Dayane Jeniffer

Estudante de Comunicação Social, pseudo-fotógrafa, amante da cultura pop e da filosofia

Ricardo Brennand morre aos 92 anos, vítima da COVID-19

Brennand faleceu no sábado (25), depois de passar uma semana internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)


Ricardo Brennand preservou e valorizou a memória cultural com as suas grandes coleções presentes no Instituto homônimo. Foto: Instituto Ricardo Brennand/Divulgação

O empresário, engenheiro, colecionador e amante da arte Ricardo Coimbra de Almeida Brennand faleceu na madrugada do sábado (25) no Real Hospital Português. Internado, desde domingo, após sentir alguns desconfortos pulmonares, o empresário testou positivo para a COVID-19. Ricardo, que faleceu aos 92 anos, deixa esposa, oito filhos, 23 netos, 48 bisnetos, uma tataraneta e um enorme legado ao patrimônio cultural, com seus acervos de arte e objetos resguardados no Instituto Ricardo Brennand.

O colecionador nasceu no município do Cabo de Santo Agostinho, na região do Grande Recife, em 1927. Formado em Engenharia pela Universidade Federal de Pernambuco, Ricardo criou sua marca Cimento Nacional, e investiu na área da energia eólica e hidráulica. 

Em 2002, Ricardo Brennand adquiriu uma área de 77 mil metros quadrados no bairro da Várzea, onde funcionava o engenho São João, para criar seu grande observatório de arte particular, titulado Instituto Ricardo Brennand. O instituto leva em seu nome uma homenagem ao seu tio homônimo, pai do artista plástico e ceramista Franscisco Brennand. Franscisco, primo de Ricardo, morreu no dia 19 de dezembro de 2019, devido a uma infecção respiratória.

No espaço do Instituto Ricardo Brennand, funciona o Museu Castelo São João (que segue o modelo da arquitetura medieval européia), a Pinacoteca, a Galeria de Exposições Temporárias e a Capela Nossa Senhora das Graças (feita em estilo gótico para a sua esposa). Dentro de alguns desses ambientes, existem algumas das maiores coleções do mundo. Entre elas, estão mais de 5 mil armas brancas, como facas e canivetes, além de tapeçarias, mobiliários e artes decorativas de países da Ásia e do Oriente Médio.

Espaço ao lado de fora da Galeria de Exposições Temporárias, onde são apresentadas diversas estátuas do acervo de Ricardo Brennand. Foto: Paloma Amorim/ Divulgação

Algumas das mais de 5 mil armas brancas da coleção. Foto: Divulgação

Uma de suas maiores coleções está voltada ao período de ocupação holandesa no estado de Pernambuco, que ocorreu entre os anos de 1630 e 1654. Nela, estão presentes cartas de Maurício de Nassau e do rei Dom João IV, moedas da época e a maior coleção privada do pintor Franz Post, que fez as primeiras paisagens do Brasil.

A paixão para criar coleções começou na infância, quando ganhou um canivete do seu pai, na década de 1940. A partir disso, Ricardo reúne e salvaguarda um grande legado cultural, que contribui também para um complemento educacional de crianças, jovens e adultos que visitam diariamente o museu.

O Instituto também foi classificado como um dos melhores do mundo, pelo site TripAdvisor, em 2014. O museu ficou duas posições à frente do museu do Louvre, em Paris, França, alcançando a 17° posição no ranking. Ricardo Brennand também ganhou a Medalha de Mérito Capibaribe em 2017, a maior honraria recifense.





Ícaro and Black Stars é uma das peças disponíveis no site Espetáculo Online

Site colaborativo disponibiliza gratuitamente espetáculos brasileiros

A dramaturgia e direção do musical Ícaro and Black Stars é coordenada por Pedro Brício. Foto: André Hawk/Divulgação

Espetáculos de artes cênicas, música, dança e outras performances teatrais estão sendo oferecidas gratuitamente pelo site Espetáculo Online. O acervo é fruto da organização do produtor audiovisual e cineasta carioca Eduardo Chamon, que registra peças teatrais para a sua produtora Chamon Audiovisual. A partir de uma videoteca colaborativa, são adicionados materiais toda quinta-feira do acervo pessoal do cineasta e de outras produtoras como a Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo e Target Filmes. 

O projeto surge com o objetivo de levar a produção audiovisual e teatral para os dias de quarentenas do público e foi iniciado no dia 9 de abril,. Em entrevista ao jornal Diário de Pernambuco, Chamon ressalta a importância do sitem “nesse momento de tão pouco recurso, o mais importante é que ele exista gratuito. O primeiro passo agora é formar uma plateia”, afirma. 

A peça Os vilões de Shakespeare tem texto de Steven Berkoff e adaptação de Geraldo Carneiro. Foto: Divulgação

Ícaro and Black Stars, com atuação de Ícaro Silva e as stars, Cássia Raquel e Hananza, é uma das peças disponíveis no site. No show, é contado e cantado histórias e músicas de alguns artistas que compuseram a cena do Black Music desde 1940 até os dias atuais. Tim Maia, Michael Jackson, Bob Marley e Beyoncé são alguns dos cantores referenciados em paralelo às histórias pessoais vividas por Ícaro. Outras peças como “Os vilões de Shakespeare” interpretado por Marcelo Serrado e “Incêndios” que possui no elenco a atriz Marieta Severo, também estão na listas dos filmes ofertados pelo site.

A direção da peça infantil “A bruxinha que era boa” é de Cacá Mourthé. Foto: Divulgação

O site também conta com uma sessão de Teatro infantil. “A bruxinha que era boa” com texto de Maria Clara Machado e o musical “Makuru, um musical de ninar” com texto de José Mauro Brant, são algumas das peças disponibilizadas.

Além disso, Chamon destaca a importância da videoteca para o registro das peças teatrais. E menciona que elas não vêm com o intuito de substituir os espetáculos que ocorrem presencialmente. “Eu entendo o espaço do teatro como um lugar sagrado, um templo. Então envolve muito respeito, eu participo do processo, penso em como contar aquela história também através das câmeras. E criamos uma regra de tentar ser invisível para o público. Filmar o teatro é uma das coisas mais contraditórias que se possa fazer, então tudo que a gente faz é ir na contramão e encontrar meios para que seja parecida, porque nunca vai se comparar, é mais como uma abordagem em vídeo sobre uma outra obra”, admite.


Unesco propõe medidas de incentivo à cultura em tempos de pandemia

O objetivo é apoiar a arte e o patrimônio cultural dos países 

Com sede fundada em 1945, a UNESCO desenvolve ações de incentivo e estímulo à cultura. Foto: Cristophe Petit Tesson/EPA 

No dia 22 de abril será realizada uma reunião online com os Ministros da Cultura de todos os países com o propósito de trocar informações, pontos de vistas e identificar medidas que ajudem a resguardar suas culturas. Campanhas globais realizadas nas redes sociais a partir de hashtags, exposição online de propriedades patrimoniais ao redor do mundo e compartilhamento de relatos dos coordenadores que administram os patrimônios, referentes aos impactos da COVID-19 na cultura, também são estratégias utilizadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).   

De acordo com o diretor geral adjunto de Cultura da UNESCO, Ernesto Ottone, no site da Organização, “a cultura nos torna resilientes. Isso nos dá esperança. Ela nos lembra que não estamos sozinhos. É por isso que a UNESCO está fazendo todo o possível para apoiar a cultura, salvaguardar nossa herança e capacitar artistas e criadores, agora e depois que a crise passar”. Com isso, foi lançada a campanha #CompartilheNossoPatrimônio e #CompartilheCultura para promover o acesso à cultura durante os dias de quarentena e após ela. 

Crianças também serão convidadas para  compartilhar desenhos dos Patrimônios Mundiais. A Organização almeja com as ilustrações, dar a chance a elas de se expressarem e se conectarem com os patrimônios. 



Imago: um projeto fotográfico que retrata as perspectivas do isolamento social vivido por estudantes

As fotos são produzidas pelos alunos do Centro Acadêmico do Agreste, da Universidade Federal de Pernambuco


Fotografia da estudante de Design (UFPE/CAA) Ythalla Maraysa, no qual utiliza técnica de luz e sombra para passar a perspectiva intimista nos dias em quarentena. Foto: Ythalla Maraysa

Com o objetivo de fotografar o isolamento, os objetos, as sombras e a rotina, o projeto coordenado pela professora da Universidade Federal de Pernambuco do Núcleo de Design e Comunicação Juliana Leitão, iniciou as divulgações das fotos produzidas pelos alunos no Instagram do Imago. As produções são feitas em casa com celulares ou câmeras fotográficas, e postadas na plataforma. As fotografias documentadas vão ser lançadas até o dia 28 de junho.

Fotografia do estudante de Comunicação Social (UFPE/CAA) Sérgio Lucas. As imagens documentam a rotina dos estudantes. Foto: Sérgio Lucas

O projeto de extensão iniciou com a intenção de praticar o exercício da fotografia em decorrência das limitações do isolamento social, causada pela pandemia do COVID-19. Juliana ressalta que o projeto tem a intenção de proporcionar aos alunos reflexões e novas possibilidades de fotografar. ”Estamos precisando produzir criativamente, exercitar o lado lúdico, pensar sobre o momento que estamos vivendo. Esse projeto é sobre o impulso de fotografar e acredito que quando terminar teremos um lindo projeto”, afirma.


Café Colombo indica: 7 artistas para conhecer durante a quarentena

De performers à ilustradores, conheça os artistas selecionados para a indicação dessa semana

Nessa semana, separamos para você alguns trabalhos ligado às artes visuais brasileira. Além de conhecer as obras de grandes artistas das áreas do cinema, literatura e da música, que foram destacados nas listas anteriores do Café Colombo, também é importante observar e se aprofundar no trabalho de outros artistas de diferentes áreas. Confira as nossas indicações:


Humberto Botão (Artista Visual)

Humberto Botão realizou a exposição ”Caminhos de amor e fé” que ocorreu durante a Semana Santa de Caruaru em 2019.
Foto: Divulgação

Humberto é artista visual que se dedica profissionalmente à arte há 20 anos. É no barro e na cerâmica, seus principais suportes de criação, que ele produz obras contemporâneas. Além disso, é diretor artístico do Núcleo de Incentivo e Produção Cultural de Artes Visuais de Pernambuco, denominado Circullus de Ideias. A indicação é do colunista Gabriel Vila Nova, que para ele “Humberto é um exemplo de que se pode ser um artista contemporâneo, mesmo ao trabalhar com uma matéria prima tida como tradicional. Além disso, também o tomo como exemplo – inclusive, está na minha primeira coluna para o Café Colombo –, de que o Alto do Moura não se restringe ao artesanato tradicional, mas também há uma produção de arte contemporânea” afirma.

Flávia Pinheiro (Performer)

Ensaio fotográfico da performance ”Ruínas de um Futuro em Desaparecimento”, que reflete sobre a violência no cenário atual.
Foto: Instagram

Flávia Pinheiro é performer, atriz e dançarina Pernambucana. Suas intervenções contemplam a exploração do corpo como fonte do instinto e da libertação. Para o editor e colunista Luiz Ribeiro, a performer provoca alguns questionamentos nas suas expressões artísticas: “Quais são os nossos limites? O que nos faz criar uma realidade paralela à natureza crua?”. Além disso, Luiz enxerga “uma forte influência de Pina Bausch e Marina Abramović, no que concerne a uma exploração das possibilidades da dança contemporânea que seria impossível sem as escolas e correntes anteriores”. Ele destaca as produções “Enchente” e “Abismos de um corpo que falha” da performer.

Willian Santiago (Ilustrador)

Em entrevista ao WePresent, Willian Santiago fala que suas inspirações são as mulheres fortes que ele conviveu durante sua vida.
Foto: Instagram

Natural do Paraná, Willian Santiago é ilustrador e suas marcas registradas são as cores fortes e as linhas curvas que estampam a fauna, a flora e as cenas brasileiras de forma original e criativa. Para a repórter Laís Guedes “as figuras femininas de Willian expressam delicadeza e ao mesmo tempo força”.

Mari Souza (Ilustradora)

Com publicações semanais no Instagram, Mari Silva é a protagonista das suas ilustrações.
Foto: Mari Souza/Instagram

A ilustradora recifense Mari Souza é a indicação da nossa editora e repórter Sarah Coutinho. “É uma quadrinista que admiro bastante. Já a acompanho há alguns anos, e vale a pena conferir, dar uma olhada nas discussões que vão de política a situações rotineiras em suas ilustrações. Além de ser daqui, de pertinho, os questionamentos que ela traz à tona são pertinentes e sempre recentes. Suas convicções e posicionamentos também são muito claros e incisivos. É dona de um talento incrível e de um humor inconfundível”, menciona.

Renna Costa (Performer)

Renna é graduada no curso de Licenciatura e Bacharel em Teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina, desde 2017.
Foto: Instagram

Ativista e performer, a pernambucana Renna Costa usa da poesia, da arte plástica e do audiovisual para criar suas expressões artísticas. Mistura a temática nordestina ao corpo trans, ao desbravar um e outro. A indicação é da repórter Dayane Jeniffer, que nota a mais significativa representação do moderno e popular, dado que contraria e questiona as identidades já estabelecidas sobre o nordeste e a transexualidade. Para a repórter “a dor, a liberdade e os sentidos são indagados em suas performances. Ao ver seus vídeos e escutar seus poemas, a artista coloca em uma perfeita mistura psicodélica as questões de corpo, alma e região, observando os nossos limites e sentimentos humanos”. A série ExPele possui oito vídeos e sintetiza várias das questões tratadas pela performer.

Gilvan Barreto (Fotógrafo)

Além do ”O Livro do Sol”, Gilvan Barreto publicou o fotolivro ”Sobremarinhos-Capitanias e tiranias”.
Foto: Divulgação

O fotógrafo e artista plástico pernambucano Gilvan Barreto, é fortemente influenciado pela literatura e costuma tratar de questões sociais e políticas em suas fotografias. A indicação partiu do nosso editor e colunista Dyego Mendes, que destaca “O Livro do Sol” como uma importante obra do fotógrafo. O fotolivro é ”resultado de uma empreitada bem sucedida do artista. Em 2013, Barreto empreendeu em uma viagem para o semiárido pernambucano, que padecia de uma das maiores estiagens sofridas nos últimos 60 anos”. Para o editor, “as imagens percorrem entre símbolos que representam metaforicamente a falta d’água e as cores aludem ao céu azul e o vermelho da terra sertaneja. O livro diz muito sobre o rastro deixado pelo sol e pela água, as sobras e as faltas, mas com um caráter que caminha menos para lamentação e segue numa poesia que o artista diz ser ancorada na obra do grande João Cabral de Melo Neto”, menciona.

Plínio Moura (Ilustrador)

Plínio utiliza em seus desenhos crossover entre o Pequeno Príncipe e outros diversos personagens como a Anne da série ”Anne with E” e o Pinóquio.
Foto: Acervo pessoal

A indicação da nossa social media Hellen Gouveia é o ilustrador Plínio Moura. “Minha indicação é o artista “Plínio Moura” que talvez você conheça pelas ilustrações de “O grande rei” no Instagram. Plínio é de Salvador, tem 30 anos e trabalha como arquiteto. Há 5 anos, o artista dá vida ao projeto – que é uma versão crescida do Pequeno Príncipe – através de aquarelas e escritos. O que mais me encanta em seu trabalho, é a delicadeza e inteligência das reflexões no qual trazem questões do nosso dia a dia, do convívio coletivo e consigo mesmo, em mente e coração. São ilustrações transmitem o melhor da arte, a arte de ajudar o outro a conhecer si mesmo”, afirma.













Tatuagem, de Hilton Lacerda, é uma das produções disponibilizadas pelo Canal Brasil durante a quarentena

Minisséries, filmes e curtas-metragem são liberados pela plataforma nesses dias de quarentena

Trecho do filme pernambucano Tatuagem, que narra as dificuldades do relacionamento entre a estrela do grupo de teatro Paulete e o soldado Fininha, durante a Ditadura Militar. Foto: Divulgação

A fim de entreter os nossos dias de isolamento social, a plataforma Canal Brasil libera obras do audiovisual brasileiro de forma gratuita, até o dia 7 de maio, para assinantes e não assinantes do serviço. No canal, é possível assistir minisséries, filmes e curta-metragem.

Fazem parte do acervo produções contemporâneas como o filme Que horas ela volta? dirigido por Anna Muylaert, a filmes descendentes do movimento do Cinema Novo que marcaram o início da produção brasileira nos anos 60. Como o longa Deus e o Diabo na Terra do Sol do diretor Glauber Rocha, correspondente a essa época.

O canal oferece também a minissérie Toda forma de amor, que possui 4 episódios e é dirigida por Bruno Barreto. A narrativa é voltada a um grupo de terapia que explora as relações amorosas dos personagens, fugindo da heteronormatividade. Também está disponível o curta-metragem Negrum3 dirigido por Diego Paulino, mostra de forma ensaística o dia a dia de jovens negros em São Paulo. 

Projeto “Pandemia Crítica” lança mais dois textos

A série de textos reúne análises voltadas a pandemia e os seus impactos nos indivíduos


Dois textos da série ‘’Pandemia Crítica’’ foram adicionados neste sábado (4) no site da editora N-1. ‘’Um tiro em mim: quando ficar em casa é também estar em perigo’’ pelo pseudônimo I e a continuação da ‘’Crônica da psicodeflação’’ escrito pelo teórico de mídia e ativista social italiano Franco Bifo Bernard entraram no conjunto. O projeto conta atualmente com 13 textos de autores brasileiros e estrangeiros, como italianos e estadunidenses, que mostram a partir de diversas óticas como o tema da COVID-19 pode ser interpretado.

Política global atual, isolamento social e questionamentos acerca das transformações causadas pelo coronavírus, são os temas destacados nos textos do projeto lançados pela editora. As obras começaram a ser disponibilizadas em março e continuam a ser lançadas. Os autores dos textos são filósofos, ativistas, professores e pesquisadores, que refletiram e estudam as mudanças sociais causadas pelo vírus.  

“O medo” do filósofo português José Gil, primeiro texto do projeto, traz a indagação sobre a intensidade do medo existente na crise da saúde mundial causado pela pandemia, que nos afasta em consequência do isolamento social e ao mesmo tempo nos une como coletividade por estarmos igualmente vulneráveis ao vírus. Em outras análises, como a “Crônica da psicodeflação” do italiano Franco Bifo Bernardi, é observado de maneira contínua os devaneios da saúde na Itália e como o temor se aproxima cada vez mais do autor no decorrer de suas crônicas.

Um outro texto lançado leva em consideração a necessidade dos norte-americanos colocarem um culpado pela pandemia. O texto “O vírus americano” do filósofo Brian Massumi, nota o carácter eugênio da crise sanitária global que adota uma narrativa cada vez mais nacionalista e neoliberal nos Estados Unidos.

Núcleo Circullus de Ideias realiza quatro encontros virtuais em abril sobre arte

Grupo de estudos online será voltado ao entendimento das transformações artísticas da contemporaneidade

Post com informações sobre o grupo de estudos. Foto: Divulgação.

Para compreender a dinâmica entre arte contemporânea e sociedade, será realizado virtualmente o grupo de estudos ‘’Arte e sociedade: pontes e muros’’, que conta com quatro encontros virtuais aos sábados nos dias 11, 18 e 25 de abril e no dia 2 de Maio, das 14h30 às 16h30. As inscrições são limitadas e gratuitas. Elas ocorrerão até o dia 8 de abril, e os interessados nos encontros podem se inscrever no link disponibilizado pelo núcleo de incentivo à produção de artes visuais de Pernambuco Circullus de ideias. Os encontros serão mediados pelo artista multimídia e professor de artes visuais Caju Galon.

O grupo terá seu foco voltado ao entendimento da relação entre a arte e a sociedade, além de observar suas fronteiras, transformações e conceitos fundamentais. A iniciativa tem como público-alvo artistas, produtores culturais e pessoas interessadas em artes visuais. As reuniões virtuais ocorrerão na plataforma Team link e contarão com material de leitura, com emissão de certificado com carga horária de 18h.


O samba se despede de Riachão, músico baiano que faleceu aos 98 anos

O músico, ator e compositor Riachão deixa marcado na música popular brasileira suas crônicas musicais em ritmo de samba de coco


Clementino Rodrigues, conhecido como Riachão, morre aos 98 anos. Foto: Divulgação

Com seu chapéu de feltro, lenço no bolso e toalhinha, Riachão se transformou em um símbolo da identidade do samba baiano. O seu falecimento na última segunda-feira (30), devido a uma dor no abdômen, nos fez rever grande parte do trabalho cantado, composto e atuado por ele. Foram filmes como Os pastores da noite (1976), do diretor francês Marcel Camus,  no qual fez participação, até séries e documentários como Samba Riachão (2001) dirigido por Jorge Alfredo, e diversas composições marcadas na música popular brasileira, no qual faziam Riachão se destacar como um grande artista.

Capa do filme ‘’Os pastores da noite’’ (1976). Foto: Divulgação

Clementino Rodrigues, conhecido popularmente por Riachão, nasceu em Salvador no dia 14 de novembro, em 1921.Influenciado pelo pai que gostava de capoeira e samba de roda, começou a tocar nas latas d’água e a compor aos 12 anos. Logo após essa descoberta, foi ao Rio de Janeiro trabalhar com música e teve sua voz divulgada nos rádios na década de 50.

Capa do filme “Samba Riachão” (2001). Foto: Divulgação

O sambista conta com mais de 500 composições autorais, sendo apenas 33 delas gravadas. Suas composições também eram mencionadas como crônicas musicais, já que suas músicas remetiam a momentos vividos pelo cantor. Como a faixa ‘’História da bochecha grande’’, que conta o momento em que esperava o ônibus e chegou um homem no ponto e ‘’jesus foi mandando a música’’ sobre o homem ‘’da bochecha grande’’ para Riachão, que quase ria na frente do ‘’bochechudo’’.

‘’Cada Macaco no seu Galho’’, lançada em 1973 nas vozes de Caetano Veloso e Gilberto Gil e ‘’’Vá morar com o diabo’’ popularizada por Cássia Eller, foi uma das músicas mais importantes para a construção da carreira de Riachão. Em homenagem ao dia da morte do cantor, Caetano publicou em suas redes sociais e relembrou o sucesso do “malandro”, assim chamado por Caetano. “Riachão foi uma força criadora de proporções imensas. Uma usina de energia rítmica, melódica, cômica, poética. Viveu 98 anos de luz intensa”. Caetano ainda relembra na publicação da alegria, animação e jovialidade do músico baiano: ‘’ele conheceu a tragédia em sua velhice, dificuldades em sua juventude, mas eu estive com ele há cerca de um ano e o vi cantar, sem parar e sem perder o suingue, por 5 horas seguidas. Seus sambas-coco são a afirmação da alegria baiana. Morreu velho e novo, sem precisar de novidades virais. Nunca esqueceremos Riachão’’ pontua.

Caetano Veloso e Riachão. Foto: acervo pessoal

Além de participar como compositor na cena musical brasileira, Riachão serviu de inspiração para os sambistas baianos Batatinha e Panela, e também gravou com o paraibano Jackson do Pandeiro.

Seus álbuns trazem um ineditismo autoral magnífico, com uma forte interpretação sobre o mundo e de como tudo poderia se tornam música. ‘’Sonho de Malandro’’ (1973), Humanenochum (2000) e ‘’Mundão de Ouro’’ (2013) seriam complementados no próximo ano como o lançamento de ‘’Se Deus quiser eu vou chegar aos 100’’, disco que seria lançado em 2021, quando Clementino comemorasse o seu centenário.

Capa dos álbum ‘’’Humanenochun’’ gravado pelo Sony Music. Foto: Divulgação
Capa do álbum ‘’Mundão de Ouro’’ gravado pela HUB Musical. Foto: Divulgação

Em entrevista ao portal de notícias G1 da Bahia, o neto de Riachão, Milton Gonçalves Souza Júnior reafirmou a importância do avô no cenário da música baiana e seu falecimento como uma  grande perda para a cultura brasileira. “É uma perda lamentável. Fica a memória, a alegria do nosso sambista, do meu avô. Foram 98 anos de muita alegria, muita música. Vai deixar saudade. Grande perda para a nossa música”, afirma.


Reconhecimento e conscientização: banda Guma nos conta a importância do “Festival Fico Em Casa BR”

Artistas de âmbito local e nacional dividem o “palco” e promovem visibilidade para as cenas culturais do país


Guma traz vampiros burlescos na praia no clipe de "Destilado ...
Foto: Divulgação

Os dias de quarentena causado pelo COVID-19 se tornam muito mais fáceis de serem passados com o uso da internet. Usada nesses tempos de pandemia para auxiliar no trabalho e promover uma comunicação efetiva, ela também participa na movimentação das várias áreas artísticas, como os teatros, shows e cinemas. Estes, que estão parados presencialmente como forma de prevenção ao vírus, migraram para o meio virtual com o intuito de levar a cultura e a conscientização ao público, além de promover o reconhecimento de outros artistas nacionais.

O Festival Fico Em Casa BR, que ocorreu entre os dias 24 à 27 de março, fez com que a cultura e a informação pudessem ser consumidas na palma das nossas mãos, com 40 horas de shows e mais de 70 artistas de todo o país. Por meio do YouTube, Instagram e Facebook, o público pode presenciar os mais diversos sons brasileiros, inclusive os pernambucanos, assim como o pop de Romero Ferro, a mistura de brega e ciranda da Academia da Berlinda e a Banda Guma com sua guitarra psicodélica.

“A gente ficou muito feliz em poder participar desse evento porque é uma oportunidade de fazer várias coisas: a primeira delas é conscientizar e espalhar para toda a galera a ideia de que ficar em casa, agora, é muito importante. Em segundo lugar,  o Fico em Casa também oferece uma contrapartida para essa quarentena não ficar tão chata. ” ressalta Guma, por meio da entrevista realizada com a banda sobre a importância do Festival nesse cenário de pandemia.

A Banda Recifense, formada por Caio Wallerstein, Katarina Nápoles e Carlos Filizola, também observa a enorme contribuição deste Festival ao levar bandas locais para um âmbito nacional, além de possibilitar um espaço de reconhecimento para estas. “Outro ponto muito massa também é que o Festival é um vetor importante para divulgar as bandas que ainda tem pouco reconhecimento no Brasil, como é o nosso caso. Dividir esse evento com nomes como Adriana Calcanhotto e Francisco El Hombre, por exemplo, é uma super oportunidade da gente se inserir mais em outros lugares que não só no Recife, sabe?” afirma.

Na apresentação, que durou cerca 30 minutos, a banda cantou as músicas do seu primeiro álbum Cais, lançado em 2018, que possui 10 músicas com sonora experimental e psicodélica.

Foto: Capa do álbum Cais, da banda Guma

O Festival vai realizar na próxima semana com uma nova edição, sem programação definida até então.Mas temos a certeza que, além de divertir os 100 mil seguidores do Festival Fico Em Casa BR, os shows trarão o reconhecimento nacional de muitos artistas pernambucanos e de outros estados do Brasil. Além de ser  “uma oportunidade de espairecer, ver outras coisas, se desligar desse monte de informação horrível que a gente tá recebendo’’ reforça os integrantes.