Alfredo Bosi, um dos grandes nomes da crítica literária, morre aos 84 anos

Uma homenagem da repórter Rayanne Soares ao crítico que marcou sua trajetória na universidade

“Louvo a praxe desta e de todas as academias pela qual cada novo eleito dirige a palavra não só aos confrades que o estão acolhendo, mas também aos companheiros que se foram, convidando-os a retornar, ainda que por breves momentos, à companhia dos que os conheceram em carne e osso, ou apenas pelo testemunho dos seus escritos. A memória que, no verso de Camões, ‘os homens desenterra’, é, neste caso, o mais grato dos deveres. É minha vez de convidar-vos a me acompanhar nesta viagem de reconhecimento”

(Alfredo Bosi em seu discurso de posse na cadeira 12 da Academia Brasileira de Letras)

Alfredo Bosi, membro da Academia Brasileira de Letras e professor da USP,  morre de Covid-19 | Jovem Pan
Alfredo Bosi também era professor da USP e membro da Academia Brasileira de Letras.

Um nome que certamente todos os acadêmicos das Letras reconhece: Alfredo Bosi. Um dos maiores críticos da literatura brasileira, que com seu discurso mediador orientou os alunos de Letras a um estudo mais aprofundado e um enfoque mais ligado à dimensão social da literatura por parte da crítica.

História concisa da literatura brasileira (1970), normalmente é o livro em que temos o primeiro contato com o Alfredo Bosi na faculdade de Letras, um livro fundamental para todos que se propõem a começar a compreender a literatura brasileira, do período colonial até as tendências contemporâneas. Em outra obra de referência para a área, Dialética da colonização (1992), baseado nas interpretações dos intelectuais de 30, o crítico busca caracterizar historicamente os aspectos que constituem o Brasil fomentando uma reflexão sobre a situação cultural do nosso país.

Além disso, ainda sobre a importância do legado nas obras de Alfredo Bosi para a crítica literária e para nossas letras, na parte introdutória de O pré-modernismo (1966), Bosi, de forma sucinta, dialoga sobre o período cultural que se estende nas manifestações realista-parnasiana e do simbolismo, período de transição que foi o pré-modernismo, que precedem o modernismo brasileiro. Certamente as obras dele são referência para mim e para os estudantes de Letras, a quem o Bosi dedica muitas de suas obras. é uma grande perda, lamentável ainda mais pelas circunstâncias.

É um grande prazer cursar Letras, pelo oficio e pelos grandes nomes dos críticos que fazem parte da vida acadêmica dos alunos de letras, que através dos estudos dos principais representantes de cada período da nossa literatura, nos ajuda a entender a sociedade, cultura e política, com grande lucidez crítica.

O professor Bosi se torna eterno. Em seu discurso de posse a primeira frase dita por Bosi foi “A primeira palavra que me cabe dizer aos confrades desta Casa de Machado de Assis é a mais simples e ao mesmo tempo a mais densa: – obrigado!”. Assim, como estudante de Letras que tem a honra de estudar as obras do Alfredo Bosi, e por todo seu legado na literatura, eu digo: obrigada!

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