Dayane Jeniffer

Estudante de Comunicação Social na UFPE. Caruaruense e amante da cultura pop.

O samba se despede de Riachão, músico baiano que faleceu aos 98 anos

O músico, ator e compositor Riachão deixa marcado na música popular brasileira suas crônicas musicais em ritmo de samba de coco


Clementino Rodrigues, conhecido como Riachão, morre aos 98 anos. Foto: Divulgação

Com seu chapéu de feltro, lenço no bolso e toalhinha, Riachão se transformou em um símbolo da identidade do samba baiano. O seu falecimento na última segunda-feira (30), devido a uma dor no abdômen, nos fez rever grande parte do trabalho cantado, composto e atuado por ele. Foram filmes como Os pastores da noite (1976), do diretor francês Marcel Camus,  no qual fez participação, até séries e documentários como Samba Riachão (2001) dirigido por Jorge Alfredo, e diversas composições marcadas na música popular brasileira, no qual faziam Riachão se destacar como um grande artista.

Capa do filme ‘’Os pastores da noite’’ (1976). Foto: Divulgação

Clementino Rodrigues, conhecido popularmente por Riachão, nasceu em Salvador no dia 14 de novembro, em 1921.Influenciado pelo pai que gostava de capoeira e samba de roda, começou a tocar nas latas d’água e a compor aos 12 anos. Logo após essa descoberta, foi ao Rio de Janeiro trabalhar com música e teve sua voz divulgada nos rádios na década de 50.

Capa do filme “Samba Riachão” (2001). Foto: Divulgação

O sambista conta com mais de 500 composições autorais, sendo apenas 33 delas gravadas. Suas composições também eram mencionadas como crônicas musicais, já que suas músicas remetiam a momentos vividos pelo cantor. Como a faixa ‘’História da bochecha grande’’, que conta o momento em que esperava o ônibus e chegou um homem no ponto e ‘’jesus foi mandando a música’’ sobre o homem ‘’da bochecha grande’’ para Riachão, que quase ria na frente do ‘’bochechudo’’.

‘’Cada Macaco no seu Galho’’, lançada em 1973 nas vozes de Caetano Veloso e Gilberto Gil e ‘’’Vá morar com o diabo’’ popularizada por Cássia Eller, foi uma das músicas mais importantes para a construção da carreira de Riachão. Em homenagem ao dia da morte do cantor, Caetano publicou em suas redes sociais e relembrou o sucesso do “malandro”, assim chamado por Caetano. “Riachão foi uma força criadora de proporções imensas. Uma usina de energia rítmica, melódica, cômica, poética. Viveu 98 anos de luz intensa”. Caetano ainda relembra na publicação da alegria, animação e jovialidade do músico baiano: ‘’ele conheceu a tragédia em sua velhice, dificuldades em sua juventude, mas eu estive com ele há cerca de um ano e o vi cantar, sem parar e sem perder o suingue, por 5 horas seguidas. Seus sambas-coco são a afirmação da alegria baiana. Morreu velho e novo, sem precisar de novidades virais. Nunca esqueceremos Riachão’’ pontua.

Caetano Veloso e Riachão. Foto: acervo pessoal

Além de participar como compositor na cena musical brasileira, Riachão serviu de inspiração para os sambistas baianos Batatinha e Panela, e também gravou com o paraibano Jackson do Pandeiro.

Seus álbuns trazem um ineditismo autoral magnífico, com uma forte interpretação sobre o mundo e de como tudo poderia se tornam música. ‘’Sonho de Malandro’’ (1973), Humanenochum (2000) e ‘’Mundão de Ouro’’ (2013) seriam complementados no próximo ano como o lançamento de ‘’Se Deus quiser eu vou chegar aos 100’’, disco que seria lançado em 2021, quando Clementino comemorasse o seu centenário.

Capa dos álbum ‘’’Humanenochun’’ gravado pelo Sony Music. Foto: Divulgação
Capa do álbum ‘’Mundão de Ouro’’ gravado pela HUB Musical. Foto: Divulgação

Em entrevista ao portal de notícias G1 da Bahia, o neto de Riachão, Milton Gonçalves Souza Júnior reafirmou a importância do avô no cenário da música baiana e seu falecimento como uma  grande perda para a cultura brasileira. “É uma perda lamentável. Fica a memória, a alegria do nosso sambista, do meu avô. Foram 98 anos de muita alegria, muita música. Vai deixar saudade. Grande perda para a nossa música”, afirma.


Reconhecimento e conscientização: banda Guma nos conta a importância do “Festival Fico Em Casa BR”

Artistas de âmbito local e nacional dividem o “palco” e promovem visibilidade para as cenas culturais do país


Guma traz vampiros burlescos na praia no clipe de "Destilado ...
Foto: Divulgação

Os dias de quarentena causado pelo COVID-19 se tornam muito mais fáceis de serem passados com o uso da internet. Usada nesses tempos de pandemia para auxiliar no trabalho e promover uma comunicação efetiva, ela também participa na movimentação das várias áreas artísticas, como os teatros, shows e cinemas. Estes, que estão parados presencialmente como forma de prevenção ao vírus, migraram para o meio virtual com o intuito de levar a cultura e a conscientização ao público, além de promover o reconhecimento de outros artistas nacionais.

O Festival Fico Em Casa BR, que ocorreu entre os dias 24 à 27 de março, fez com que a cultura e a informação pudessem ser consumidas na palma das nossas mãos, com 40 horas de shows e mais de 70 artistas de todo o país. Por meio do YouTube, Instagram e Facebook, o público pode presenciar os mais diversos sons brasileiros, inclusive os pernambucanos, assim como o pop de Romero Ferro, a mistura de brega e ciranda da Academia da Berlinda e a Banda Guma com sua guitarra psicodélica.

“A gente ficou muito feliz em poder participar desse evento porque é uma oportunidade de fazer várias coisas: a primeira delas é conscientizar e espalhar para toda a galera a ideia de que ficar em casa, agora, é muito importante. Em segundo lugar,  o Fico em Casa também oferece uma contrapartida para essa quarentena não ficar tão chata. ” ressalta Guma, por meio da entrevista realizada com a banda sobre a importância do Festival nesse cenário de pandemia.

A Banda Recifense, formada por Caio Wallerstein, Katarina Nápoles e Carlos Filizola, também observa a enorme contribuição deste Festival ao levar bandas locais para um âmbito nacional, além de possibilitar um espaço de reconhecimento para estas. “Outro ponto muito massa também é que o Festival é um vetor importante para divulgar as bandas que ainda tem pouco reconhecimento no Brasil, como é o nosso caso. Dividir esse evento com nomes como Adriana Calcanhotto e Francisco El Hombre, por exemplo, é uma super oportunidade da gente se inserir mais em outros lugares que não só no Recife, sabe?” afirma.

Na apresentação, que durou cerca 30 minutos, a banda cantou as músicas do seu primeiro álbum Cais, lançado em 2018, que possui 10 músicas com sonora experimental e psicodélica.

Foto: Capa do álbum Cais, da banda Guma

O Festival vai realizar na próxima semana com uma nova edição, sem programação definida até então.Mas temos a certeza que, além de divertir os 100 mil seguidores do Festival Fico Em Casa BR, os shows trarão o reconhecimento nacional de muitos artistas pernambucanos e de outros estados do Brasil. Além de ser  “uma oportunidade de espairecer, ver outras coisas, se desligar desse monte de informação horrível que a gente tá recebendo’’ reforça os integrantes.

Festival “Fico em casa BR” é transmitido online para animar a quarentena

Com 40 horas de shows, festival leva entretenimento de forma online e intimista

Lista de artistas que estarão presente no Festival. Foto: Divulgação.

Inspirado no Festival ”Fico Em Casa” realizado em Portugal, a versão brasileira, o Fico em Casa Br, também vem com o propósito de colaborar com a não difusão do COVID-19 e incentivar a valorização dos artistas brasileiros. O Festival ocorrerá entre os dias 24 à 27 de março, com transmissão online. Conta com mais de 60 apresentações, de diversos gêneros musicais, que somam 40 horas de shows.

Alguns nomes presentes nos 4 dias de shows são: Guma, Adriana Calcanhotto, Academia da Berlinda, Renan da Penha, Emicida, entre outros. Ao todo são 76 artistas que farão shows de meia hora de forma inédita e intimista dentro de suas casas, a fim de levar entretenimento para alguns dias da quarentena.

Além de divertir as pessoas que estão em suas casas e reforçar os cuidados para impedir a propagação do Coronavírus, o Festival também traz a possibilidade de conhecer novos artistas e gêneros de vários locais do Brasil. No perfil no Instagram do Festival, eles reforçam que “nesses dias críticos para todo mundo, faça o possível para ficar em casa, que nós levaremos música e arte até vocês”.

Site da Cinemateca Pernambucana oferece acervo de produções cinematográficas do Estado

Possui em seu catálogo filmes, curtas e séries de 45 diretores de Pernambuco

Foto: Divulgação

Desde 2018 o site da Cinemateca Pernambucana surgiu com o intuito de preservar e difundir as produções cinematográficas de Pernambuco. Atualmente, conta com séries, filmes e curtas, disponibilizados gratuitamente, de 45 diretores pernambucanos. Entre eles Camilo Cavalcante (diretor do longa A história da eternidade), Hilton Lacerda (diretor de Tatuagem), Simião Martiniano ( diretor de filmes de baixo orçamento, como O vagabundo faixa preta) e Adelina Pontual ( diretora de curtas-metragens como Retrato). 

A cinemateca pernambucana cumpri assim, o intuito de proteção de produções cinematográficas pernambucanas e ajuda na divulgação dessas obras. Ao levar em conta que o cinema pernambucano demorou a ter sua produção resguardada, o site visa preencher essa lacuna e manter a produção audiovisual pernambucana protegida, que ocorre sempre atualizações de novos filmes, séries e curtas.

O acervo da Cinemateca Pernambucana, conta com produções audiovisuais, pelo site e presencialmente. Além de filmes, séries e curtas, é disponibilizado objetos fílmicos como: figurinos, fotografias, roteiros, cartazes e documentos dos filmes presentes no acervo. No site também está publicado teses e dissertações de pesquisadores que utilizaram o Cinema Pernambucano como tema de seus estudos acadêmicos.

23° edição da Feira Musical ocorre na Serra dos Cavalos

Edição contará com amostra de orquídeas, apresentações musicais, e barracas de artesanato e gastronomia

Programação da 23° edição da Feira Musical na Serra dos Cavalos-Foto: Divulgação

Será realizada, entre os dias 14 e 15 de março, a 23° edição da Feira Musical no Parque Natural Municipal Professor João Vasconcelos Sobrinho, na reserva Serra dos Cavalos, aberto das 9h às 18h. O evento é gratuito e terá caminhada até o anoitecer para ver a lua, apresentação popular de música e dança, vista para o pôr do sol e amostra de orquídeas.

No sábado, o evento começará às 17h, com a caminhada da lua, que terá sua saída na sede do parque. Enquanto no domingo, terá apresentações musicais durante à tarde, a partir das 13h. Com palco livre para manifestações populares, shows de Ray Lima e Sóstenes, Cortejo Musical até o mirante, e vista do pôr do sol ao som das flautas de Marcos Wendel e Ayala Santos. 

Além disso, acontecerá no domingo uma Amostra de orquídeas organizada por José Barbosa e demais orquidófilos de Caruaru. Durante o festival, terá também barracas de artesanato e gastronomia.

O ônibus terá três pontos de embarque, com retorno às 18h. O primeiro ponto no Grande Hotal (Rua Duque de Caxias-Centro) de 13h. O segundo ao lado do Colégio Sagrado Coração (Centro) com saídas às 7h,9h,11h,13h,15h e 17h. E o terceiro ponto no sítio Araçá (Murici), com a saída programada para 6h,8h,10h,12h,14h,16h e 18h. Todas as passagens saem por R$ 3,30.


“Uma deliciosa teimosia em ser feliz’’: exposição do fotógrafo João Roberto Ripper é realizada em Belo Jardim

O projeto conta com 20 imagens de agricultores do semiárido e zona da mata de Pernambuco


A exposição “Uma deliciosa teimosia em ser feliz” do fotógrafo carioca João Roberto Ripper, iniciou nesta última quinta-feira (12) às 19h no Sesc Ler Belo Jardim e irá se estender até o dia 29 de maio. O evento conta com a participação dos agricultores retratados e do Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, de acordo com o site G1 Caruaru.

Estão sendo apresentadas 20 imagens dos agricultores do semiárido e zona da mata pernambucana. Estes participam do processo realizado pelo Centro Sabiá, que tem por finalidade a promoção da agricultura familiar e a agroecologia. Nas fotos são demonstradas a luta e a beleza desse trabalho,que consiste na plantação e venda de frutas e verduras, realizada pelos trabalhadores da região.

A visita para a exposição é gratuita, de segunda a sexta, das 8h às 13h e das 14h às 18h.

Informações sobre o evento:

Exposição Uma Deliciosa Teimosia em Ser Feliz

Período de duração do evento: de 12 de março a 29 de maio

Local: Galeria de Artes do Sesc Ler Belo Jardim

Endereço: Av. Pedro Leite Cavalcante, s/n – Cohab II

Entrada: gratuita

Horário de visitação: das 9h às 13h e das 14h às 18h, de segunda a sexta-feira

Informações e agendamento de visitas: (81) 3726-1576.


Relançamento do Café Colombo

O evento contou com apresentação da nova fase do projeto, conversa sobre jornalismo cultural e sorteio das revistas produzidas pela antiga fase do site


Na programação da Semana Integra do curso de Comunicação Social no Centro Acadêmico do Agreste (CAA), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ocorreu, na última terça-feira (3), o relançamento do site do Café Colombo. Durante à tarde, no auditório Luiz Gonzaga, foi apresentado a nova interface, o plano de administração das mídias e os novos integrantes do site. O professor do Núcleo de Design e Comunicação Eduardo Cesar Maia, antigo participante do grupo que originou a Café Colombo e, atualmente, orientador do projeto, falou sobre as origens do site e seus intuitos com a produção de matérias sobre política, economia e literatura. A semana contou também na quarta-feira (4), com exibições de produções audiovisuais e o lançamento da revista Verbo produzida pelos estudantes do quinto período do curso.

Após a apresentação do site, foi aberta uma mesa de diálogo com o professor de Design e de Comunicação Amílcar Bezerra, com a professora de Comunicação Social Fabiana Moraes, o jornalista da TV Asa Branca Lafaete Vaz e com o professor e orientador do projeto Eduardo. Eles dialogaram sobre os desafios da crítica cultural no Agreste de pernambuco e suas experiências pessoais e profissionais sobre trabalhar nessa área . No término do evento, foram sorteados exemplares publicados na antiga fase do site da revista Café Colombo.

Novos integrantes da Café Colombo. Da esquerda para a direita: Bianca Torres, Dayane Jeniffer, Dyego Mendes, Lucas Gomes, Sarah Coutinho, Hellen Gouveia, Luiz Ribeiro, Gabriel Gomes, Eduardo Cesar Maia, Thiago Muniz, Ana Clara e Thamara Amorim.
César Martins, um dos ganhadores do sorteio da revista Café Colombo.

A conversa rondou em torno de alguns pontos essenciais, entre eles, os desafios do crítico e a abordagem de temas culturais nos meios de comunicação para se entender o papel da crítica e o jornalismo cultural produzida no Agreste de Pernambuco. Durante o debate, o jornalista Lafaete Vaz citou algumas dificuldades dos veículos de comunicação comerciais, entre elas, está a preocupação de trazer matérias sobre a movimentação artística da cidade pelo impasse mercadológico dessas publicações. Uma vez que essas grandes empresas precisam focar em notícias factuais, que são mais consumidas pelo público, nas quais não incluem os temas culturais da cidade e região. Lafaete ainda afirmou a importância de veículos alternativos, como a Café Colombo, para preencher essas lacunas e trazer mais visibilidade para os artistas da região.

A professora Fabiana Moraes acrescentou ao debate as variáveis do termo ”cultura” e como, muitas vezes, foi um processo regido por aspectos de uma cultura dominante para determinar o que ela é e o que deve ser. Assim, apresentou uma visão ampla de como esses processos devem ser vistos por outra ótica e observar todas as formas de manifestação popular. Durante o debate, veio à tona os prós e contras de fazer jornalismo cultural, ao que se refere ao recebimento do público.

Conversa sobre jornalismo cultural com participação de Fabiana Moraes, Eduardo Cesar Maia, Amilcar Bezerra e Lafaete Vaz.

A nova fase da Café Colombo é formada por estudantes de Comunicação Social e Design do CAA. A equipe de reportagem é constituída por: Dayane Jeniffer (5° período), Sarah Coutinho (5° período), Laís Guedes (3° período) e Anna Clara (3° período). Enquanto que os colunistas são: Thiago Muniz (8° período), Thamara Amorim (7° período), Luiz Ribeiro (7° período), Dyego Mendes (5° período), Karol Nascimento (3° período) e Gabriel Gomes (3° período). A criação e administração das mídias sociais ficará a cargo de Hellen Gouveia (3° período), Bianca Torres (5° período) na edição, Noemi Fragoso (7°período) na gravação dos vídeos, e Lucas Gomes (3° período) na reestruturação do site. Além disso, contaremos com participações semestrais de professores do Núcleo de Design e Comunicação e estudantes de outras áreas com ensaios e colunas.