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53º Festival de Cinema de Brasília é cancelado por falta de verbas


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Festival de Brasília de Cinema Brasileiro em 2013. Foto: José Cruz/Agência Brasil

A secretaria de Cultura do Distrito Federal anunciou o cancelamento do Festival de Cinema Brasileiro de Brasília 2020, um dos mais tradicionais do país. Previsto para outubro, o evento teve seu orçamento de R$ 3 milhões contingenciado devido à crise econômica acarretada pela pandemia da Covid-19.

O secretário Bartolomeu Rodrigues afirmou ao jornal Correio Braziliense que alternativas para a realização estavam sendo buscadas, como parcerias com serviços de streaming e cinema drive-in. Porém, com o esvaziamento do recurso, o evento ficou inviável: “Estávamos, é certo, muito animados e com possibilidade de realizarmos um festival totalmente diferenciado, instigando, inovador, fazendo jus à sua tradição. Porém, com o orçamento contingenciado, ficamos sem um tostão furado para realizá-lo. Já comuniquei ao Grupo de Trabalho que há duas semanas se encarregou do planejamento, que infelizmente iremos cancelar o Festival”, lamenta.

O tradicional Festival de Brasília só foi cancelado nas edições de 1972, 1973 e 1974, anos de chumbo da ditadura militar. Desde sua fundação, em 1965, ele apresenta um histórico de denúncia social. “O cancelamento seria um grande erro da Secretaria de Cultura. O Festival de Brasília, pela sua força, seria um lugar muito propício para se debater o atual momento do cinema brasileiro”, diz o cineasta Adirley Queirós, diretor de “Branco Sai, Preto Fica“, filme vencedor da edição de 2014 do festival, em entrevista ao site Metrópoles.

Negligência

O setor da cultura vem sendo um dos mais afetados pela crise econômica no Brasil. De acordo com o levantamento da Semana Internacional de Música de São Paulo, o prejuízo oriundo do cancelamento de shows e eventos em 18 estados chega a R$ 442 milhões, atingindo os mais de 5 milhões de trabalhadores da área (dado levantado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2019). A indústria ainda enfrenta o descaso do próprio Governo Federal, que, em meio ao tumulto da Secretaria Especial de Cultura, não lançou nenhuma medida de apoio à classe artística.

Na última quinta (4), o Senado aprovou com unanimidade a Lei Aldir Blanc, que destina R$ 3 bilhões ao pagamento de renda mensal de R$ 600 aos trabalhadores da cultura. Estados e municípios poderão ainda utilizar a verba para subsidiar equipamentos culturais e abrir editais. De autoria da deputada Benedita da Silva (PT-RJ), o projeto segue para sanção presidencial.