atual editor da revista Piauí, publicada no UOL.

O livro reúne os e-mails publicados entre abril de 2000 e maio de 2001, numa página intitulada Correspondência, e também e-mails privados que ambos trocaram neste mesmo período. A leitura é leve e gostosa, tanto pelo talento de Ivan Lessa, que tem o dom de escrever como se conversasse, coloquial e ao mesmo tempo esbanjando erudição sem pedantismo e tiradas bem-humoradas, que lembram Paulo Francis em seus melhores momentos. Conti, bem mais moço do que Lessa, é também muito mais sério. Os estilos são diferentes, não por acaso se complementam. Os assuntos são os mais variados possíveis. Vão de ficção, teatro, cinema e música (que parece ser o assunto predileto de Ivan Lessa), à reprodução de uma reportagem que Conti fez para a Folha de S.Paulo sobre uma turnê de João Gilberto (de quem são amigos), viagens, onças (sic), e índios.

Quando Mario Sergio Conti resvala para a seriedade, Ivan Lessa rebate implacável, como um beque central de pelada de subúrbio. É assim quando Conti escreve sobre uma lenda dos caiapós, colhida pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss, Lessa chuta de volta: “Lévi-Strauss, conforme ficou provado na iconoclástica biografia Le con et ses conneries, de Alain Baisebien não entendia uma palavra de caiapoês e foi enganado e roubado por um intérprete contratado em Mato Grosso, José Henrique Silvares, que inventou tudinho graças a extraordinário talento para bater a carteira de turista estrangeiro cultural”.

A correspondência dispara para todos os lados, e geralmente, para gáudio do leitor, acerta em cheio, os dois discordando até quando concordam. Num e-mail em que comenta o filme Buena Vista Social Club, escreveu Conti: “Buena Vista Social Club foi elogiadíssimo. Explica aqui para o preto velho, caro Lessa: que catzo o Wenders tem a ver com músicos septuagenários de uma ilha caribenha submetida a quatro décadas de ditadura? Ele mostra uma Havana caindo aos pedaços, músicos vivendo na pobreza, desempregados, e não tem curiosidade de perguntar por que Cuba e seu povo estão daquele jeito. Medo de melindrar o comandante Fidel? De atacar o boicote americano? Vai saber. Fosse feito no Brasil com, digamos, a velha guarda da Nenê de Vila Matilde, é óbvio que o alemão encaixaria referências à desigualdade social. Como é em Cuba deixou o contexto histórico e político de lado – o que é um meio covarde de tomar partido”. Ivan Lessa não gostou de Buena Vista Social Club, mas por outros motivos: “É isso mesmo. O Buena Vista Social Club não gostei não. E não por motivos ideológicos, feito você… Uma coisa que me chateou, e muito, no Buena Vista foi o que ele fez com os velhos. Os velhinhos são tratados como crianças. Como eu estou perto dessa fase (ser tratado como criança) sei a safadeza que é. Por que é que a plateia acha tão bacaninha assim o Compay Segundo ou o Ibrahim Ferrer e fica se dizendo: ‘Ah que gracinha’ e ‘Que coisinha fofa mais linda!’ E isso me deprime horrendamente, seu!…”

É um livro que se pode ler aleatoriamente. Sugere-se que se comece pela reportagem de Mario Sergio Conti sobre uma turnê européia de João Gilberto, que se sentiu traído por Conti revelar algumas passagens e nomes que João achava que não deveriam ter sido citados. Lendo na ordem das páginas também não tira a graça de um livro, que consegue ser instigante e divertido em quase todas suas páginas.

344 – Contos e novelas de Marcos Creder – 2

terça-feira, maio 5th, 2009

O entrevistado da semana é o médico psiquiatra Marcos Creder, que está lançando “O livro submerso” (Editora Nossa Livraria). A obra marca a estreia na literatura do psiquiatra e psicanalista pernambucano, que, na realidade, escreve desde tenra idade. São escritos de fôlegos. A publicação, com 210 páginas, reúne três contos e duas novelas. Creder é ainda autor de oito peças para o teatro e do livro “A dor entre o corpo e a alma”.

Sexta Cultural – TVU – Literatura no século XXI

segunda-feira, maio 4th, 2009

Há cerca de três anos, sexta-feira na TVU do Recife é dia de debater cultura no Sexta Cultural, edição especial do Opinião Pernambuco. A apresentação é feita em rodízio pelo diretor Cristiano Ramos, Roger e eu, Renato Lima, deste Café Colombo. Coloquei um trecho de um recente programa que teve uma interessante discussão sobre artigo de José Castello, publicado no EU& do Valor Econômico, sobre a literatura no século XXI. Com Raimundo Carrero e Marcelo Pelizolli.

342 – A literatura de Antônio Fernando Borges – 2

domingo, abril 19th, 2009

Autor de obras elogiadas, como “Memorial de Buenos Aires”  e “Braz, Quincas e Cia”, ambos editados pela Companhia das Letras, Antônio Fernando Borges falou ao Café Colombo sobre literatura brasileira, o panorama cultural e influências de grandes autores, como Machado de Assis. O autor, ouvinte do Café Colombo, falou ainda dos seus novos projetos, incluindo um romance sobre como seria uma sociedade sem Deus. Confira a entrevista!


O Machado das mulheres – 3

segunda-feira, abril 6th, 2009

O escritor não explica nenhum dos gêneros das mulheres boas. Ele prefere discorrer sobre o gênero das ditas “más”. É sempre mais fácil e delicioso falar das vilãs. Mas uma mulher caprichosa é uma vilã? Ele não abre o leque. Acredito que uma mulher que não obedeça a todas as ordens e vontades do marido pode se tornar “caprichosa” por ter uma opinião contrária a do seu senhor. Neste caso, ele, o homem, também pode ser caprichoso de maneira que nunca quer ser contrariado. Alguém tem que ceder. Mas segundo Machado, só o homem cede…

Gosto da narrativa que ele tece, pois, é possível sentir tédio no texto (não do texto), nos períodos curtos dos exemplos, talvez para demonstrar o quanto pode ser aborrecida a vida ao lado de uma mulher caprichosa.

(Renata Santana)

III

Tratemos hoje das mulheres caprichosas.

Uma mulher caprichosa é como o vento, que muda de velocidade e de direção, com uma facilidade própria do vento.

Para um amante extremoso uma mulher caprichosa é um martírio lento.

Está a noite chuvosa o homem está aborrecido; parece-lhe melhor ir pra casa, passar algumas horas com a mulher, conversar de amores, isolar-se do mundo, e viver para si.

Não, senhor. É nessa mesma ocasião que a senhora que ir ao teatro, onde se representa peça nova. Ele insta, ela teima; chora, aborrece-se, fecha-se; o homem que tudo pode, cede.
E lá vai.

Mas no teatro, onde o homem foi só por comprazer, tudo lhe aborrece, tudo o enjoa. A mulher para gozar o triunfo, não lhe presta a atenção. Que faz êle? Sai ao corredor, e aí por acaso encontra um velho amigo que anda a procura dele, e que vai dar-lhe notícias importantes de um negócio útil para os seus interêsses. O homem já abençoa o capricho da mulher, e vai ouvir as informações do amigo. Mas é nessa mesma ocasião que ela acha o espetáculo aborrecido e quer voltar.
E volta.

Se é namorada apenas, a mulher caprichosa não deixa de ser um tormento, ou talvez, é ainda um tormento maior.

Ele quer dançar com a filha do Sr.***; mas a namorada não quer. Quer ir a passeio onde ela vai, mas ela desfaz o passeio; não há pensamento por mais inocente que o capricho não envenene e não aproveite.

Um dia, cuida ele em ir passar algumas horas felizes em casa da namorada; mas ela está aborrecida, doente, não olha para ele, sorri para outro, mete o inferno na alma do pobre namorado.

Não há carinhos, nem amor sincero que se façam valer diante da mulher caprichosa.

E o capricho não é amor.

O capricho é a casquilhice, é o brinquedo, o namoro, é tudo, menos o amor verdadeiro, o amor grande, o amor único.

O capricho vem do espírito calmo e frio: quando há amor, não há calma nem frieza de espírito. Por isso, um marido ou um namorado que forem perspicazes não devem tomar o capricho como uma prova de afeição, senão como um cálculo ridículo e amofinador.

Mulheres minhas, se quereis ser grandes, belas e verdadeiras, nunca vos deixeis ir ao capricho; porque não ganhais nada com isso, antes perdeis…


339 – O homem João Cabral de Melo Neto – 2

segunda-feira, março 30th, 2009

Conversamos com a médica e pesquisadora literária Selma Vasconcelos, que está lançando o livro “João Cabral de Melo Neto- retrato falado do poeta” pela Companhia Editora de Pernambuco. Esta obra é resultado de oito anos de pesquisa em documentos pessoais de João Cabral. Na construção deste retrato falado do poeta, Selma conversou com intelectuais, amigos e familiares para descobrir quem era o homem João Cabral. Aspectos controversos da personalidade do poeta, como religião, música, política, carreira diplomática são evidenciados no texto. E também alguns relatos mais íntimos, como o seu encontro com a futura esposa.


Cardinot agora como escritor de ficção policial

domingo, março 29th, 2009

Famoso pelo seu programa policial, Josley Cardinot agora também estará nas livrarias (além da TV e rádio!). O apresentador já finalizou um livro de ficção policial, que está recheado de histórias reais e tintas de ficção. A previsão é que o livro seja lançado dia 9 de abril, data de aniversário do “homem da verdade”. Confira nessa breve entrevista o que estará no livro de Cardinot.


Dica em San Telmo, Buenos Aires

domingo, março 22nd, 2009

Segue uma dica para quem for passear em San Telmo, Buenos Aires e goste de um clima de café e literatura.  Na placa se lê: la poesía – bar literario, cafe de arte, esquina de encuentro.

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