Café Colombo

Cem poetas sem livros – 2

domingo, julho 19th, 2009

O Café Colombo entrevistou o poeta Cristiano Jerônimo, organizador da coletânea “Cem Poetas sem livros”, que, como diz o nome, reuniu poetas iniciantes, sem publicações até o momento, em um único livro. Cristiano é jornalista e autor de “Redenção de poeta“, que já foi tema de entrevista aqui no programa. Antes, confira a primeira parte do programa que teve apresentação de Marcelo Sandes e Renata Santana.

 
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353 – Bibliografia de Joaquim Cardozo – 2

domingo, julho 5th, 2009

A rica produção de Joaquim Cardozo está finalmente documentada pelas bibliotecárias Maria do Carmo Pontes Lyra e Maria Valéria Baltar de Abreu Vasconcelos, que acabam de lançar o livro “Cardozo, Bibliografia de Joaquim Cardozo – vida e obra”, pela Editora Universitária da UFPE. O Café Colombo conversou com Maria do Carmo Pontes Lyra, que iniciou este trabalho ainda na década de 80, o que lhe impôs visitas a diversos acervos. Confira na entrevista histórias sobre o poeta engenheiro, sua angústia diante do acidente de Minas Gerais e a vasta produção técnica e literária. Antes, escute a primeira parte do programa com as dicas de leitura.

 
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Publicações sobre Joaquim Cardozo

sábado, junho 27th, 2009

Do JC de hoje:

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Cardozo em dose dupla
Publicado em 27.06.2009

José Mário Rodrigues

Humildemente, disse em versos: “Mas trago das águas a substância da claridade. Ele era a própria claridade. Tinha a imagem e o ar de um anjo que não quis subir aos céus. O país precisava de sua poesia, do seu teatro, do seu saber matemático.

Num palácio que ele calculou e Oscar Niemeyer fez o desenho o presidente dorme. Símbolo maior de Brasília, a catedral é obra de sua engenharia. Completamente ignorante em assuntos matemáticos, caí na besteira de perguntar como a rampa do Palácio da Alvorada, que parece suspensa, se sustentava? A resposta foi simples: “Existe outra do mesmo tamanho por baixo da terra”. Depois dessa, nunca mais ousei falar sobre arquitetura e cálculos.

A poesia de Joaquim Cardozo me interessou desde que a conheci e continua sendo o farol que clareia as minhas noites e “espreita as sombras inimigas no corredor deserto”. Por uma extrema coincidência, saíram publicados neste mês de junho, dois livros sobre o autor de Signo estrelado, Mundos paralelos, Poemas, Um livro aceso e Nove canções sombrias e outros. O primeiro, Bibliografia de Joaquim Cardozo, é produto do trabalho exaustivo de Maria do Carmo Pontes Lyra e Maria Valéria Baltar de Vasconcelos, revelando a vasta bibliografia do poeta. Há muitos anos que Carminha Lyra pesquisa a obra e a vida do poeta. A luta depois foi a publicação, que aconteceu pela Editora Universitária. O segundo – a tão anunciada Obras Completas de Joaquim Cardozo – organizado, com muito zelo e inteligência pelo poeta Everardo Norões e publicado por um convênio da Aguilar e Editora Massangana, com nota editorial do crítico Mário Hélio.

Temos agora a obra completa de um gênio. E como se não bastasse, a edição do livro é muito bonita. Digo gênio, sim. Cardozo foi de A a Z. Poeta, engenheiro, teatrólogo, contista e de quebra ainda escrevia em sânscrito, uma língua morta mas que ele conhecia bem.

Nunca me esquecerei de sua presença sagrada a me confessar que “o mistério maior não está na morte, como em geral pensam os sábios das ciências teológicas, e sim no aparecimento da vida, porque a morte em si mesma é menos misteriosa que a vida…” Ou falando sobre o tempo: “O tempo é firme e imóvel, foram os homens que, em torno dele, criaram a ilusão de um movimento… Desejava viver em todos os tempos passados, contrariando, assim, a afirmação de Heidegger de que os homens cogitam mais do futuro do que do passado.”

Na última visita que lhe fiz, numa casa de saúde em Olinda, não me conheceu. Já estava em conversas com anjos, arcanjos e potestades. Poucos dias depois subiu aos céus num trem de nuvens. Era autor e passageiro do Último trem subindo aos céus, pois ” os passageiros do trem viram tudo que era de ouvir,/ Tudo que era de refletir de ver,/ Todo o perceber que vem do ver,/ Todo o conhecer do sentir de ouvir”.

Sinto-me um escolhido. Ter sido amigo de Joaquim Cardozo é uma dádiva. Everardo me colocou entre os guardiões da memória do poeta. No entanto, o mérito maior é dele e de Carminha Lyra. Louvados sejam para sempre.

» José Mário Rodrigues é escritor

351 – O Recife nas poesias de Robson Sampaio – 2

domingo, junho 21st, 2009

Alagoano de nascimento, mas pernambucano de coração e anos de trabalho nesta terra que ele aprendeu a amar e cantar em versos. Este é o jornalista Robson Sampaio, entrevistado no Café Colombo por ocasião do lançamento do seu mais recente livro, “Eu sou Capibaribe – poemas”. Boêmio, Robson fala em seus versos sobre as pontes do Recife, meninos de rua, carnaval entre vários temas.

 
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350 – Poemas de Pedro Américo de Farias em áudiolivro – 2

segunda-feira, junho 15th, 2009

O Café Colombo desta semana é um programa de audiolivros e ideias. Isso porque o entrevistado foi o poeta Pedro Américo de Farias, que está lançando o áudiolivro Linguaraz.  A obra conta com apurado trabalho musical em cima das poesias de Pedro Américo, que também é autor dos livros “Poesia – Livro sem título” (1973), “Conversas de Pedra” (1981) e “Picardia” (1994). Antes, confira a primeira parte do Café Colombo. Com esta entrevista, o Café Colombo completa 350 programas já gravados!

 
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346 – A poesia provocante de Cida Pedrosa em “As filhas de Lilith” – 2

domingo, maio 17th, 2009

O Café desta semana recebe a poetisa Cida Pedrosa, que está lançando o livro “As Filhas de Lilith”, uma espécie de abecedário feminino que versa 26 mulheres, 26 realidades em seu modo de ser e viver.  A poesia de Cida é provocativa, como o ouvinte pode perceber nesta entrevista quando ela declama alguns dos poemas do seu livro. Nascida em Bodocó, no Sertão Pernambucano, Cida Pedrosa também edita o portal de poesia Interpoética.

 
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343 – Valmir Jordão e a poesia das ruas – 2

segunda-feira, abril 27th, 2009

E o programa desta semana conversou com o poeta Valmir Jordão, que está lançando o livro “Hai Kaindo na Real & outros poemas”. Valmir publica livros, de forma independente, desde a década de 80. É poeta urbano e performático, também conhecido por fazer parte do que se convencionou chamar de poesia marginal. Valmir participa de recitais com escritores como Cida Pedrosa, Miró, Chico Espinhara, entre outros, e seu trabalho já foi alvo de alguns trabalhos acadêmicos.

 
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Itapetim x São José do Egito

terça-feira, abril 14th, 2009

Publicado originalmente em 13-04-09 no Diário de Pernambuco. Republicado aqui com permissão do autor (que é fã da Universitária FM, como nos informou!).

“Itapetim jamais quis ser capital ou berço de coisa alguma, que o seja São José do Egito, mas que construa seu telhado utilizando-se de suas próprias telhas.”

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Qual a capital da poesia: Itapetim ou São José do Egito?
Saulo Passos

Esta indagação, provocada pelo Prof. Jorge Cândido da Unicap, é fruto de sua dúvida sobre a terra natal dos poetas Rogaciano Leite, os irmãos Batista (Louro, Otacílio e Dimas) e Job Patriota – para ficar somente nesses, que figuram no nosso Livro: Itapetim, Ventre Imortal da Poesia – parceria do Dr. Marcos Nunes -, como filhos legítimos de Itapetim e que agora setores da mídia, incentivados por pessoas sem compromisso com a verdade, divulga, sem fonte de pesquisa, esses poetas, como filhos de São José do Egito.

Ninguém tem dúvida de que eles nasceram dentro dos limites de Itapetim, onde também nasceram centenas, como comprova o livro acima referido com dois centos deles. O esbulho cultural em pauta, que não se firma no lugar do natalício, mas num critério injusto e contraditório, tem como objetivo elevar São José do Egito à condição de capital da poesia, uma vez que seus mais famosos poetas – infelizmente, não excedem a meia dúzia -, embora sejam de boa qualidade, são conhecidos apenas na região. Os de Itapetim, com a viola debaixo do braço, viraram celebridades nacionais ou, a exemplo de Rogaciano Leite, extrapolaram fronteiras.

Por isso, nada mais fácil do que arrancar dos seios da mãe de tantos poetas, uns três ou quatro filhos famosos, que ela, talvez, disso, nem se desse conta. Assim nasceu a idéia “fantástica” e o seguinte  “critério”: os nascidos em Itapetim, quando distrito de São José do Egito, neste caso, a este pertenciam. Só numa mente atrasada é que se pode conceber tamanho disparate. E, como a ganância é cega, o “critério” genérico terminou por expulsar de casa sua principal figura.

O poeta Antonio Marinho, cuja estátua se encontra no centro daquela cidade, como seu poeta maior, em face da “norma”, não é filho de São José do Egito, pois quando ali nasceu em 1887, esta era distrito de Ingazeira. Imagine-se, por outra, este “critério” aplicado à história do Brasil. Nossos árcades: Claudio Manoel da Costa, Tomás Antonio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e até o Aleijadinho seriam portugueses, uma vez que eles nasceram na época do Brasil-Colônia de Portugal; José Bonifácio e o Mártir da Independência, Tiradentes, da mesma forma seriam cidadãos portugueses; e, o Presidente Lula, seria filho de Garanhuns e não de Caetés como é.

O vate Manoel Filó, que, erroneamente, figura como de lá, através do mote: São José do Egito ganhou fama/Com os filhos do chão de Itapetim, já advertira do prejuízo que  esta insolência tem causado àquela comunidade por causa dessa implicância sem cabimento, ofensiva e sem nenhuma sustentação plausível.

Da mesma forma, o grande cordelista Chico Pedrosa em reprimenda a essa idéia absurda, em tom jocoso, certa vez em Brasília, comparou São José do Egito com Mossoró. “Mossoró – disse ele – não tem um torrão de sal que salgue uma piaba, pois todo o sal vem de Macau e Areia Branca, e desse jeitinho são os poetas de São José do Egito…”.

Essa referência, aliás, é unânime nos poetas, que gostam de ver conservado seu amor pelo torrão natal. Vê-se, por fim, que essa conduta se constitui numa falta de respeito àqueles que lutaram pela emancipação e vibraram em sua festa. Por isso, no desejo de reparar o erro histórico – principalmente da mídia -, em reverência à verdade dos fatos e, em especial, à memória de minha avó Elvira, que não tolerava atribuir-se que seu irmão, Rogaciano Leite, pudesse ser de São José do Egito, concluo: Itapetim jamais quis ser capital ou berço de coisa alguma, que o seja São José do Egito, mas que construa seu telhado utilizando-se de suas próprias telhas.

Saulo Passos é poeta, engenheiro, matemático e advogado.

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