73 anos de histórias: Stephen King, o mestre do horror

Hoje (21), os amantes do terror literário comemoram o aniversário do criador dos livros Carrie (1973), O Iluminado (1977) e It - A Coisa (1986)
Os 10 melhores livros de Stephen King segundo seus fãs - Blog da TAG

Foto: Divulgação.

O célebre mestre do horror Stephen Edwin King, nasceu em Portland, estado do Maine, no dia 21 de setembro de 1947. Com uma carreira conceituada por seus notáveis contos e histórias de terror fantástico e ficção, o escritor norte-americano é considerado um dos mais proeminentes autores da sua geração. Seus livros já venderam mais de 400 milhões de cópias e várias de suas obras foram adaptadas em filmes, séries e quadrinhos. 

King conheceu o drama da vida real cedo. Quando Stephen tinha dois anos, seu pai, Donald Edwin King, abandonou a família. Junto a sua mãe Nellie Ruth Pillsbury e ao seu irmão adotivo David, passou por grandes dificuldades financeira. Viveu como itinerante, tendo transitado por lugares como Indiana, Wisconsin e Connecticut. Após nove anos como viajante voltou para o Maine, mas dessa vez se instalou na cidade de Durham. 

Aos 4 anos de idade, Stephen King viveu um dos momentos mais marcantes da sua vida. Ele presenciou o acidente aterrorizador de um de seus amigos, que foi atropelado por vagões de trem ao ficar preso em uma ferrovia.

O acontecimento inspirou o autor em sua obra “Quatro Estações” (1982). Este livro inclui entre suas páginas o conto “Outono da Inocência: o corpo”, que aborda a história de um grupo de adolescentes curiosos que saem de suas casas para tentar encontrar o corpo de um garoto que estava desaparecido e descobrem  que o menino foi morto acidentalmente. O conto inspirou e deu origem ao filme “Conta Comigo” que, em uma de suas cenas, mostra dois garotos correndo em uma ferrovia enquanto um trem chega perto de alcançá-los. Nesta obra, o autor se distancia do sobrenatural e constrói suas narrativas baseadas em pessoas comuns.

O início da jornada

Stephen desenvolveu seus primeiros escritos no ano de 1959, aos 12 anos.  Durante seu ensino médio, o autor decidiu que queria viver da escrita e passou a investir em sua carreira profissional. King foi publicado pela primeira vez, de forma amadora, por uma revista pulp (revistas produzidas com papel barato, um tipo de entretenimento rápido que podia por exemplo ocupar o lugar dos atuais seriados de TV).

Ao terminar o colegial, ele inscreveu para a faculdade do Maine, onde cursou a graduação em letras. Lá,  costumava publicar a coluna intitulada “King’s Garbage Truck” para o jornal estudantil.  

Ainda durante sua graduação, vendeu seu primeiro trabalho, “The Glass Floor” (1967), para uma revista por $35,00. O escritor passou a escrever para outras revistas, vários de seus trabalhos foram compilados e publicados em sua obra Sombras da Noite (1978).

Na faculdade ele conheceu Tabitha Spruce, sua esposa, com quem teve três filhos. Foi graças a ela que sua primeira obra consolidada, Carrie (1973), foi lançada. Enquanto escrevia Carrie, Stephen jogou a história no lixo por não estar satisfeito com a narrativa. Tabitha, no entanto, ao achar os esboços escritos pelo autor adorou e o incentivou a continuar. Após o sucesso inicial da obra, a editora Doubleday comprou o livro por 400 mil dólares. 

Filme Carrie – A Estranha (2013), remake do filme clássico dos anos 70, baseado na obra de Stephen King. Foto: Divulgação/Sony Pictures. 

Em 1974, outro acontecimento inesperado marca a vida do literato. Com o falecimento de sua mãe, Stephen King saiu de sua cidade natal e mudou-se para a cidade de Boulder, no Colorado. Nesse período o escritor ficou deprimido e acabou desenvolvendo o vício em álcool. 

No primeiro dia de mudança, a família King foi recebida pelo rigoroso inverno da cidade. Eles hospedaram-se em um hotel que dificilmente era frequentado por outras pessoas. Essa descrição ambientou o livro “O Iluminado” (1977), considerado por muitos sua principal obra. O consagrado livro foi adaptado cinematograficamente pelo diretor Stanley Kubrick. 

No período anterior à publicação do Iluminado, King já havia escrito seu segundo livro “A Hora do Vampiro” (1975). No final dos anos 70 escreveu Zona Morta (1979), sendo este seu primeiro romance a estar entre os mais vendidos do ano nos Estados Unidos. 

Entre as décadas de 1970 e 1980 King escrevia descontroladamente — tanto, que as editoras temiam que sua marca ficasse saturada no mercado. Foi então que o autor começou a utilizar o pseudônimo Richard Bachman, para poder publicar seus escritos. No entanto, um  funcionário de uma livraria chamado Steve Brown,  acabou descobrindo sua identidade escondida e expôs o escritor. O evento acabou inspirando King no seu livro “A Metade Negra” (1989), que narra a história onde o pseudônimo de um autor ganha vida própria.

Filme It – A coisa (2017) dirigido por Andy Muschietti. Foto: Divulgação/Warner Bros.

Nesse mesmo ano, o rei do terror chegou a enfrentar seus próprios demônios ao se juntar para o grupo de Alcoólicos Anônimos e tentar livrar-se do vício em cocaína. Os problemas que enfrentava contra as drogas era tão pesados, que ele já mencionou em várias entrevistas que praticamente não lembra dos momentos em que escreveu os livros “Cujos” (1981) e “It – A Coisa” (1986).  Foi por volta de 1990, após uma intervenção feita pela sua família, que King parou de beber. Após ficar sóbrio, escreveu “Trocas Macabras” (1991). 

“Monstros são reais e fantasmas são reais também. Vivem dentro de nós e, às vezes, vencem.”

Stephen King

Em 1999, outro acidente invade a vida de Stephen King. Dessa vez com ele próprio. Ao caminhar pelas calçadas do Maine, Stephen foi atingido por um furgão descontrolado e precisou passar por cirurgias nas costelas e quadris. Durante sua recuperação, escreveu contos, uma novela e seu livro de memórias, On Writing (2000).  

Sucesso, fama e ascensão

Com o destaque que recebeu por suas assombrosas histórias de horror, o autor já conquistou diversos prêmios. Entre eles o Bram Stoker Awards – uma premiação concedida pela Horror Writers Association (HWA) por “realização superior” no gênero terror –  e o World Fantasy Award, um dos mais prestigiosos prêmios da ficção especulativa. 

Em 2015, passou a ser descrito como oficialmente como “rei do terror” pela National Endowment for the Arts, tendo recebido a Medalha Nacional das Artes por suas contribuições para a literatura.

O universo de mistério, suspense e medo criado por Stephen King o levou a ser considerado um dos autores mais marcantes do século, estando entre os 10 autores mais traduzidos do mundo. Com mais de 50 obras publicadas, King revela o esplendor do fantástico e assustador imaginário humano através da literatura.

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