Dayane Jeniffer

Estudante de Comunicação Social, pseudo-fotógrafa, amante da cultura pop e da filosofia

A munição liga as histórias do clipe Texas e a realidade brasileira

Clipe em formato de curta-metragem da banda Diablo Angel, faz críticas a atual ânsia da população por armamento


Joelma Andrade, personagem principal do curta-metragem da música “Texas” de Diablo Angel. Foto: Reprodução/ Youtube

A banda recifense Diablo Angel, formada pela vocalista Kira Aderne, o guitarrista Tárcio Lua e o baterista Walman Filho, lançou recentemente o clipe da música “Texas” produzido pela Filmaço Produções. O curta, dirigido pelo cineasta Felipe Soares, reflete sobre a atual ânsia da população por armamento. Nele, a personagem principal Joelma Andrade tem seu filho, Mário Andrade, assassinado a tiros pela Polícia Militar em 2016, no bairro do Ibura em Recife.

A faixa “Texas”, presente no álbum “Futuro” (2019) do trio, simboliza uma realidade cada vez mais presente: o crescente apelo político pelo armamento da população e o desprezo com a vida alheia. Análogo a questão apresentada, estão as histórias de Jenifer, Kauan, Kauã, Kauê, Ágatha e Kethellen, no qual reflete esse descaso. Essas seis crianças foram mortas durante ações policiais nas periferias da zona metropolitana do Rio de Janeiro em 2019 e ainda não tiveram suas investigações concluídas.

Por vias semelhantes, observamos a história do adolescente João Pedro Matos, 14 anos, assassinado na segunda-feira (18), mais uma vítima do erro da polícia. O garoto foi executado durante uma operação policial, apoiada pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), chefiada pelo Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Segundo as informações disponibilizadas pela Folha de São Paulo, João morreu dentro de casa, enquanto brincava com seus primos e amigos, na Ilha de Itaoca, Complexo do Salgueiro, na cidade de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro. A operação que ocasionou a morte do  adolescente tinha o objetivo de cumprir dois mandatos de busca e apreensão contra lideranças de uma facção criminosa.

O garoto foi morto após os policiais que sobrevoam a área no helicóptero da Polícia Cívil detectarem atitudes suspeitas. Os policiais invadiram a casa do primo do adolescente e atiraram cerca de 70 vezes, de acordo com pessoas que visitaram a cena do crime. “A Polícia Militar em si já se diz: ‘preparada para matar’ ’’, como alega Joelma no clipe em relação à  onda de crimes policiais rotineiros.

Após ser baleado, João foi levado de helicóptero pelos policiais que não contactaram a família do menino. O corpo foi encontrado na terça-feira (19), no Instituto Médico Legal (IML). Em entrevista ao programa Encontro com Fátima Bernardes, na TV Globo, os pais de João afirmaram que ao chegarem na casa em que ocorreu o assassinato, viram todos os outros adolescentes fora da casa, exceto seu filho. “Chegamos lá e encontramos os adolescentes fora da casa, no chão, como bandidos, como porcos, como lixo. Coisa que eles não são. Cinco adolescentes, mas o total era seis. Faltava um e esse um era o meu filho, que já estava baleado. Botaram ele num blindado e levaram para socorrer. E eu perguntando: ‘o que aconteceu?’ Fomos encontrar o meu filho depois de 17 horas no IML com um tiro de fuzil, morto”, relata.

Seja na capital pernambucana ou na região metropolitana do Rio de Janeiro, a violência policial é, inicialmente, uma questão de nível federal. Assim como é figurado no clipe, o ódio e a bala é naturalizado. Em certo trecho, o telespectador é alienado após ver um vídeo do então Presidente Jair Bolsonaro (sem partido), se divertindo com uma arma.

Trecho do clipe curta-metragem “Texas” do trio Diablo Angel. Foto: Reprodução/YouTube

Na mesma semana em que João Pedro foi assassinado, o número de mortes ocasionadas pela pandemia da COVID-19 chegou a mais de 20 mil. Nesse sentido, o Presidente Jair Bolsonaro mostra cada vez mais o papel do seu governo genocida. A prioridade é: abandonar boa parte da população que sofre com o vírus, enquanto arma a outra metade. Na última sexta-feira (22), foi divulgado o vídeo da Reunião Ministerial de 22 de Abril, após decisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello. O objetivo é verificar se houve interferência do Presidente Bolsonaro na Polícia Federal, diante das acusações feitas pelo ex Ministro Sérgio Moro. Além de afirmar interferência na Polícia Federal, Bolsonaro reitera o seu plano na presidência: “quem não aceitar as minhas bandeiras, Damares: família, Deus, Brasil, armamento, liberdade de expressão, livre mercado. Quem não aceitar isso, está no governo errado”.

Um dia depois, foi aprovado a portaria que eleva de 200 cartuchos por ano para 300 por mês que civis com porte ou posse de armas podem comprar. Na reunião Bolsonaro também marca seu discurso pró armamento em razão da liberdade individual. “Povo armado jamais será escravizado” afirma. Porém, contestamos: o povo armado é aquele que sempre escravizou?

O clipe de “Texas” reflete o impacto de ideologias como as defendidas pelo Presidente, em vidas como a de João Pedro e sua família. A questão levantada pelo clipe, não é sobre o porte ou posse de armas por civis ou militares, mas como a vida, principalmente, de periféricos e de negros, comumente é acertada pela bala perdida do Estado.






We Are One: iniciativa reúne filmes dos maiores festivais de cinema do mundo

Festivais renomados como Cannes, Berlim, Tóquio, Sundance, Veneza e Toronto disponibilizam filmes de edições anteriores


O ”We Are One: A Global Film Festival” realiza sua primeira edição, a fim de movimentar a cultura e o mercado audiovisual durante a pandemia. Foto: Reprodução/YouTube

Entre os dias 29 de maio à 7 de junho, serão disponibilizados filmes dos 20 maiores festivais de cinema do mundo. Organizado pela companhia de entretenimento de Nova York Tribeca Enterprises e pelo YouTube, a programação do Festival ”We are one” será transmitida gratuitamente pelo canal da plataforma. Serão disponibilizados longas e  curta-metragens, documentários, musicais, comédias e bate-papos sobre produção cinematográfica. A programação do festival ainda não foi divulgada.

Durante os 10 dias do evento, o público poderá fazer doações para o Fundo de Reação de Solidariedade da COVID-19, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além de contribuir com parceiros que prestam assistência as região dos festivais que vão ser exibidos.

Em razão do cancelamento de festivais em decorrência da pandemia da COVID-19, os  grandes eventos do cinema mundial se juntaram para divulgar obras lançadas em edições anteriores . Segundo o portal de notícias G1, os organizadores do Festival de Cannes, que  iria ocorrer entre os dias 12 e 23 de maio, falaram sobre a importância do Festival ”We Are One”, como um meio de ”destacar filmes e talentos verdadeiramente extraordinários, permitindo às plateias vivenciar tanto as nuances de como se contam histórias em todo o mundo quanto as personalidades artísticas de cada festival”.

Confira os festivais parceiros do evento:

– International Animation Film Festival
– Berlin International Film Festival
– BFI London Film FestivalCannes Film Festival
– Guadalajara International Film Festival
– International Film Festival & Awards Macao (IFFAM)
– Jerusalem Film Festival
– Mumbai Film Festival (MAMI)
– Karlovy Vary International Film Festival
– Locarno Film Festival
– Marrakech International Film Festival
– New York Film Festival
– San Sebastian International Film Festival
– Sarajevo Film Festival
– Sundance Film Festival
– Sydney Film Festival
– Tokyo International Film Festival
– Toronto International Film Festival
– Tribeca Film Festival
– Venice Film Festival

As artistas Pepita e Laerte Coutinho se apresentam no Festival Marsha! Entra na Sala, iniciado nesta segunda-feira

Serão 30 horas de conversas, performances e shows online


O nome do Festival é uma homenagem a mulher trans e ícone LGBT no mundo, Marsha P. Jhonson. Foto: Instagram/ Divulgação

O 1° Festival LGBT Online produzido por pessoas trans, “Marsha! Entra na sala”, realiza em cinco dias, 30 horas de atrações culturais online. Entre os dias 18 à 22 de maio, a programação inclui conversas com intelectuais, performances, shows de DJs e artistas brasileiros. Em parceria com o Centro Cultural de São Paulo (CCSP), as lives vão ser disponibilizadas no canal da Marsha! e no Instagram da CCSP.

Para fomentar a produção de artistas e intelectuais LGBTs no Brasil, a coletividade sociocultural ”Marsha!” fez sua primeira edição entre os dias 4 e 5 de abril deste ano. Nesta segunda edição, a line up possui quase 40 atrações. Entre elas, estāo as cantoras Pepita, Kaya Conky, Preta Gil, Djamila Ribeiro e a cartunista Laerte Coutinho. 

Confira a programação completa:

18/5 (Segunda-feira)

15h Abertura 
16h Conversa: LGBT & Alianças com Majur & Preta Gil 
17h Conversa: Moda e Mundo Sob uma Nova Perspectiva com Dudu Bertholini & Lea T 
18h Oficina: Linguagem Corporal com Casa de Candaces
19h Performer Set Julian 
19h30 DJ Set Kiara Felippe 
20h30 Show: Jup do Bairro  

19/5  (Terça-feira)

15h30 Abertura 
16h Conversa: Economia Afetiva com Vicenta Perrotta & Jackson Araújo
17h Oficina: Belezas Possíveis com Magô Tonhon
18h Performance Aun Helden 
18h30 Performance Aoruaura 
19h DJ Set Las Bibas From Vizcaya
20h Show NoPorn 

20/5 (Quarta-feira)

15h30 Abertura 
16h Conversa: Humor & Política com Marina Mathey & Laerte Coutinho
17h Conversa: Curadoria Não-Hegemônica com Diran Castro & Monique Dardenne 
18h Oficina: com Vicenta Perrotta
19h Performance Trinitas
19h30 Performance Duda Dello Russso 
20h DJ Set Geni & Cherolainne (PE) 
21h Show Kaya Conky 

21/5  (Quinta-feira)

15h30 Abertura
16h Conversa: Tecnologias de Vida com Manauara Clandestina & Léo Kret do Brasil
17h Conversa: Acesso para Quem? com Anita Silva & Dudu Bertholini
18h Oficina: Música Experimental com Novíssimo Edgar 
18h30 Performance Perlla Rannielly
19h Performance Márcia Pantera
19h30 DJ Set Badsita 
20h30 Show Danna Lisboa

22/5  (Sexta-feira)

15h30 Abertura
16h Conversa: Feminismo Interseccional & Negritude com Ana Flor Fernandes & Djamila Ribeiro 
17h Oficina: Afroempreendedorismo na Era Digital com Igi Lola Ayedun
18h Performer Set Sanni Est
18h30 Performer Set Löic
19h DJ Set Sasha Vilela 
21h Show Pepita

Dados retirados do site do Centro Cultural de São Paulo







Escritora Clarice Freire é a primeira convidada para edição virtual do Outras Palavras

Projeto realiza encontros online para incentivar a cultura em Pernambuco


Consolidada como poetisa contemporânea, Clarice Freire publica ilustrações desde 2013. Foto: Leo Aversa/ Divulgação 

A escritora pernambucana, ilustradora e idealizadora do “Pó de Lua”, Clarice Freire, participa do primeiro encontro do projeto Outras Palavras na segunda-feira (18), às 20h. Com lives quinzenais durante o mês de maio, as edições do projetos serão realizadas no Instagram da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE). Com o objetivo de promover o acesso à educação e cultura, a secretaria convida para as lives escritores, artistas e produtores culturais do Estado.

A autora dos livros “Pó de Lua” (2014) e “Pó de Lua Nas Noites em Claro” (2016), Clarice Freire, contará na conversa sobre o seu processo criativo e sua relação com a literatura. A live será mediada pelo jornalista da Secult-PE Marcus Iglesias.

O projeto Outras Palavras tem quatro anos e já beneficiou 25 mil jovens de 658 escolas de Pernambuco, com cerca de 7.100 livros. Diante do cenário de pandemia do novo coronavírus, a Secretaria de Cultura contribuirá na educação dos jovens do ensino público do Estado a partir das lives, que também vão servir como material didático para os estudantes. O projeto é promovido pelo Governo de Pernambuco, em parceria com a Secretaria Executiva de Educação Integral e Profissional (SEIP) e apoio da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).



Auto da Compadecida em Tempos de Pandemia: humor e crítica em nova edição da Radionovela

Por Dayane Jeniffer e Thamara Amorim

Adaptação da obra ‘’O Auto da Compadecida’’ do paraibano Ariano Suassuna, leva a pandemia do COVID-19 para o universo de João Grilo e Chicó, de forma reflexiva e bem humorada


As ilustrações das capas dos episódios da Radionovela são produzidas pela estudante de Design Emilly Monteiro e pela aluna de Comunicação Social Cecília Tavora. Foto: Divulgação/Instagram da Radionovela

Um anúncio de rádio avisa que, em 72 horas, o Capitão Covid chega à cidadezinha de Taperoá, deixando o município inteiro em polvorosa: o Capitão já aterroriza as redondezas e alveja especialmente os idosos. A única forma de proteção contra suas malfeitorias é lavar bem as mãos com sabão e não sair de casa. Mas será que os tapeiroenses respeitarão as regras de higiene e isolamento social, decorrentes da chegada do Capitão? A cidadezinha de João Grilo e Chicó está para enfrentar a pandemia do coronavírus na radionovela produzida pelos alunos da Universidade Federal de Pernambuco do Centro do Agreste e, nossos conhecidos personagens das telas e dos livros, terão que lidar com um problema sanitário que tem muito de humano e, aparentemente, de cangaceiro.

O projeto de extensão ”Radionovela: literatura nas ondas do rádio”, visa adaptar obras literárias exigidas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e por Vestibulares, além de ajudar a ampliar o consumo de obras literárias para o público cego. Inspirada na pandemia do novo coronavírus, a Radionovela lança uma nova edição: ”Auto da Compadecida em Tempos de Pandemia”, adicionando ao popular cenário de Suassuna, questões bastante atuais, tais como, fake news e os dilemas da economia diante do isolamento social e do desemprego. O programa conta com oito episódios disponíveis no Spotify.

Na entrevista, a professora e coordenadora do projeto Giovana Mesquita e o aluno, roteirista e idealizador Gabriel Pedroza, nos contam sobre os desafios, características e inspirações da adaptação.


Como surgiu o projeto da Radionovela?

Gabriel: A Radionovela surgiu na disciplina Oficina de Texto, no primeiro período do  curso de Comunicação Social. A ideia nasceu da minha paixão por telenovela. Eu resolvi adaptar o primeiro capítulo do livro “Senhora”, de José de Alencar, com mais três estudantes, e apresentamos o projeto. A professora e orientadora Giovana Mesquita propôs que ele se transformasse em um projeto de extensão. Nosso objetivo é adaptar livros de autores nordestinos da literatura brasileira em formato de radionovela. E levar de maneira didática esse material para aos estudantes que vão prestar Enem e Vestibular.

Qual a importância desse projeto feito por estudantes da universidade pública?

Gabriel: Isso mostra que a universidade pública não para, mesmo em uma pandemia. O projeto ganha mais força e gás por ser  formado por alunos e pelas professoras Giovana Mesquita e Sheila Borges. Enquanto estudantes de graduação, mostramos para os jovens que a universidade pública nos dá a possibilidade de produzir bons conteúdos.

Enquanto estudantes de graduação, mostramos para os jovens que a universidade pública nos dá a possibilidade de produzir bons conteúdos.

Como surgiu a adaptação da obra de Ariano Suassuna? Por que não outra?

Giovana: Escolhemos Ariano por conta da atualidade de sua obra. Nessa adaptação “Auto da Compadecida em Tempos de Pandemia”, nós trouxemos a crítica de Ariano, presente na obra original, para incluir questões que precisamos lidar nesse momento de pandemia. Como desinformação, fake news e interesses econômicos, por exemplo.

Por que a escolha de adaptar o livro, ao invés de usar a obra original de maneira integral?

Gabriel: Nós quisemos fazer uma história ficcional, com personagens característicos de Ariano, porém com o pé na realidade. A gente trouxe o contexto do autoritarismo do Major Antônio Moraes, por exemplo, inspirado em alguns governantes que estão à  frente do combate da pandemia no mundo.

Professora Giovanna Mesquita e o aluno de Comunicação Social Gabriel Pedroza. Foto: Acervo pessoal

Como está sendo produzir a Radionovela com as limitações em decorrência do isolamento social?

Giovana: É um desafio que tem sido resolvido brilhantemente pelos estudantes de Comunicação Social e Design. Eles estão produzindo o programa em casa. Os alunos gravam no celular e mandam. Tem sido um trabalho muito colaborativo.  É um processo de esforço técnico redobrado, mas que tem sido muito interessante. 

A Radionovela foi um produto muito consumido durante a Era do Ouro do rádio, entre as décadas de 1920 e 1930. Como fazer esse projeto ainda ser algo interessante em ser ouvido?

Giovana: O segredo para a radionovela ainda ser um programa ouvido é tentar trazer para a realidade dos jovens. Então, a gente aposta na interatividade pelas redes sociais, para receber o retorno e chamar atenção do público. 














Festival Curta Taquary disponibiliza filmes de edições anteriores

O festival surgiu em 2005, com treze edições e mais de 1.600 filmes exibidos


Entremarés (2018) de Anna Andrade, está disponível no site. Foto: Reprodução/Entremarés

O Festival Curta Taquary disponibilizou filmes premiados em edições passadas para ajudar no entretenimento nos dias de isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus. Durante todo o mês de maio, curta-metragens de vários locais do país poderão ser acessados pelo site do festival de forma online e gratuita. 

A 13° edição do Festival também foi realizada online, aberta à votação popular, entre os dias 22 a 25 de abril. Nesta edição, foram selecionados 82 curtas para as mostras Brasil, Universitária, da Diversidade, Criancine, Primeiros Passos, Curtas Fantásticos e Dália da Serra. As obras premiadas no Curta Taquary 2020 ainda não estão disponíveis. Para saber quais foram os ganhadores, acesse o site do festival.

Alguns dos filmes oferecidos:

Entremarés (Anna Andrade, 2018)

“Conta a história de mulheres que dividem suas vivências sobre a pesca, na Ilha de Deus”.

A parteira (Catarina Doolan, 2019)

“A produção narra a história de Donana, parteira com mais de meio século de ofício que representa a resistência da tradição e humanização ao parto na Região de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte”.

Enquanto o sol de põe (Márcia Lohss, 2017)

“O filme traz o drama de Guilhermina, uma mulher que percebe ter sido esquecida, dentro de uma longa relação. Sua história começa a ser repensada ao chegar em uma benzedeira na busca de sanar seu problema com o marido, Arnaldo. Nessas idas e vindas, ela encontra outro caminho”.

Geisiely com Y (Mery Lemos, 2017)

“Baseado no conto homônimo da escritora Ezter Liu, o filme ‘Geisiely com Y’ conta a trajetória de uma mulher agredida física e psicologicamente através da ótica da policial que faz seu atendimento”.

Marina não vai à praia (Cássio Pereira dos Santos, 2014)

”Um grupo de adolescentes do interior de Minas Gerais prepara uma excursão para o litoral. Marina, uma garota com Síndrome de Down, deseja conhecer o mar. Impedida de viajar com sua irmã, ela busca outros caminhos para realizar seu sonho”.

O vestido de Myriam (Lucas H. Rossi, 2017)

”Casal de idosos segue a vida simples em sua casa pacata, em silêncio”.

Uma família ilustre (Beth Formaggini, 2015)

”Conversa entre Cláudio Guerra, ex-delegado da Polícia Civil que assassinou e incinerou militantes contrários à ditadura e o professor Eduardo Passos psicólogo que trabalha com direitos humanos”.






Secretária Especial da Cultura, Regina Duarte, ignora classe artística em meio à pandemia

Além de não propor medidas para solucionar os problemas envolvendo o setor cultural, Regina minimizou a tortura e as mortes que ocorreram durante a Ditadura Militar no país


Regina Duarte em reunião com o Presidente Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/Folhapress.

Na entrevista concedida ao canal CNN Brasil na última quinta-feira (7), um dia após completar dois meses no cargo, a Secretaria Especial de Cultura, Regina Duarte, se tornou um dos assuntos mais comentados do Brasil no Twitter. O motivo foi o uso de afirmações polêmicas sobre a Ditadura Militar, e a banalização das mortes no setor cultural devido a pandemia do novo coronavírus e dos pedidos da classe artística para medidas que auxiliem neste período de isolamento social.

A entrevista realizada pelo jornalista Daniel Adjunto trouxe indagações para Regina sobre a falta de manifestação dela em relação às mortes de grandes nomes da cultura brasileira, como os escritores Rubem Fonseca e Garcia-Roza, os músicos Moraes Moreira e Aldir Blanc e o ator Flávio Migliaccio. Em resposta, Regina indaga “será que vou ter que virar um obituário?”

Ao ser questionada sobre as mortes durante o período da Ditadura Militar, a secretária afirma que “a humanidade não para de morrer” e que “se você fala em vida, tem morte”. Na fala, Regina também compara a outros governos autoritários: “Stalin, quantas mortes? Hitler, quantas mortes? Não quero arrastar um cemitério de mortos nas minhas costas. Não desejo isso para ninguém. Sou leve, viva, estamos vivos, vamos ficar vivos”, afirmou.

No término da entrevista, os apresentadores Reinaldo Gottino e Daniela Lima colocaram o vídeo da atriz Maitê Proença (que apoiou inicialmente o ingresso de Regina ao cargo), para a secretária assistir. No vídeo, Maitê cobra soluções à Regina para auxiliar a classe artística que sofre com a pandemia da Covid-19 e não consegue se sustentar. A ex-atriz Regina Duarte retirou os fones para não receber as críticas e ressaltou que o auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo Federal, também vale para a classe artística. Na entrevista, ela não propôs nenhuma outra forma de lidar com a crise e movimentar o setor cultural.

Após a entrevista da CNN Brasil, artistas de vários setores culturais do Brasil se pronunciaram sobre as falas de Regina Duarte. O autor Walcyr Carrasco, amigo que teve ajuda da secretária no início de sua carreira, diz que dói ver as declarações.

A cantora Anitta relata o medo depois de assistir a entrevista no qual Regina minimiza os perigos da Ditadura e diz que “[…] eu e muitos dos meus amigos seríamos os primeiros censurados caso esse regime voltasse ao Brasil e nós continuássemos no exercício do nosso trabalho”.

Um dos pronunciamentos publicados foi da atriz Débora Bloch, no qual questiona a humanidade de Regina. Outros artistas também comentaram seu pensamento a respeito da fala da secretária Regina Duarte.”A Regina enlouqueceu. O que se pode fazer?”, questiona a atriz Vera Fischer. “Que horror”, acrescenta o ator e diretor Miguel Falabella. Atualmente, como bem ressaltou o apresentador Reinaldo Gottino, a classe artística se sente órfã.




Festival Varilux disponibiliza filmes franceses gratuitos

Filmes históricos, comédias, dramas, fantásticos e infantis estão sendo oferecidos pelo festival


A comédia O poder de Diane (2017)  é um dos 50 filmes disponíveis pelo festival. Foto: Reprodução/ Varilux

O Festival Valirux Em Casa conta com 50 filmes franceses gratuitos e online, que foram disponibilizados pelo site do festival por meio da plataforma Looke. Algumas das películas estiveram nas edições anteriores da mostra e ficarāo disponíveis até o dia 25 de agosto. O festival trouxe diversos gêneros no seu catálogo, entre eles, comédias e filmes históricos. A iniciativa é patrocinada pela multinacional Essilor/Varilux e pela Embaixada da França no Brasil, realizada pela produtora Bonfilm.

O propósito da edição online do festival é levar cinema para público a fim de preencher os dias da quarentena. O filme O poder de Diane (2017), do diretor Fabien Gorgeart, também está disponível. A comédia relata o momento em que Diane serve de barriga de aluguel para um casal de amigos, enquanto se apaixona pelo eletricista Fabrice.

A mostra também oferece em seu catálogo o drama com direção de Andréa Bescond e Eric Metayer, Inocência Roubada (2019). A história narra a vida da dançarina Odette que conta a sua terapeuta sobre o abuso que sofreu quando criança e começa a encarar o trauma pela primeira vez. Além das comédias e dramas, foram disponibilizados filmes infantis. Um deles é Abril e O Mundo Extraordinário (2015), de Cristian Desmares. No longa-metragem, os pais cientistas de Abril desaparecem em Paris, na França da Era do Vapor, e ela vai à procura deles na cidade.


Em formato virtual, Wehoo Festival recebe Francisco El Hombre e Marcelo Falcão nesta sexta

O Wehoo participa do circuito de festivais realizado pelo projeto Devassa Tropical Ao Vivo

O quinteto Francisco El Hombre lançou em 2019 seu novo álbum Rasgacabeza. Foto: Jeff/Divulgação

Hoje, às 17h, o Wehoo Festival inicia a programação no canal do YouTube da Devassa. O festival realiza sua primeira edição online com os shows dos artistas Flaira Ferro e Biarritz, da banda Francisco El Hombre e a artista Luê, dos cantores Cynthia Luz e Froid e do cantor e compositor Marcelo Falcão. O público também pode fazer doações durante a live. A iniciativa é voltada para ajudar os profissionais da cena musical, que formam o circuito dos oito eventos do Devassa Tropical Ao Vivo – O Festival dos Festivais, atingidos pela pandemia da COVID-19. 

Também está disponível no site, pelo WeHelp, a possibilidade de fazer doações destinadas ao projeto Porto Social que vai reverter as ações em cestas básicas para os moradores de Olinda. Ao fazer sua doação o público participa de um clube de vantagens com descontos em ingressos,  produtos do festival ou créditos para consumir no bar no dia em que o evento for realizado presencialmente. 

O Festival Pernambucano teve sua primeira edição no ano passado em Recife. Contou com três grandes palcos e uma line up que envolvia do Pop ao MPB. Os festivais brasileiros Radioca, Guaiamum Treloso Rural, DoSol, Festival Carambola, Se Rasgum Produções, Sarará e Bananada também participam do projeto Devassa Tropical Ao Vivo. Liniker e Os Caramelows, Pontyguara Bardo, Heavy Baile e Zeca Baleiro participam das apresentações de alguns desses festivais. Para mais informações acesse o Instagram da Devassa.

Horários das apresentações:

17h05 – Flaira Ferro + Biarriz

17h50 – Francisco El Hombre + Luê

18h35 – Cynthia Luz e Froid

19h20 – Marcelo Falcão





Cerimônia de premiação do Festival Internacional de Cinema de Brasília (BIFF) será neste domingo

Entre os dias 21 e 26, o BIFF exibiu filmes, promoveu curso e debate  


O filme “Corpus Cristi”, um dos indicados do festival, conta a história de Daniel, um ex prisioneiro que é confundido com o novo padre em uma igreja polonesa. Foto: Reprodução

A cerimônia de premiação será realizada neste domingo (26) às 20h30. No mesmo dia também serão exibidos os filmes “Ana”, de Charles McDouglas na categoria “BIFF Junior” e “Até que você me ame”, de Edward Palmer, um dos filmes disponíveis na mostra de  “Grandes Pré-Estreias”. O homenageado da sétima edição do festival é o ator Kirk Douglas, que faleceu no dia 5 de fevereiro deste ano. A direção geral do evento é da jornalista, produtora e cineasta Anna Karina de Carvalho.

O Festival de Cinema de Brasília (BIFF), ocorre  presencialmente em Brasília. Porém, devido a COVID-19,  toda a sua programação foi realizada online e gratuitamente pelo site da BIFF. A mostra competitiva conta com oito títulos de ficções a documentários, de países como  Polônia, Portugal e Bósnia. Os filmes estão disponibilizados no site para os interessados. A obra cinematográfica “Corpus Cristi”, de Jan Komas, indicada ao Oscar 2020 na categoria de Melhor Filme Internacional, também está entre os filmes exibidos pela mostra.

Os filmes indicados para a mostra competitiva: 

  • ”Blue Girl”, de Keivan Majudi
  • ”Hálito azul”, de Rodrigo Areis; 
  • ”Mapa de sonhos latino-americanos”, de Martin Weber
  • ”The French Teatcher-um amor a três”, de  Stefania Vasconcellos; 
  • ”Corpus Cristi”, de Jan Komasa; 
  • ”Me leve para um lugar legal”, de Ena Sendijarev; 
  • ”Fendas”, de Carlos Segundo;
  • “Encantado, o Brasil em desencanto”, de Felipe Galvon.

A película “Hálito azul” conta a história da vila Ribeirão Quente localizada na Ilha de São Miguel, que enfrenta os últimos dias de pesca em razão de um vulcão que chegou ao oceano. Foto: Reprodução

Na categoria de Grandes Pré-Estreias, películas nunca antes exibidas no Brasil e na América do Sul, estão disponíveis ao público. “Até que você me ame”, de Edward Palmer; Liberté”, de Albert Serra; “O sonho de uma família”, de Ginevra Elkann e “Uma lição de amor”, de Amélie Van Elmbt foram selecionados para compor a grade. 

Os filmes disponíveis na mostra do BIFF Junior são de diversas nacionalidades, entre elas brasileira, colombiana e espanhola. Direcionada ao público infanto juvenil, “Peixonauta” de Célia Catunda, Kiko Mistrorigo e Rodrigo Eba;”O livro de Lila”, de Marcela Rincón, e ”Mortadelo & Salaminho em Missão Inacreditável”, do diretor Javier Fesser foram disponibilizados na categoria. 

Além de contar com as mostras audiovisuais, o BIFF também ofereceu o curso sobre ”Documentário – da origem a produção contemporânea”, ministrado pela documentarista e jornalista Flávia Guerra. Como também proporcionou o debate com a cineasta e psicóloga Cibele Amaral, a repórter Krishna Mahon, a advogada e produtora audiovisual Debora Ivanov e Flávia Guerra sobre a temática “Mulheres em protagonismo – a batalha femininapor espaço no mercado audiovisual”. 

Para homenagear o ator Kirk Douglas, está sendo disponibilizado um tributo com 5 aulas para os 5 filmes oferecidos na categoria ”Tributo a Kirk Douglas”. Os filmes oferecidos são: ”Spartacus” de 1960, ”Sua última façanha” de 1962, ”A montanha dos sete abutres” de 1951, ”Assim estava escrito” de 1952 e ”Sede de viver” de 1956.