Dia: 9 de junho de 2020

banda tercina

Mostra Canavial de Música Instrumental realiza edição especial online


Criada em 2012, a banda Tercina é composta por Adeilso Del, Felipe Silva, João Paulo Rosa, Adeildo Porfirio e Luciano Leite. Foto: Facebook/Divulgação

A Mostra Canavial de Música Instrumental, evento que ocorre na Zona da Mata Norte pernambucana, fará uma apresentação nas redes sociais. Em apoio aos artistas da região, a banda Tercina, natural de Tracunhaém, fará uma live show transmitido no Facebook e Youtube no sábado (13), às 19h.

O evento representa a forte tradição musical da região, que conta com orquestras que se mantém de geração em geração e bandas representantes da nova geração de músicos. Uma destas é a banda Tercina, que experimenta a mistura de ritmos tradicionais como maracatu e coco de roda com jazz e salsa.

A última edição, realizada nas cidades de Buenos Aires e Aliança, em 2018, trouxe artistas de todo o estado e comemorou os 130 anos da Banda 15 de Novembro, natural do distrito aliancense de Upatininga. Fundada em 1888, esta filarmônica é um patrimônio da cidade, além de ser tradição das famílias de agricultores. As apresentações estão disponíveis no canal do Youtube.

Turismo Cultural e Pós Pandemia em Pernambuco

Por Roberta Albuquerque


O caboclo de lança, também chamado de lanceiro ou caboclo de guiada, é um dos personagens do Maracatu Baque Solto, uma tradição cultural de Pernambuco que atrai inúmeros turistas ao longo dos anos. Foto: Paulo Camelo

Apesar das incertezas sobre o “novo mundo” pós covid-19, os impactos sociais, ambientais e econômicos advindos da pandemia já são reais e significativos. O setor de serviços, segundo o IBGE, responsável por 74% do PIB nacional, teve uma redução de 1,6% no primeiro trimestre de 2020, trazendo grandes preocupações aos responsáveis pela economia.

O setor de turismo, segmento responsável por 10% do PIB nacional, chora o amargo cenário de desemprego e falência, com queda de 30% no mês de março comparado a fevereiro deste ano. Em Pernambuco a atividade que respondia por uma parcela de 3,9% do PIB regional, em 2019, registrou queda, de 33,1% na comparação entre fevereiro e março do ano corrente.

A OMT (Organização Mundial do Turismo), acompanhando esses impactos lastimáveis, recorreu aos representantes legais das federações, fazendo apelos para que os setores responsáveis pelo segmento de turismo pensassem estratégias criativas para conseguir sobreviver e superar este momento, pois preveem uma recuperação longa, do mercado, entre 5 e 7 anos.

O MTur (Ministério do Turismo), apresentou uma proposta de movimentar o turismo nacional através da regionalização dos Estados. Para eles, o cenário pós pandemia apresentará fronteiras internacionais sem previsão de reabertura, pessoas mais cautelosas nas viagens, diminuindo o período de estadias e distâncias percorridas, além de se tornar responsável pelo perfil de um turista que realiza mais viagens de carro, e evita aglomerações e riscos de compartilhar ambientes com pessoas desconhecidas.

Há especulações sobre o perfil do “novo” consumidor, sendo ele mais consciente, mais solidário e prezando por mais higiene. Os estabelecimentos de hospedagens, transportes e gastronomias precisarão reestruturar-se para atender maiores exigências de vigilância sanitária também.

Dentro desse processo de regionalização, apresentado pelo Mtur, identifica-se a existência de um mapa apresentando os Estados e Distrito Federal, com suas respectivas potencialidades regionais. Em Pernambuco, já tivemos políticas públicas de interiorização do Estado, o projeto PE conhece PE, no qual eram apresentadas rotas turísticas distribuídas de acordo com sua similaridade econômica e cultural.

Rotas como “Engenhos e Maracatus”, Cangaço e Lampião”, Poesia e Cantoria”, Fé e Arte”, História e Mar; entre outras aparecem nesse mapa de regionalização do Mtur. São 13 no total.

A ideia que apostamos para o Turismo nesse período pós pandemia, caminha junto com a proposta de regionalização. Primeiro, por ser palpável aos nossos recursos; segundo por não depender de uma sazonalidade temporal para ocorrer. A cultura está lá, enraizada no nosso povo, tão faminto de valorização e prestígio; e terceiro, por já ter sido alvo de políticas públicas em outros momentos, e já termos um plano já mais ou menos fundamentado.

Precisamos pensar estratégias de forma a envolver o trade turísticos (meios de hospedagens, transportes, alimentação, agências) em acreditar e investir no potencial cultural do Estado, fomentando esse segmento turístico. Essas ações devem ser pensadas juntamente com órgãos públicos responsáveis por estes segmentos e comunidade local (representantes de comunidades), a fim de amenizar os impactos negativos causados à comunidade local decorrente pela implementação da atividade.

Utilizar o turismo e a cultura como elementos para movimentar a economia permitirá que a sustentabilidade do setor turístico prevaleça, diversificando as oportunidades que são tão restritas ao turismo de sol e mar. Tipificação tão forte na nossa região.

Pensar cultura, é pensar a identidade de um povo, e nós pernambucanos, temos esse sentimento de pertencimento aflorado e muitas riquezas culturais a serem valorizadas. Do litoral ao sertão, atendemos segmentos do turismo de sol e mar às vinícolas do São Francisco. A fé do sertanejo na missa do vaqueiro, aos monumentos históricos dos engenhos de cana de açúcar. A gastronomia particular do cuscuz com charque, da tapioca, do bode assado, do bolo de rolo entre outros, com seus aromas e sabores particulares. A delicadeza dos artesanatos que transitam entre extremos do barro à renda, carregando história e identidade de um povo. Os festejos de momo que não se limitam às cidades de Recife e Olinda com o fervoroso frevo, mas adentra o interior com os Papangus de Bezerros, Caretas de Triunfo e Caiporas de Pesqueiras. Entre tantas outras histórias e cantos que estão disponíveis para serem visitados, apreciados e valorizados.

Roberta Albuquerque é professora de Administração. Turismóloga pelo IFPE, Albuquerque é mestre em Administração pela UFPE com uma dissertação sobre as relações de poder no Maracatu Rural. Pesquisa sobre Turismo Cultural, Consumo e Identidade.