Laís Guedes

Estudante de Comunicação Social, interessada em jornalismo e apaixonada por música, cinema e artes.

revista vacatussa

Revista Vacatussa lança edição especial de quarentena

Entre contos, crônicas e quadrinhos, publicação literária chega à sua 18ª edição


revista vacatussa

Capa do número 18 da revista Vacatussa, lançada em maio de 2020. Foto: Divulgação/Revista Vacatussa

A Revista Vacatussa lança hoje (26) sua nova edição, que traz narrativas criadas por autores de todo o país. As 64 páginas trazem contos assinados por Joana Rozowykwiat, Cristhiano Aguiar, Camilla Inojosa, Diogo Almeida e Nivaldo Tenório e crônicas inéditas de Helder Herik, Tiago Germano e André Duarte. Também estão presentes homenagens a Moraes Moreira e Rubem Fonseca, dois dos grandes nomes da cultura brasileira mortos nos últimos meses. O download gratuito está disponível no site

Apesar de ser uma edição especial do isolamento social, consequência da pandemia do Covid-19, a revista deixou o tema em aberto. O editor da Vacatussa Thiago Corrêa explica: “A ideia de fazer uma nova edição veio a partir de textos e tirinhas feitas por amigos que estavam sendo feitos e publicados de forma dispersa nas redes sociais. Como todo mundo já estava bombardeado com tantas notícias horríveis sobre o coronavírus, optamos por abrir o tema, para desafogar nossa mente e dos leitores.”

A novidade é a publicação dos quadrinhos assinados por Tainá Tamashiro, Matheus Asfora, Marcelo Corrêa e Tapiovsky, alterego do editor. Sobre a iniciativa, ele comenta: “A Revista Vacatussa sempre teve uma proposta de se abrir a narrativas de maneira geral. A edição passada foi toda feita com letras de música, por exemplo. E desde os primeiros números a gente sempre quis incluir quadrinhos e outras formas narrativas além das literárias (contos, crônicas e poemas). Vendo alguns amigos produzindo e publicando tirinhas nas redes sociais, enxerguei a possibilidade de finalmente incluir os quadrinhos.”

revista vacatussa - Apagão, por Leonardo Villa-Forte

Apagão, de Leonardo Villa-Forte, relembra a censura sofrida pelo conto Feliz Ano-Novo, de Rubem Fonseca, em 1976 durante o regime militar. Foto: Divulgação/Revista Vacatussa

Thiago destaca o conto Apagão, de Leonardo Villa-Forte, como um de seus favoritos da edição: “posso destacar o trabalho pela maneira inusitada como ele construiu sua narrativa, escrevendo sem escrever, alcançando equilíbrio num nível experimental da forma e ao mesmo tempo cheio de sentido e espírito crítico no conteúdo, como é difícil de acontecer em obras experimentais.”

Criada em 2005 como um espaço de incentivo e divulgação de escritores contemporâneos, a revista já publicou 179 textos de 129 autores ao longo de seus quinze anos de história. Por ela já passaram nomes como Marcelino Freire, Gilvan Lemos, Cida Pedrosa e Raimundo Carrero, além de ilustradores como Derlon Almeida, Cavani Rosas e Gil Vicente. Como dito na própria edição, a periodicidade é “quando dá”, mas a Vacatussa vem se mantendo anual. A revista ainda conta com um site onde são publicadas críticas literárias e entrevistas, que também vêm  em formato de podcast.

festival de veneza

Festival de Veneza mantém data para início de setembro

Em meio aos cancelamentos motivados pela pandemia da Covid-19, o evento segue como planejado


festival de veneza

O Festival de Cinema de Veneza é um dos mais importantes da Europa, ao lado de Cannes e Berlim. Foto: Divulgação

A organização do Festival de Cinema de Veneza confirmou, no último domingo (24), que o evento será realizado entre os dias 2 e 12 de setembro. A decisão contraria um grande número de eventos que foram cancelados ou adiados em todo mundo devido à pandemia do novo Coronavírus.

O governador da região do Vêneto, Luca Zaia, declarou que a disseminação do vírus diminuiu no país. A Itália planeja suspender as restrições de viagem para habitantes da União Europeia no próximo dia 3 de junho, como forma de reativar o turismo, uma das principais atividades econômicas do país. A quarentena obrigatória para viajantes estrangeiros também será suspensa.

Com a paralisação das atividades na indústria do cinema, é esperado um menor número de filmes inscritos neste ano, como declarou Zaia. Em janeiro, o festival anunciou que a atriz Cate Blanchett presidirá o júri de sua 77ª edição.

Conheça a filmografia de Cacá Diegues, que completa 80 anos

Cineasta é um dos fundadores do Cinema Novo e um dos grandes nomes do cinema brasileiro


Os filmes de Cacá Diegues são retratos da história do Brasil. Imagem: Divulgação/Getty Images

Em mais de 50 anos de carreira, Carlos Diegues trilhou uma das mais brilhantes trajetórias do cinema brasileiro. Nascido em Maceió, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 6 anos de idade, onde cresceu e, no final da década de 1950, iniciou o movimento do Cinema Novo, junto com Glauber Rocha, Leon Hirszman, Paulo Cesar Saraceni e Joaquim Pedro de Andrade. Premiado em diversos festivais nacionais e internacionais, Cacá Diegues é também membro da Academia Brasileira de Letras e já foi homenageado pela escola de samba Inocentes de Belford Roxo. Conheça alguns de seus principais filmes:

Ganga Zumba (1964)

ganga zumba

Imagem: Reprodução/Copacabana Filmes

Baseado no livro homônimo de João Felício dos Santos, Ganga Zumba conta a história real do rei do quilombo dos Palmares. O filme é protagonizado por Antônio Pitanga e tem participação de Cartola e Dona Zica da Mangueira. Primeiro longa-metragem de Cacá Diegues, o filme marca a sua estreia no Cinema Novo: “Queríamos fazer nossos filmes originais no conteúdo e no modo de fazer, não havia motivo para temer que o público viesse vê-los e não se identificasse com eles, pois estaríamos falando dele mesmo, da nossa população. Dela e de sua linguagem”, diz o cineasta, em sua biografia “Vida de cinema: Antes, durante e depois do Cinema Novo”, lançada em 2014 pela editora Objetiva.

Xica da Silva (1976)

xica da silva

Imagem: Reprodução/Embrafilme

Estrelado por Zezé Motta, o filme conta a história da escrava que se tornou dama da sociedade depois de conquistar um rico contratador de diamantes. Produzido durante a Ditadura Militar, período onde o cinema investe em características mais populares, “Xica da Silva” é criticado pela sexualização exacerbada da personagem. Apesar disso, não deixa de fazer uma crítica sutil ao momento político, tendo como história principal a luta pela liberdade, como destaca Miriam de Souza Rossini no artigo “Xica da Silva e a luta simbólica contra a ditadura”. O filme pode ser alugado ou comprado no Apple iTunes.

Bye Bye Brasil (1979)

bye bye brasil

Imagem: Reprodução/Unifilms

Um dos mais celebrados trabalhos do diretor, “Bye Bye Brasil” aborda o processo de modernização vivido no final do governo militar. Os atores José Wilker, Betty Faria, Fábio Junior e Zaira Zambelli integram uma caravana de artistas que viaja pelo interior do país e decide cruzar a rodovia Transamazônica. O colunista da Folha de S. Paulo Inácio Araujo comentou: “As aventuras da Caravana Rolidei parecem não só perceber o surgimento de uma modernidade, como a constatação de uma era que entra em agonia. Dos melhores filmes de Carlos Diegues.” O longa pode ser visto nos serviços Looke e NetMovies.

Orfeu (1999)

orfeu

Imagem: Reprodução/Warner Bros.

Baseado na peça de Vinícius de Moraes, o filme retrata o romance entre Orfeu, o líder da favela e da escola de samba, e Eurídice, recém-chegada ao Rio de Janeiro. Vividos por Toni Garrido e Patrícia França, o amor dos dois provoca uma série de conflitos e violência. 

Deus é Brasileiro (2003)

deus é brasileiro

Imagem: Reprodução/Columbia Pictures

Cansado dos erros da humanidade, Deus resolve tirar férias, mas antes disso quer achar um substituto no Brasil, sendo ajudado pelo sertanejo Taoca. Antonio Fagundes, Wagner Moura e Paloma Duarte estrelam o filme, que está disponível no Amazon Prime Video. 

Projeto Recantar Caruaru resgata memória histórica da cidade

Por Laís Guedes e Sarah Coutinho

Presente em diversas plataformas, o projeto busca relembrar as memórias da cidade por meio de canções


Um dos pilares do surgimento da cidade, a Feira de Caruaru virou música composta por Onildo Almeida e cantada por Luiz Gonzaga em 1957. Foto: Divulgação/Jornal Vanguarda

Em comemoração ao aniversário de 163 anos de Caruaru, a equipe do Café Colombo selecionou o projeto “Recantar Caruaru” como forma de falarmos sobre cultura em uma cidade que contempla grandes produções que marcaram sua história. A iniciativa propõe resgatar as memórias dos moradores através das músicas que trazem a cidade como tema e que marcaram suas vidas.


Surgimento

Criado em 2018, o Recantar Caruaru é coordenado pelos professores Amilcar Bezerra, Diego Gouveia e Rodrigo Barbosa e conta com a participação de estudantes do Núcleo de Design e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) — Campus Agreste. O projeto surgiu a partir do edital da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) “TV digital, novas mídias e inovação na comunicação pública”, lançado no mesmo ano. “A ideia inicial era fazer uma série de programas sobre músicas que falassem de Caruaru e como essas músicas repercutem na vida das pessoas”, resume o professor Amilcar Bezerra. 

O projeto ganha o nome de “Recantar” devido ao objetivo de representar as lembranças da população mas de um jeito, até então, não idealizado antes. “Foi muito especial poder contar a história da minha cidade a partir de um projeto realizado na universidade. Foi uma forma de homenagearmos Caruaru”, afirma o professor Diego Gouveia.

Amilcar destaca que Caruaru é um dos municípios mais citados em canções em todo o mundo: Segundo Emanuel Leite de Souza, o Dr. Leite, são mais de 1500 gravações. O professor também conta como a Capital do Agreste se tornou dona de uma musicalidade entranhada em sua história: “A partir dos anos 50, ela adquire uma importância regional que acaba atraindo muitos artistas que vinham tentar a vida nas rádios”, diz, citando Jacinto Silva, Janduhy Finizola e Onildo Almeida como exemplos. O colunista Luiz Ribeiro preparou um especial contando mais histórias de artistas com a cidade.

Produção

Alunos da UFPE em ação do Recantar Caruaru no centro da cidade. Foto: Recantar Caruaru.

Em parceria com a produtora Vertigo, foram produzidos vídeos entrevistando artistas e moradores, que contaram suas lembranças a partir das músicas sobre Caruaru, que foram transmitidos na TV Pernambuco em 2019. Entre os entrevistados, estão, além dos já citados Onildo Almeida e Dr. Leite, os jornalistas Lafaete Vaz e Almir Vilanova, o historiador Walmiré Dimeron e cantores como Azulão, Walmir Silva e Gabi da Pele Preta. 

A população também foi convidada a participar durante as ações realizadas no centro da cidade, onde puderam fazer suas indicações e participar do programa. Os episódios podem ser encontrados no canal do Youtube do projeto e estão sendo divulgados na página do Facebook. Além das redes sociais, o Recantar Caruaru também conta com um site que traz a história de lugares importantes da cidade.

Amilcar também reforça a experiência de participar da iniciativa: “Aprendi muita coisa. Descobrimos muitas canções bonitas e artistas que falam sobre a cidade. Além daqueles que não moram no país e a homenagearam. Uma experiência enriquecedora para todos os envolvidos.” 

O projeto, que terá continuidade nos próximos anos, está em busca de recursos atualmente e pensa em aprofundar novos autores. As possibilidades para as futuras edições ainda estão sendo estudadas pela equipe. 


Cineasta apresenta série de lives sobre audiovisual infantil

Breno Ferreira recebe convidados da área em conversas durante a semana

audiovisual infantil criança na tela

Profissionais do audiovisual infantil participam de bate-papo promovido pelo cineasta Breno Ferreira. Foto: Divulgação/Instagram

Estreia hoje o projeto “Criança na Tela”, uma série de lives que trata sobre o audiovisual infantil. Em seu Instagram, o cineasta Breno Ferreira, diretor de “O Ganhador” (2002) e “Walter do 402” (2016) vai receber convidados em uma programação que vai de hoje (12) a sábado (16), sempre às 17h. Segundo ele, além de curiosidades, serão discutidas as particularidades de se produzir um filme infantil no Brasil.

Hoje, Breno recebe o assistente de direção Guilherme Camurati, que trabalha em novelas, longas-metragem e séries como “Detetives do Prédio Azul” e “Vlog da Mila”. Amanhã, o bate-papo é com o diretor de fotografia Cesar Ishikawa, que atuou em séries como “Zoo da Zu” e “Buuu! – Um Chamado para a Aventura”. Confira a programação completa:

Terça-feira, 12/05:
Guilherme Camurati – Assistente de direção
(Detetives do Prédio Azul)

Quarta-feira, 13/05
Cesar Ishikawa – Diretor de fotografia
(Buuu!, Zoo da Zu)

Quinta-feira, 14/05
Fernando Gomes – Diretor e bonequeiro
(Cocoricó, Zoo da Zu)

Sexta-feira, 15/05
Enzo Barone – Ator mirim
(Garota da Moto, Spectros)

Sábado, 16/05
Manoela Valentina – Youtuber

cazuza brasil

Fundação Viva Cazuza proíbe músicas do cantor em protestos antidemocráticos

A canção “Brasil”, lançada em 1988, foi reproduzida em protestos pró-governo e contra o STF


“Apoiamos a democracia e não atitudes violentas”, diz a nota assinada por Lucinha Araújo, George Israel e Nilo Romero. Foto: Divulgação

A Fundação Viva Cazuza divulgou uma nota proibindo a execução de músicas do artista em protestos antidemocráticos. Publicada na sexta-feira (8), foi motivada pela manifestação do último dia 3, que, segundo a matéria da Folha de São Paulo, teve a música “Brasil” como trilha sonora do coro que pedia o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso. Segundo o texto, “Brasil é uma música de grande importância na democracia brasileira e ser usada junto a gritos de ordem e cartazes que pedem o fim da democracia é inaceitável.”

A proibição foi amparada pelo artigo 29 da Lei de Direitos do Autor (Lei 9610/98), que delega ao autor a autorização do uso de sua obra para reprodução em qualquer meio. Além da fundação, presidida por Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, os também compositores da música George Israel e Nilo Romero assinaram a nota que apoia “a democracia, e não atitudes violentas”.

A postagem ainda destaca a importância do isolamento social recomendado pela Organização Mundial da Saúde: “Seguimos as orientações da OMS que recomenda que a população fique em casa, em isolamento, pensando no bem de todos, sendo solidários e trabalhando para diminuição do sofrimento e privação dos mais vulneráveis.”

Os protestos citados partem de apoiadores do governo de Jair Bolsonaro, que, em meio à pandemia da Covid-19, uma doença altamente contagiosa, insistem em se aglomerar e esbravejar contra as instituições democráticas do país. O presidente, que recentemente se encontrou com Major Curió, atual coronel da reserva e torturador que atuou na repressão à Guerrilha do Araguaia na década de 1970, já demonstrou diversas vezes que a defesa da democracia está longe de ser uma prioridade sua e de seus ministros.

Festival Takorama disponibiliza filmes infantis gratuitos

O site não tem publicidade e permite que o público escolha seus favoritos


festival infantil takorama

Lançado em 2014, o curta dinamarquês Vagabond é um dos selecionados pelo Festival Takorama. Imagem: Reprodução/Vagabond

O público infanto-juvenil ganhou uma nova opção de entretenimento durante a pandemia da Covid-19. O Festival Takorama, produzido pela associação francesa Films Pour Enfants, oferece 15 filmes de países de todo mundo, como Argentina, Dinamarca, Japão, Rússia e Estados Unidos. Os curta-metragens são destinados ao público de três a 17 anos, que pode votar em seus favoritos.

Com o tema Solidariedade, a seleção de animações busca apresentar novos universos a crianças e jovens, “além de permitir que as crianças vejam imagens em movimento não apenas como entretenimento, mas como uma ferramenta de comunicação”, como é citado pela organização no site oficial. O festival, patrocinado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), também se mostra como uma alternativa educativa em meio ao distanciamento social ao proporcionar que professores dêem continuidade às atividades pedagógicas neste período. Acesse os filmes no site oficial clicando aqui.

Morre o compositor Aldir Blanc, vitimado pelo coronavírus

Morto aos 73 anos, o autor de ‘O Bêbado e a Equilibrista’ é um dos mais celebrados da música nacional


aldir blanc

Autor de mais de 600 músicas, Aldir Blanc é um dos mais importantes compositores da Música Popular Brasileira. Foto: Divulgação

Faleceu na madrugada de hoje (4) o compositor e escritor Aldir Blanc, no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), no Rio de Janeiro. Aos 73 anos, ele lutava contra a Covid-19 e deixa um legado de composições que marcaram a música brasileira.

Aldir foi internado no dia 10 de abril no Centro de Emergência Regional do Leblon, com um quadro de pneumonia e infecção urinária, que acabou se generalizando. No dia 15, foi transferido para o Hupe em estado grave.

Nascido no Rio, em 2 de setembro de 1946, Aldir Blanc Mendes ingressou na Faculdade de Medicina em 1966, carreira que acabou abandonando em 1973 para se dedicar inteiramente à música. 

João Bosco e Aldir Blanc se conheceram em 1971, por intermédio do amigo Pedro Lourenço, e começaram a trabalhar juntos por cartas até João se mudar de Minas Gerais para o Rio. Foto: Arquivo/Luiz A. Barros

Um dos mais proeminentes compositores da MPB, teve entre seus parceiros João Bosco, com quem criou O bêbado e a equilibrista, O mestre-sala dos mares, Dois pra lá, dois pra cá, Cabaré e comadre e tantos outros sucessos cantados por Elis Regina. A equipe do Café Colombo selecionou algumas das 607 músicas de Blanc que você pode ouvir na nossa playlist no Spotify.

Blanc também alcançou sucesso como cronista, contribuindo para jornais como O Estado de S. Paulo, O Globo e O Dia, além de ter publicado livros como Rua dos artistas e arredores (1978) e Porta de tinturaria (1981).

João Soares, 21 anos, fala sobre cinema brasileiro, eventos e planos para o Cin3filia em entrevista ao Café Colombo. Foto: Arquivo Pessoal

Cin3filia: O mundo nerd no interior do Nordeste

Conversamos com João Soares, criador da página que já alcança mais de 145 mil seguidores de todo o país


João Soares, 21 anos, fala sobre cinema brasileiro, eventos e planos para o Cin3filia em entrevista ao Café Colombo. Foto: Arquivo Pessoal

João Soares, 21 anos, fala sobre cinema brasileiro, eventos e planos para o Cin3filia em entrevista ao Café Colombo. Foto: Arquivo Pessoal

Criado em 2015 como uma página sobre cinema, séries e cultura pop no Instagram, o Cin3filia cresceu e agregou site, eventos e reconhecimento rapidamente: em apenas 5 anos, já conta com 147 mil seguidores na rede social, além de colaboradores em  todo o país. João Soares conta sobre as experiências, os desafios e os próximos passos do projeto em uma conversa que você pode conferir completa aqui e também assistir no Instagram do Café Colombo.


Como é ter um site voltado para o cinema e a cultura geek no Agreste pernambucano?

Às vezes, as pessoas não  sabem que o Cin3filia está em Pernambuco, no interior, porque não abordamos tanto conteúdos locais. Culturalmente, o Brasil tem uma aversão grande ao cinema nacional, mas nós temos um grande amor pelo cinema pernambucano. Quando filmes como Bacurau (2019, dir. Kleber Mendonça Filho) alcançam muito sucesso, nós conseguimos abordar esse conteúdo. Mas como o Cin3filia já nasceu com a proposta de falar sobre todo tipo de cinema, ele acabou atingindo mais o cinema de Hollywood. Toda semana nós falamos sobre estreias, e isso direcionou o público às produções maiores. Mas também temos espaço para falar sobre cinema pernambucano e queremos investir em alguns projetos voltados a esse assunto.

Existe uma cobrança para que o site fale mais do cinema nacional e pernambucano?

Não temos uma cobrança muito grande no Cin3filia nesse sentido. Quando postamos algo do tema, são os dois extremos: ou há uma grande aversão ao cinema nacional, ou aparece muita gente para apoiar. Fizemos uma postagem muito legal falando sobre O Auto da Compadecida  (2000, dir. Guel Arraes) na época que houve a remasterização e a reexibição na Rede Globo e choveram comentários positivos sobre o cinema brasileiro. Só que, quando falamos sobre filmes que estão em circuito como Divino Amor (2019, dir. Gabriel Mascaro) e Bacurau, não conseguimos ter um movimento tão positivo quanto em filmes consagrados. O público local demonstra mais interesse, mas precisamos pautar o conteúdo relativo ao alcance. Entre produzirmos  um conteúdo que vai alcançar 10 mil pessoas e um conteúdo que vai alcançar 50 mil, a gente vai produzir o que vai alcançar 50 mil.

Quando postamos algo do tema, são os dois extremos: ou há uma grande aversão ao cinema nacional, ou aparece muita gente para apoiar.

O que você acha que falta para poder abordar o cinema brasileiro? É uma escolha do público ou a falta de conteúdo sobre o tema?

Eu acho que tem os dois lados, o do veículo produzir muito conteúdo seguindo a demanda, mas também de não oferecermos algo além do que o público poderia receber. É como se precisássemos forçar esses temas para que a galera também consuma, porque se nós não oferecemos, não vai surgir demanda. É um ciclo vicioso. Se nós falássemos sempre sobre cinema brasileiro, com certeza iríamos atingir um público e conseguiríamos criar um conteúdo mais focado para ele. Mas é complicado precisar trabalhar com o algoritmo do Instagram, que a gente precisa sempre oferecer um conteúdo que todo mundo quer ver, e não só o que um nicho quer ver.

Como funciona a distribuição da publicidade? Ser uma página do interior de Pernambuco dificulta o processo?

Para ter acesso às distribuidoras no Nordeste, a ação é terceirizada. Se as elas têm alguma ação, entram em contato primeiro com essa agências de marketing e só depois com a gente. Em São Paulo, que é onde estão concentradas as distribuidoras, existem dezenas de agências que vão entrar em contato com influenciadores específicos que têm a ver com esse tipo de conteúdo. E é por isso que nós temos um representante em São Paulo, porque se ficarmos limitados a esse contato indireto, não conseguimos acesso, porque é realmente fechado naquele circuito São Paulo-Rio.

Equipe do site na Sessão Cin3filia do filme Animais Fantásticos e Onde Habitam, realizada em Caruaru, 2016.
Foto: Sarah Teodósio

Como funciona a Sessão Cin3filia? Vocês pretendem expandir o evento para outras cidades, além de Caruaru?

A Sessão Cin3filia foi um das ações que a gente fez pra tentar regionalizar o Cin3filia, fazer com que ele atinja o público local com um conteúdo global. A intenção é produzir uma experiência diferente no cinema para os fãs, então nós trazemos cosplayers, produzimos os brindes, os quizzes. Gostamos muito de imergir no universo do fã e dos filmes que nós vamos conversar sobre. Temos vontade de expandir o evento, trazer cada vez mais para o interior, ir para Vitória, para Petrolina, mas é realmente bem complicado para levar cultura no geral, se deslocar e mobilizar cidades que não conhecemos. Por mais que o interior seja bem homogêneo no imaginário da galera, cada lugar funciona de uma forma, principalmente quando se trata de publicidade para divulgar essas sessões, além de questões legais. 

Quais serão os próximos passos do Cin3filia? Tem algum planejamento para o Agreste?

Nós queremos entrar no YouTube e produzir conteúdo, esse é o próximo passo do Cin3filia. Vamos entrar de cabeça e procurar sempre produzir e interagir por lá. Quando se fala nos próximos passos para o Agreste, pensamos em eventos e experiências. Nós vamos sempre pra CCXP em São Paulo, que é o maior evento de entretenimento nerd do mundo, e adoraríamos ter algo semelhante aqui. Então não importa se em Caruaru, Petrolina ou outras cidades da região, queremos montar eventos que entreguem essas experiências, que foquem nessa questão de filmes, séries, interação, brincadeiras. A ideia é que, junto com parceiros da região, a gente consiga produzir sempre esse tipo de evento e atingir os fãs.

Bienal do Livro de Pernambuco realiza Festival Leia em Casa

Bienal do Livro de Pernambuco realiza Festival Leia em Casa

Programação conta com shows, lançamentos e conversas


Bienal do Livro de Pernambuco realiza Festival Leia em Casa

Iniciativa da Bienal do Livro de Pernambuco promove a literatura durante a quarentena. Foto: Pressfoto/Freepik

Para entreter o público durante a quarentena, vários shows e conversas estão sendo transmitidos ao vivo na internet. Com isso, a Bienal do Livro de Pernambuco lança o Festival Leia em Casa, entre os dias 28 e 30 de abril. Nestes três dias, a programação, que será exibida pelo Instagram da Bienal, contará com pocket shows, bate-papos e lançamentos.

As atrações de hoje (28), que envolvem o tema Literatura por elas, contam com narração de histórias pela Boneca Lilica, pocket show da portuguesa Vanessa Miranda, às 17h. Às 19h, o festival apresenta uma conversa entre as escritoras FML Pepper, da trilogia Não Pare! e Mirela Paes (Maliciosa, 2016). Além disso, as autoras de Meu Pop Virou K-pop (2019), Gaby Brandalise e Thais Midori falam sobre universo pop às 20h, e, encerrando a noite, a escritora Kah Dantas lança seu livro Orgasmo Santo às 21h20.

Com o tema Versos e Poesias, o segundo dia do festival contará com pocket show de Santanna, O Cantador, às 17h, seguido do encontro entre os autores Sidney Nicéas (Noite em Clara, 2016), Mailson Furtado (À Cidade, 2017) e Carlos Sierra Mejía (La Estación Baldía, 1997). A última atração é o lançamento do livro Fotografias d’um Nordeste Seco, de José Everton Fagundes, às 20h.

Na quinta-feira (30), dia do tema Janela da Fantasia, a música fica por conta de Joanah Flor, Zeca Viana, Júlio Ferraz e Platônicca, às 17h. Às 19h, o escritor Athos Beuren participa do debate Livro-jogo: onde o leitor é o herói!, com mediação de Vinicius Mendes. Fechando a programação, Fábio Paiva, criador do EduQuadrinhos, o quadrinista Eron Villar (Cérebro, 2018) e o escritor Tiago Oaks (O Herege, 2019) conversam às 20h.