100 anos de Elizeth Cardoso: da era do rádio à era digital

A gravadora Universal Music libera 26 álbuns da cantora, que serão lançados nas plataformas de streaming

Elizeth Cardoso começou a cantar aos cinco anos com a marcha “Zinzinha” no palco da sociedade carnavalesca Kananga do Japão. Foto: Divulgação

Há 100 anos atrás a cantora e atriz Elizeth Cardoso nasce no Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro. A carioca teve uma história ligada ao samba e grandes programas de rádios dos anos 1940. Divina, como ficou conhecida, faleceu em decorrência de um câncer no estômago em 1990. Hoje, em comemoração ao seu centenário, a gravadora Universal Music libera 26 dos 44 álbuns da cantora carioca, nas plataformas de streaming e mais três playlists exclusivas, com as canções “Barracão”, “Manhã de Carnaval” e “Naquela Mesa”.

Para somar aos 14 álbuns e cinco coletâneas já disponíveis nas plataformas, serão disponibilizados pela gravadora  17 álbuns, uma coletânea, um EP com quatro faixas raras, e sete compilações. A lista inclui os discos: “Fim de Noite” e “Naturalmente” (1958), “Magnífica” (1959), “Elizeth Sobe o Morro” (1965), “A Bossa Eterna de Elizeth e Cyro” (1966), “A Enluarada Elizeth” (1967) e “Live in Japan” (1977). Os discos gravados com Zimbo Trio, “Balançam na Sucata” (1969) e ” É de manhã” (1970), também serão lançados em breve.

Trajetória

Elizete Moreira Cardoso, de nome artístico Elizeth Cardoso, acompanhava os pais em blocos carnavalescos e serestas desde muito pequena. Abandona os estudos aos 10 anos e a partir dos 13 trabalha no comércio, em fábricas e salões de beleza. Em 1936, aos 16 anos, começa a cantar profissionalmente na Rádio Guanabara. Tem sua estreia com os sambas “Do Amor ao Ódio” e “Duas Lágrimas”, e logo mais encanta o compositor Noel Rosa, que lhe ensina a música “Quem Ri Melhor”.

No ano de 1939, Elizeth casa-se com o cavaquista Ari Valdez, no qual tem seu filho Paulo Valdez. Durante a década de 1950, atuou em vários filmes, entre eles “Coração Materno” (1951), “O Rei do Samba” (1952) e ” Com a Mão na Massa” (1958).

Com as composições de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, mais o violão gotejado de João Gilberto, Elizeth fez história com o seu álbum “Canção do Amor Demais” (1958), que marca a concretização da Bossa Nova. No disco, Elizabeth dava voz e interpretação a músicas como “Chega de Saudade” e “Vida Bela”. 

O disco de 1958 foi produzido pela Gravadora Festa e possui 13 faixas. Foto: Estúdio Columbia/Divulgação

No ano de 1965, ela também cria um grande álbum importante na sua carreira: “Elizeth Sobe O Morro”. O disco é composto por sambas gravados pelos cantores Cartola e Paulinho da Viola.

Divina teve o Rádio como principal transmissor de sua voz e interpretação, cantando samba-canções autênticos. Sua amplitude vocal, no qual misturava o canto poderoso e singelo, transformam a artista em um dos principais nomes na Música Popular Brasileira. 

Elizeth Cardoso não tinha apenas uma  grande força vocal, como também, pessoal. Quando iniciou o período dos festivais na televisão,  foi um dos nomes que ficaram para trás, por ser uma mulher negra que não se encaixava aos padrões de beleza. “Ela não era considerada bonita, e várias cantoras da época dela desapareceram quando a televisão começou a fazer programas de música popular”, relata o jornalista e pesquisador João Máximo, em entrevista para a Folha de São Paulo.

A Divina, que abre seu peito para cantar sambas de enorme comoção, agora, se estabelece em um novo patamar da carreira ao ter seus discos disponíveis na plataformas de streaming. Pois, embora tenha falecido a mais 30 anos, sua obra ainda inspira as mulheres negras e suburbanas brasileiras.

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