Anna Clara Oliveira

Caruaruense, graduanda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco, Campus Agreste.

As miudezas da poesia solar de Ágnes Souza

Por Anna Clara Oliveira e Luiz Ribeiro

“Quantas vidas me couber, amar uma mulher” diz o poema que inicia a segunda obra da poetisa pernambucana

A poetisa Ágnes Souza. Foto: Fernanda Valente/Divulgação

O Café Colombo realizou uma entrevista com a poetisa pernambucana Ágnes Souza, que lançou recentemente o livro de poesia “Pouso”. Ela nos contou sobre o processo evolutivo da sua carreira enquanto mulher lésbica e poetisa, e sobre o processo de evolução da sua escrita, que tem se modificado desde a publicação do seu primeiro livro “Re-cordis”(2016), além de falar sobre suas inspirações enquanto artista. Ágnes ainda relatou a experiência de publicar um trabalho poético no contexto da atual pandemia. Confira:


Como tem sido sua trajetória enquanto mulher LGBT e poetisa, e quando você se descobriu como tal? 

Eu sempre fui uma criança muito quieta. E lia muito. Meu pai é professor de português e durante a minha infância, nos anos 1990, ele recebia muitas coleções. E esses processos andaram juntos, mas para inserir essa temática na minha escrita demorou um pouco, porque eu tinha muita insegurança. Meu primeiro livro, é um livro muito neutro. Se vocês sairem procurando gênero ali, não vão encontrar muita coisa. Mas acho que isso foi muito do meu processo de amadurecimento como pessoa, como artista também, esse processo de entender a minha sexualidade, de entender como isso influenciava as minhas pesquisas, as minhas leituras.

Como se deu o processo criativo e a história de “Pouso”? O que mudou do seu último trabalho para ele?

Desde o processo de edição do primeiro livro, que se chama “Re-cordis”, eu estava escrevendo muito, e chegou um momento em que não dava mais para entrar esse material. Já não se comunicava mais com o primeiro livro. Fui guardando, amadurecendo os poemas, e deixando um pouquinho na gaveta para ver como eles funcionariam. Acredito que em meados de 2018, fui atrás da mesma editora que lançou meu primeiro livro. É uma editora independente chamada Moinhos, de Belo Horizonte. Ele participou de um financiamento coletivo para ser editado. Mas isso de ir atrás de editora foi um percurso árduo. Hoje, encontramos mais editoras independentes, do que na época em que lancei meu primeiro trabalho, em 2016. Muita coisa já mudou, essa é a maior diferença: encontrarmos, hoje em dia, editoras mais abertas a publicarem pessoas desconhecidas. Enquanto ao meu processo, eu sento, escrevo, repito aquilo na cabeça às vezes no banho. Não tem nada teórico e metódico por trás. Fui só respeitando esse processo de como as coisas vinham.

Livro “Pouso”, publicado pela editora Moinho, em 2020. Foto: Divulgação/ Facebook.

Quais são suas principais inspirações enquanto artista? Você menciona muito o “infraordinário”, termo utilizado pela escritora Marília Garcia. O quanto ele ajudou a moldar a forma final de “Pouso? 

As inspirações de “Pouso” vêm de dois lados. Vem do meu lado leitora, porque eu leio muita poesia, mas também veio das pessoas da rua, do meu andar na rua. Na época que eu estava escrevendo “Pouso”, morava no centro do Recife, na Boa Vista. Ouvia muito as pessoas conversando, passeava muito por praças. Pegava uma coisa aqui, outra ali. Esse conceito de “infraordinário”, de Marília Garcia, está nos seus livros “Parque das Ruínas” (2019), e o “Câmera Lenta” (2017), em que ambos  falam sobre o cotidiano. Não encontraremos temáticas absurdas, de momentos históricos, de coisas pontuais, mas veremos  esses detalhes do dia a dia; justamente o conceito do “infraordinário”. Na minha escrita sempre coloquei isso, mesmo não tendo conhecimento sobre esse conceito. Juntei o que eu já tinha descoberto, através de Marília Garcia. Mas fora ela tem poetas como Angélica Freitas, Júlia de Carvalho Hansen, Simone Brantes, a portuguesa, Matilde Campilho, além de outros autores, como Valter Hugo Mãe, Victor Heringer, pessoas que se a gente parar para pensar um pouquinho, sempre tem essa coisa do cotidiano, essa coisa das miudezas, no que eles escrevem. 

Como é lançar um trabalho poético no contexto da pandemia?

Várias crises. Eu tive várias questões porque, no nosso cronograma com a editora, o livro sairia próximo ao dia 18 de abril, mas veio a pandemia. A responsabilidade de não colocar ninguém em risco. A vantagem é que eu não tenho experiência com editora grande, mas a minha experiência com editora pequena é essa liberdade que eles nos dão para escolher. Meu editor me perguntou se eu queria aguardar ou se eu queria lançar. Eu passei horas pensando. O livro já estava na pré-venda. Tinham pessoas que haviam comprado. Não achei legal deixar essas pessoas esperando tanto. Como a gente não tem previsão de nada, eu optei lançar por uma live, mas morrendo de medo, pela falta de experiência. Eu sou professora, sou acostumada a falar, mas falar em frente a uma câmera, foi algo novo. Foi um susto, como tudo o que tem aparecido, porque tudo tem sido novidade, mas que também trouxe surpresas positivas para o meu trabalho, que é esse contato que eu nunca imaginei, como vocês.

No poema “Há umas semanas eu queria ter 30 anos”, você menciona os múltiplos estados de espírito a partir das idades. Várias escritoras e poetisas se debruçaram sobre o processo de velhice, aludindo ao chamado “memento mori”, seja ela uma morte literal ou figurativa. Como você enxerga esse processo nas artes?

Eu sempre gostei muito de música, de peças de teatro, de livros, que tragam um pouco a gente para a realidade. Tem muita coisa acontecendo no mundo. Tudo é muito efêmero. Claro que não podemos se apegar a coisa da finitude, senão adoecemos. Você precisa trabalhar com esses vários lados da moeda. Alguns poemas têm um teor mais negativo, e de alguma forma eu tento enxergar uma beleza naquilo, ou vice-versa. Tem uma coisa muito positiva, mas que também tem esse lado mais melancólico. Eu acho que “Pouso” caminha por esses dois lados: tem poemas muito apaixonados, muito positivos, muito solares, a coisa do exterior, de amar alguém, de observar alguém, mas também tem muita coisa sobre despedida, finitude, sobre as marcas, sejam elas físicas ou  emocionais. São coisas que eu gosto de ver e que eu trago para o que eu faço, de alguma forma.

Projeto O Moderno Popular convida Siba em sua nova edição

Por Anna Clara e Sarah Coutinho

Uma conversa sobre o Nordeste e as nuances entre o tradicional e o moderno

Siba na capa do seu disco “Baile Solto”, lançado em 2015, com referências do Maracatu. Foto: José Holanda/Divulgação

O projeto “O Moderno Popular”, está iniciando um novo ciclo, sendo retomado durante a quarentena de forma virtual. A nova edição traz como convidado o cantor e compositor Siba para conversar sobre “Quem é o Nordeste?”. O encontro será transmitido na sexta (22), às 20h, no perfil do instagram da jornalista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Fabiana Moraes, também coordenadora do projeto e mediadora da conversa. O projeto é uma ação do Observatório da Vida Agreste e conta com o apoio do Laboratório de Tipografia do Agreste (LTA) e do Núcleo de Comunicação (NDC) do Centro Acadêmico do Agreste (CAA). 

O pernambucano Sérgio Roberto Veloso de Oliveira, conhecido artisticamente como Siba, é conhecedor do maracatu rural e da poesia. Ao longo de 20 anos de carreira, desenvolveu um estilo musical singular, que ultrapassa as amarras da regionalidade. “Acho que Siba tem uma riqueza muito grande de análise e percepções sobre essas questões que são pensadas como regionais ou populares. Ele nos traz uma grande contribuição, uma discussão rica, já que está nessa área a mais de 20 anos sendo fustigado a comparecer ao lugar específico do regional”, comenta a jornalista. O Café Colombo também conversou com Siba sobre seu processo criativo nesse período de isolamento social e as diferenciações ainda feitas sobre moderno e popular no mercado musical. Para conferir a nossa entrevista, acesse aqui.

O Moderno Popular surgiu em 2017, na disciplina de Comunicação e Cultura Populares do curso de Comunicação Social do CAA com o propósito de discutir através da arte, a justaposição entre o tradicional/regional e o moderno/global.  

“Eu percebi a permanência de uma ideia de regionalismo muito associada ao Nordeste e até o mesmo ao Norte. Os outros locais como Sul e Sudeste são mais percebidos como nacionais. Não só pelo aspecto teórico nas leituras em relação a essa temática que é ampla, mas na interação com o próprio corpo discente. A questão sobre pensar a região e suas representações perpassa o núcleo design e comunicação social que são cursos que lidam com essas questões fortemente. Decidi fazer o projeto de extensão a partir  desse incômodo que não é novo, é uma questão quase “clássica” dos estudos de cultura”, menciona.

Com a intencionalidade de levá-lo aos lugares menos acessados de Caruaru e, mais que isso, para além do ambiente acadêmico; na edição passada, o projeto foi realizado no assentamento Normandia do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) localizado na cidade. Em 4 anos, as edições já tiveram as participações de nomes como os cineastas Marcelo Gomes, Gabriel Mascaro, Vincent Carelli, o poeta Miró da Muribeca, o artista do maracatu Mestre Anderson, a escritora Maria de Lourdes, a pesquisadora Maria Alice Amorim e o dançarino e performer Edson Vogue.

Fabiana destaca que, em meio aos retrocessos políticos e culturais no Brasil, seja pela falta de estímulos, incentivos e políticas públicas, pelo Governo, voltadas ao setor artístico:  “há um sol nascente no horizonte: acredito que a produção sobre Os Nordestes venha sofrendo mudanças positivas, e isso é reflexo de uma nova perspectiva. Ficou mais claro que trata-se de uma luta de poder, político e simbólico, e isso ajuda a desnaturalizar uma série de abordagens. O Moderno Popular, com seus sertões de plástico, cactos e crack, propõe ser mais um meio para alcançarmos uma pluralidade”, afirma.

‘O barato sempre é pesado’

Por Anna Clara, Luiz Ribeiro e Sarah Coutinho

Na entrevista, Siba afirma que seu projeto atual é sobreviver, seja em meio às problemáticas acarretadas pela pandemia ou aos impasses do mercado musical


Foto realizada para o disco “Coruja Muda”, lançado em 2019. Foto: José de Holanda/Divulgação

O Café Colombo realizou uma entrevista com o cantor e compositor Sérgio Roberto Veloso de Oliveira, popularmente conhecido por Siba. Com oito álbuns lançados, entre eles, “Fuloresta do Samba”, em 2002; “Coruja Muda”, 2019; “Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar”, em 2007, e “Avante”, em 2012. Ele nos contou sobre as incertezas do futuro em razão da pandemia, seus processos criativos, os impasses ainda existentes quando falamos sobre moderno e popular, além das suas perspectivas sobre os futuros projetos. Siba ainda soltou o verbo sobre as questões que caracterizam a transformação do mercado musical desde o início da sua carreira. Confira: 


Como funciona seu processo criativo? Nesse período de isolamento social, esse processo se tornou mais fluído ou está mais difícil? O barato continua pesado?

É difícil falar sobre como funciona o processo criativo porque não é uma coisa puramente criativa ou linear, ou algo em que se possa descrever passos. De modo geral, eu coleciono fragmentos que não são necessariamente aleatórios porque são ideias que aparecem ao longo do dia, de qualquer situação, ou mesmo de questões que eu estou tentando pensar. A partir desse momento, eu vou juntando esses pedaços. Tanto posso começar pelo texto quanto por uma ideia musical, mas já pressupondo, de algum modo, o espaço específico do texto na música. E aí chega o momento em que as coisas vão se juntando – geralmente tem que forçar uma “barrinha”, senão também nunca sai. A quarentena não trouxe para mim nenhum tipo de benefício, porque concentrou as tarefas domésticas com filhos e casa no mesmo espaço do trabalho. Fora a tensão ao redor, com as questões políticas no presente e a incerteza do futuro. Tudo isso não ajuda muito, porém tento me manter criativo mesmo assim. Mas o barato sempre é pesado!

O seu lançamento mais recente é Coruja Muda. Desde os tempos de Mestre Ambrósio, passando pela Fuloresta, até a carreira solo, como você enxerga as mudanças no mercado musical que consome e produz o moderno e o popular? 

Essa contraposição entre moderno e popular está equivocada desde o começo. Ela já determina de antemão que o popular é o passado e o moderno, o presente. Esse é o paradigma que nós devemos quebrar. É cansativo estar falando sempre sobre isso. Mas é a força do senso comum, que coloca essa porteira fechada a tudo que é popular. O mercado tem mudado. Quando comecei, ele praticamente não existia. Não havia uma perspectiva de mercado para o que a gente faz. Depois, com o Manguebeat, se abriu um tipo de mercado que nunca foi totalmente sustentável, sempre precisou de um subterfúgio como políticas públicas ou políticas institucionais. Mas mudou. Com a internet houve uma nova mudança. Agora, com a nova situação política e com a pandemia, ele muda novamente. Mas eu venho de um começo tão sem perspectiva que, por mais que assuste, é como se não assustasse.

Quais são os próximos projetos daqui pra frente? 

O projeto atual é sobreviver. Eu lancei um disco ano passado, que parece ter tido a vida “ao vivo” dele encurtada. Não há perspectiva de fazer um show com uma banda no palco nem tão cedo, não sabemos quando haverá isso novamente e quando houver em que tamanho vai ser possível. Tá tudo muito suspenso. Eu tenho escrito, tenho tentando me manter criativo, ensaio ideias de formatos diferentes, mas ainda é muito cedo para falar, até pelo próprio contexto que não permite que muita viagem seja concretizada em curto prazo. Agora, para mim, é muito mais um tempo de cuidados para poder escapar vivo. E aproveitar as oportunidades que aparecem, mas sabendo que este é um momento suspenso que necessita ser ultrapassado.

Projeto Música em Debate realiza seu 4º encontro virtual

Toda semana, durante as quinta-feiras, o projeto traz um novo convidado para falar sobre música

Aos 62 anos, Sandroni tem dois livros escritos e suas composições já foram gravadas por artistas brasileiros como Adriana Calcanhoto e  Milton Nascimento.  Foto: Divulgação/Portal Cultura.

O projeto “Música em Debate” idealizado pelo Curso Técnico em Instrumento Musical do  Campus Barreiros do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) realizará amanhã (21), às 19h, seu 4º encontro, que terá o músico, compositor, professor e etnomusicólogo Carlos Sandroni como convidado. O debate irá trazer reflexões sobre a música popular brasileira e será transmitido por videoconferência no aplicativo do Google Meet e os interessados podem efetivar a inscrição no formulário online disponibilizado pela gestão do projeto. As vagas são limitadas. 

O Curso Técnico em Instrumento Musical da IFPE tem o objetivo de formar profissionais de nível técnico qualificados para atuar no campo musical com competência, criatividade, inovação e capacidade para participar das dimensões do fazer artístico e cultural. Para mais informações, entrar em contato com o professor Crisóstomo Santos, pelo número (81)9970-98212.

Getúlio Abelha lança novo single ‘Sinal Fechado’ com clipe misterioso

“Este trabalho vai representar um novo passo na minha carreira musical e audiovisual”, diz o artista

Getúlio Abelha inova na estética do seu novo single “Sinal Fechado”.  Foto: Divulgação.

O cantor Getúlio Abelha conhecido pela viralização do seu primeiro single “Laricado”,  lança amanhã (15), seu mais novo trabalho, “Sinal Fechado”. A canção estará disponível em todas as plataformas digitais, acompanhada de um videoclipe realizado de forma independente. O novo single do artista faz parte do seu álbum de estreia “Marmota”, que estava previsto para ser lançado em maio, mas teve o cronograma interrompido pela pandemia do novo coronavírus. 

Dirigido por Lucas Sá, o clipe de “Sinal Fechado” é inspirado nos filmes de terror da década de 1970 e 1980, e foi gravado em 24 horas. Ao contar a história um ritual macabro que se torna um desespero amoroso e sentimental, o clipe possui influências estéticas dos filmes “The Rocky Horror Picture Show” (1975), de Jim Sharman e “Christine, o Carro Assassino” (1983), de Stephen King. Com produção de Guilherme Mendonça e direção artística de Getúlio, a faixa traz sintetizadores e mira, ao mesmo tempo, no futuro e na tradição; o que levou Getúlio a classificar a canção como “retro-futurista” característica que, segundo ele, influenciou bastante no conceito do clipe.

O trabalho foge da estética dançante e debochada que caracteriza o trabalho do artista. “Nesta música, busco mostrar uma outra vertente da minha versatilidade musical e vocal, é meu primeiro trabalho romântico”, conta Getúlio. A música é uma composição da cearense Heloise Sá e aborda a nostalgia e as confusões sentimentais decorrentes de um relacionamento. “A sonoridade traz influência da música brega que se estende de Belém a Recife e no meio disso tem Fortaleza, onde vivo, sendo que aqui recebo informação dos dois lados, o que me fez despertar o desejo de lançar uma música com essa influência”, diz Getúlio.

Armazém do Campo promove lives para debater cultura, política e solidariedade

A cantora Flaira Ferro será a primeira convidada a participar das lives


A artista Flaira Ferro já possui dois álbuns publicados: Cordões Umbilicais (2015) e Virada no Jiraya (2019).
Foto: Divulgação/Site oficial Flaira Ferro.

O Armazém do Campo Recife realizará  quinta-feira (14), às 18h, o projeto “Armazém em Casa –  Da Cozinha aos Ouvidos”. O quadro conta com apresentações que vão abordar política, arte e solidariedade. A pandemia da Covid-19 alavancou a crise social e sanitária e, com isso, a necessidade dos indivíduos solidarizarem uns com outros é reforçada pela iniciativa. A transmissão ao vivo será feita no perfil do Instagram da organização

A coordenadora de cultura do Armazém do Campo Rosa Amorim, será responsável pela mediação do evento, e receberá como primeira convidada a cantora, compositora e dançarina Flaira Ferro que conversará sobre cultura e política. Toda semana, nas quintas-feiras, o programa Armazém em Casa contará com a participação artistas que ainda serão divulgados. 

O Armazém do Campo propõe ser um espaço de comercialização agrária e palco de debates politizados e culturais. Para fomentar essa proposta, foi criado o “Armazém em Casa”. O projeto também reforça a campanha Mãos Solidárias, adotada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e outros coletivos que fazem a doação de alimentos para pessoas em situação de vulnerabilidade social na cidade do Recife e na Região Metropolitana.

Cinema da Fundação recebe cineasta no quadro Cinema Convida

O diretor de história da eternidade (2014), Camilo Cavalcante, discute sobre suas produções ao longo da carreira

O recifense Camilo Cavalcante nasceu em 1974 e, desde 1995,  trabalha como roteirista, produtor e diretor. Foto: Aline Arruda/Cinemateca Pernambucana.

Em meio a pandemia mundial da Covid-19 e a necessidade de isolamento social, o Cinema da Fundação em parceria com a Cinemateca Pernambucana, irá realizar sexta (8), a partir das 19h, um bate papo virtual com a temática “Cinema”, no instagram da Fundação  com o cineasta pernambucano Camilo Cavalcante. A live faz parte do quadro “Cinema Convida”, criado para fomentar discussões sobre o audiovisual.

O diretor irá falar sobre o lançamento da sua última produção, o filme documental “O Beco” (2019), que aborda a vida no subúrbio do nordeste brasileiro, mostrando o abismo entre uma elite dominante e pessoas que vivem à margem da sociedade. Além disso, Camilo também conversa sobre o seu sucesso com “A História da Eternidade” (2014), que recebeu o prêmio do público de Melhor Ficção Brasileira na 38ª Mostra internacional de Cinema de São Paulo.

Teatro Santa Isabel comemora 170 anos

Com uma programação virtual, apresentações musicais e debates abordarão o futuro do mercado da arte

Situado em Recife, o teatro Santa Isabel é um ícone da cultura pernambucana. Foto: Divulgação.

Em meio a uma pandemia mundial, o Teatro Santa Isabel celebrará de forma virtual seus 170 anos. A partir de hoje (6), um dos prédios culturais mais simbólicos do Recife, conta com uma programação de lives que apresentam debates e shows musicais. A transmissão ocorre no perfil do instagram do Santa Isabel, todas as quarta-feiras, a partir das 19h. A programação encerra no dia 27.

A ação realizada pela Prefeitura do Recife, por intermédio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura, convidou o atual gestor do teatro Romildo Moreira para mediar o evento, e conta com a participação do professor Rodrigo Dourado, da coreógrafa Mônica Lira, da atriz e produtora Paula Renor, do produtor e gestor cultural André Brasileiro e do maestro José Renato Accioly. Além de recordar memórias e histórias do Santa Isabel, as conversas irão abordar questionamentos sobre o futuro do mercado da arte pós pandemia. As lives ficarão disponíveis por 24h, após a transmissão no perfil do teatro. 

Entre as atrações musicais, estarão presentes a dupla formada por Surama Santos e Henrique Albino que apresentarão performances de canto e instrumentos não convencionais  com remixagens eletrônicas ao vivo; O cantor e autor Publius Lentulus; O Grupo Instrumental Brasil, constituído por professores educadores dos departamentos de música da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal da Paraíba; e o Chorinho na Roça que surgiu em 2019, a partir dos encontros semanais de músicos para tocar choro no restaurante “A Fazendinha”. 

No dia 18 de maio, idealizado pelo Barão da Boa Vista,  o Teatro  Santa Isabel, cujo nome é uma homenagem à Princesa Isabel, foi inaugurado e projetado pelo engenheiro francês Louis Léger Vauthier. Louis inovou o modo de construção da época por não utilizar trabalho escravo em suas obras. O local já foi palco de eventos de cunho político, social e cultural. O prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 31 de outubro de 1949, e tornou-se um dos 14 teatros-monumentos do país.

Vitória do pife, de Caruaru, oferece aulas de pífano online

As aulas ocorrem por vídeo chamadas no Skype e no Whatsapp

Vitória Maryellen, 20 anos, também trabalha na fabricação de pífanos.
Foto: Ythalla Maraysa

Em decorrência da Covid-19 e da necessidade de isolamento social, a artista Vitória Maryellen, de Caruaru, conhecida popularmente como Vitória do pife, está ministrando aulas online para os interessados em aprender a tocar pífano. As inscrições estão abertas devem entrar em contato pelo instagram @vitoriadopife. As aulas são realizadas por vídeo chamadas no Skype e no Whatsapp.

No curso, ela aborda o conhecimento aprendido sobre o pífano a partir da sua vivência com João do pife e outros mestres. Nas aulas, ela também trabalha com exercícios de respiração, sopro, dedilhado e audição. A forma de transmissão dos ensinamentos ocorrem pela oralidade e também por meio das notas musicais, adaptando-se a necessidade do aluno. A mensalidade custa R$60,00 para aqueles que desejam ter aula uma vez por semana e R$100 para os que optam por dois dias na semana. 


Universidade de São Paulo disponibiliza mais de 3 mil livros gratuitos

Documentos históricos, livros raros e manuscritos foram digitalizados graças ao projeto

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin destaca-se no estudo de obras brasileiras, e na preservação, conservação e restauro de livros.
Foto: João Marcos Cardoso

A Universidade de São Paulo (USP) idealizou o projeto “Brasiliana Digital” que disponibiliza mais de 3.000 livros para download gratuito. O acervo faz parte dos documentos e obras existentes na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, e está disponível no site da instituição.

Conteúdos sobre o abolicionismo, obras do escritor Machado de Assis ou de Euclides da Cunha, por exemplo, são encontradas na plataforma. As primeiras edições do jornal Correio Braziliense e os manuscritos alemães que datam 1525 também estão disponíveis.

Os arquivos digitais disponibilizados pela Brasiliana Digital possuem direitos de uso e existem regras para a utilização dos conteúdos. A proibição dos documentos e livros com finalidades comerciais e a citação da fonte sempre que utilizar o conteúdo são algumas das normas adotadas.

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, criada em 2005, é conhecida no país e no exterior por sua coleção única. A coleção foi reunida ao longo de mais de 80 anos pelo bibliófilo José Mindlin e Guida, além de contar com parte do acervo que pertencia ao bibliófilo Rubens Borba de Moraes.