Sarah Coutinho

Graduanda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco, Campus Agreste. Uma pernambucana aspirante das palavras e pela escrita.

Fundaj realiza primeiro festival online de curtas-metragens

As inscrições vão até o dia 15 de junho e estão abertas para todos os diretores do país. O festival também exibirá os filmes selecionados após a volta das atividades no Cinema


Cinema da Fundação tem sua arquitetura influenciada pela art déco muito utilizada nas cidades europeias. Foto: Divulgação/Facebook 

Estão abertas as inscrições para o primeiro festival online de curtas do Cinema da Fundação, o FestCurtas Fundaj 2020. Serão exibidos filmes de cineastas do país inteiro. O período de submissão dos projetos vai até o dia 15 de junho. Os interessados podem inscrever seus trabalhos nas categorias de animação, documentário e ficção, e enviá-los para o site do Festival. Como critério estabelecido pela organização, os curtas precisam ter sido produzidos a partir do mês de julho de 2018 e a duração de até 30 minutos. 

No dia 25, os resultados dos filmes selecionados para a mostra serão divulgados no site da Fundaj, nas mídias sociais digitais do Cinema da Fundação e da Cinemateca Pernambucana, além de outros canais da Fundação Joaquim Nabuco.  Segundo a Fundação, após a liberação da entrada nos cinemas com o controle da pandemia do coronavírus, os curtas premiados nas três classificações vão ser exibidos presencialmente, com data marcada para a segunda semana de julho. 

Os diretores premiados de outros estados vão receber passagens aéreas e diárias para as mostras realizadas em Recife, nas salas do Derby ou do Museu da Fundação, além da entrega de certificados e selos pelos seus filmes. “[…] Além de participarem da Mostra FestCurtas Fundaj 2020 presencial, receberão passe livre para frequentarem as salas do Cinema da Fundação (com um acompanhante), durante dois meses, tão logo o cinema seja reaberto”, afirma a Fundaj.

Cais do Sertão realiza bate-papos online na Semana do Museu

Entre os dias 18 e 22, a programação conta com música e conversas com especialistas da área 

Modernidade e cultura são encontradas nas exposições do Cais do Sertão. Foto: Divulgação. 

Em comemoração ao Dia Internacional dos Museus, o Cais do Sertão, situado na cidade do Recife, vai promover um circuito de conversas voltadas à importância dos museus, além da sua representatividade para a cultura. A partir desta segunda-feira (18), sempre às 15h, artistas e especialistas, com projetos já realizados, debatem sobre a temática “Museus para Igualdade: Diversidade e Inclusão” por lives no Instagram do centro cultural. Possibilitada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), a iniciativa faz parte da Semana do Museu, e vai até a próxima sexta-feira (22). 

Na segunda-feira, o bate-papo é composto pela idealizadora do festival “VerOuvindo”, – direcionado à produção audiovisual com acessibilidade – Liliana Tavares, com a mediação da educadora do museu Viviane Campos. A conversa propõe debater o tema “Acessibilidade nos museus”. Na terça-feira (19), mediado pela gerente do centro cultural, Maria Rosa Maia  e com a doutora e mestra em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A discussão gira em torno das perspectivas da gestão de equipamentos culturais para o pós-pandemia.

Governança em museus em tempos de pandemia e perspectivas para o pós pandemia é a discussão da quarta-feira (20) com a participação do historiador e mestre em Antropologia Eduardo Sarmento e com a produtora de conteúdo do Cais do Sertão, Clarice Andrade.

Na quinta-feira (21), o diálogo é voltado à conservação e a preservação de acervos museológicos com a doutora em museologia e patrimônio Viviane Valença, mediado pela museóloga do Cais, Roselia Adriana. O último dia de programação conta com música e com a participação do músico Josildo Sá e a mediação de músico-educador do local, Diogo do Monte. Na conversa, eles dialogam sobre a influência de Luiz Gonzaga para a música brasileira. 

Em tempos de pandemia, Cine Drive-In é inaugurado em São Paulo

As autoridades de São Paulo reforçam o isolamento social na cidade 


Cine Drive-In em meados de 1940 e 1950, nos Estados Unidos. Foto: Divulgação.

Amanhã (4), na Praia Grande, no litoral de São Paulo, a população poderá assistir filmes ao ar livre, com a abertura de um Cine Drive-In. A parceria entre o Litoral Plaza Shopping e a rede de cinemas Cinesystem surge em razão da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus e ao isolamento social no Estado. Até quinta-feira (7) será exibido das 19h às 21h30 duas sessões diárias dos filmes Nasce uma Estrela (2018), do diretor Bradley Cooper; Maria e João: O conto das bruxas (2020), do cineasta Osgood Perkins. Os ingressos custam R$ 15 (quinze reais) por cada pessoa dentro do veículo. 

Parte dos valores arrecadados na compra dos ingressos serão convertidos em doações para o Fundo Social de Solidariedade (FSS), uma ação voltada às famílias em estado de vulnerabilidade social, a fim de promover o combate à pobreza e a diminuição das desigualdades sociais na cidade. O lugar comporta até 60 veículos e a limitação é de 5 pessoas por carro. Em entrevista dada ao portal de notícias Folha de São Paulo, o diretor da rede Cinesystem Ricardo Rossini afirma que “a orientação principal é que estejam juntas dentro do carro apenas quem já está em contato durante todo o período de distanciamento social e que resida na mesma casa.”

Em contrapartida, desde o dia 19 de março no estado, os shoppings e as salas de cinema foram fechados devido à expansão da COVID-19 em larga escala. E, desde sábado, a taxa de isolamento no estado caiu para 53%, segundo o Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi). Apesar do reforço da organização da rede de cinemas com relação à proteção do público, não é dada a garantia do controle efetivo aos cidadãos para que estes não sejam infectados dentro do espaço. Além disso, referente às taxas de isolamento na cidade, a entrada nesses locais públicos pode ser considerada um fator contribuinte para a saída da população de suas residências. Uma reação contrária às indicações das autoridades de saúde. 

A organização da iniciativa, menciona que os interessados podem realizar a compra dos ingressos pelo site do Cinesystem ou na bilheteria improvisada disponível no local do cinema. Também será disponibilizado na entrada do cinema uma frequência de rádio, para que os espectadores possam ouvir os longas-metragens dentro dos seus automóveis fechados. A compra dos lanches será efetuada pelo Whatsapp e entregues durante as sessões.


Inscrições abertas para a 7ª edição do Festival de Cinema de Caruaru

A mostra reúne artistas de diversas localidades do país 


Edição anterior do festival realizada no Teatro João Lyra Filho.
Foto: Divulgação.

As inscrições da sétima edição do Festival Cinema de Caruaru estão abertas e vão até o dia 15 de maio. Para submeter os curtas e longas metragens, os interessados devem se inscrever no site do festival. O evento vai ser realizado entre os dias 24 e 29 de agosto no Teatro João Lyra Filho e conta com a participação dos curadores Priscila Urpia, Renata Villa Nova, Luciano Torres, Lucineide Sales e Edvaldo Santos. O resultado dos filmes selecionados será divulgado no dia 3 de abril pelo instagram da iniciativa.

O Festival de cinema latino-americano contemporâneo, como é intitulado pelos organizadores, tem o intuito de promover debates, oficinas e exibir as produções locais dos artistas. Nesta edição, a programação oficial das oficinas sairá em junho e a programação completa, em julho. A mostra já recebeu participantes do Rio de Janeiro, São Paulo, Olinda e de outros estados do Brasil. Para conferir as edições passadas, de 2014 a 2018, e saber mais informações, acesse a plataforma do festival. 

“Quer ganhar uma foto?”: a reinvenção do trabalho de Eric Gomes

O fotógrafo natural de Recife divulgou ontem (18) as premiações dos sorteios


Fotografia tirada durante o encontro de Maracatus em Nazaré da Mata, no Carnaval.
Foto: Eric Gomes.

A campanha “Quer ganhar uma foto”, promovida pelo fotógrafo documental Eric Gomes, surge como autossustento e reinvenção do trabalho em tempos de pandemia. Intituladas por Rifa #1 e Rifa #2, ambas sorteiam duas fotos: A cidade é Nossa (2014) e Caboclo de lança (2014), os dois sorteios já foram postados no seu Instagram. A impressão dos prêmios é em fine art, no formato A3. O valor das rifas é de R$ 20,00 (vinte reais) cada, e ainda não há uma data prevista para a divulgação do resultado.

As entregas das premiações têm frete grátis para os ganhadores de Recife. Para os vencedores que não moram na cidade, a entrega será feita por intermédio dos Correios. Da ocupação do Estelita ao carnaval em Nazaré da Mata, suas fotos ficaram reconhecidas pelo público. A foto “A Cidade é Nossa” já esteve em exposição no FotoRio e durante os protestos, em 2014, foi fortemente compartilhada pelos apoiadores.

O profissional trabalha há 15 anos com fotografia e já desenvolveu trabalhos autorais, cursos e oficinas. Durante o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) em 2019, o fotógrafo ofereceu uma oficina de fotojornalismo para interessados na área. Gomes afirma que seu trabalho fotográfico “é de rua, de campo, seja no fotojornalismo, pesquisa, documental ou dando aulas nos meus cursos. E ficar em casa parado para mim não é uma opção.” Em tempos de pandemia, quatro dos seus cursos marcados para abril e julho deste ano em São Paulo foram cancelados.


O fotógrafo já participou de exposições coletivas no Brasil, Inglaterra, Bolívia e Nova York.
Foto: Acervo pessoal.

Além das rifas, três lives já foram organizadas com a temática “um bate-papo sobre fotografia”. As transmissões são nas quartas-feiras, e o quadro já recebeu a participação dos fotógrafos Thiago Henrique, Guy Veloso e Nayara Jinkins. “Viver do fazer fotográfico em Recife, pelo menos para mim, é algo que exige muito da invenção. E nesse período de quarentena não foi diferente. Mas exigiu que eu me lançasse por novos caminhos como a série de lives às 20h e, mais recente, as rifas. Elas começaram basicamente porque preciso levantar algum dinheiro”, menciona. 

Eric afirma que as lives são uma adaptação. Os encontros seriam em Recife, porém, com a chegada do coronavírus, foram convertidos para o formato de transmissões ao vivo. Na perspectiva do entrevistado, as lives e as rifas permitiram maior audiência para a divulgação dos seus trabalhos e das discussões realizadas. “Se antes eu ficaria restrito a convidar pessoas de Recife ou que estivessem em Recife, hoje, eu posso conversar com qualquer pessoa conectada à internet em muitas partes do mundo”. 

Ele acredita que o isolamento social é um momento necessário para o descanso e a preservação da saúde mental de todos, sem exceção. No entanto, como fotógrafo, está no processo de encontrar alternativas para reduzir os prejuízos acarretados pela COVID-19.

Revoredo: Uma imersão poética-musical em tempos de pandemia

Por Gabriel Vila Nova e Sarah Coutinho

O artista Alexandre Revoredo fala sobre o processo de lançar o seu novo álbum em meio ao caos ocasionado pelo novo coronavírus


“Este álbum é uma compilação de toda a minha vivência nessa estrada da arte: tudo que aprendi, as pessoas que eu conheci e as amizades que eu conquistei”, menciona. Foto: Breno César

O lançamento do primeiro disco solo Revoredo do músico Alexandre Revoredo, é a reunião das diversas experiências e influências artísticas do compositor devido o seu contato com a música, o teatro e a poesia. O lançamento virtual do álbum, realizado no dia 27 de março, se deu no momento em que atividades culturais eram canceladas em virtude da pandemia do vírus Covid-19. Na entrevista abaixo, concedida com exclusividade à repórter Sarah Coutinho e ao colunista Gabriel Vila Nova, Revoredo fala sobre o disco e os efeitos da quarentena na difusão e receptividade do álbum.


Há quanto tempo você trabalha como músico?

Revoredo: Eu trabalho como músico desde 1996,  quando entrei na minha primeira banda. No início da carreira, tocava em aniversários de amigos. Mas, em 2001, comecei a me apresentar em bares e a cantar profissionalmente em casamentos com um grupo que me acompanhava. Já vivo de música há um tempo. 

O que esse álbum representa para você e o que ele busca representar para as pessoas que o ouvem?

Revoredo: Este álbum é uma compilação de toda a minha vivência nessa estrada da arte: tudo que aprendi, as pessoas que eu conheci e as amizades que eu conquistei. Ao mesmo tempo, ele também é um primeiro passo para dizer quem é Alexandre Revoredo e o que ele tem para trazer ao mundo. É um disco que tem muito a minha cara e tem realmente tudo a ver com o que eu falo e penso. Além disso, as pessoas que participam dele fazem parte da minha trajetória enquanto artista e músico. Portanto, é um disco que me apresenta ao mundo. Tanto que a primeira canção, Sou, é autobiográfica e fala das minhas influências, dos caminhos que trilhei, da poesia.

Portanto, é um disco que me apresenta ao mundo.

Sabe-se que a área cultural foi um dos primeiros campos a parar com as atividades em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Como foi lançar o álbum nesse momento?

Revoredo: De fato, a classe de agentes culturais foi realmente uma das primeiras a sofrerem com as consequências do coronavírus. No meu caso, o show de lançamento do disco, que seria um show com banda, seria realizado agora no dia 4 de Abril, mas foi a primeira coisa a ser cancelado, logo no início de março. E isso não aconteceu somente comigo, eu tenho outros amigos artistas que já estavam cancelando as apresentações antes da quarentena. Quanto ao lançamento digital do álbum Revoredo, ele já estava marcado para o dia 27 de março porque, além do disco já vir sendo gravado há um bom tempo, ele recebeu o incentivo do Funcultura e, por isso, tinha um prazo para ser entregue. O planejamento seria fazer primeiro o lançamento virtual e depois o lançamento do disco físico, mas este vai ter que ser feito em outro momento.

Com o lançamento do seu novo disco, Alexandre diz ficar contente com mais uma etapa da sua carreira concluída.
Imagem: Breno César

Como tem sido a receptividade e o alcance do álbum com essa impossibilidade de fazer shows?

Revoredo: Eu acho que pelo conteúdo do disco, pela forma como eu trato as letras e a poesia, o que eu trago nele acabou servindo de alento e de alívio para as pessoas que estão em casa. E elas estão consumindo muita arte neste momento, arte essa que sempre foi muito criticada. Na realidade, sempre foi sofrido fazer arte, mas nesse último ano ela foi muito marginalizada por discursos extremistas. Todavia, neste momento, está todo mundo consumindo. Além disso, lançar o disco nesse momento teve seu lado bom porque ele conseguiu chegar nas pessoas de uma outra forma. Isso porque, devido às circunstâncias, as pessoas estão com a sensibilidade à flor da pele para entenderem as mensagens que têm dentro do álbum. Talvez o alcance não tenha sido maior do que em tempos anteriores à pandemia, mas ele tem sido mais profundo no coração das pessoas. Eu tenho recebido um feedback muito lindo e emocionante através de textos, desenhos e depoimentos.

Seria certo dizer que o álbum Revoredo é o resultado das influências existentes dentro de ti e da forma como você observa o mundo? 

Revoredo: Podemos perceber um artista de acordo com o olhar dele para o mundo. A poesia é isso: a forma de entendermos as coisas do jeito que recebemos e observamos o mundo. Ao mesmo tempo, o álbum teve cinquenta pessoas envolvidas no disco diretamente do produtor musical aos compositores que fizeram as canções comigo. Marcello Rangel, Martins, Gabi da Pele Preta, Stephany Metódio, além de outros músicos, são alguns dos artistas que fizeram parte do processo. Todos estavam em prol de realizar um trabalho comprometido com a estética, com a beleza da poesia e a beleza da canção. Esse disco é o resultado dessas pessoas que estiveram ao meu lado o tempo todo durante esses quatro anos. 

Feira virtual: Todos os livros da Editora 34 com 50% de desconto

Livros com frete grátis para todo o Brasil


As edições dos exemplares possuem uma identificação característica da Editora 34 . Imagem: Saga Literária.

De segunda-feira (6) à quinta-feira (9), todos os livros da Editora 34 estarão com 50% de desconto. A “Feira Virtual”, como foi intitulada pela empresa, será realizada exclusivamente no site. A iniciativa surge em decorrência dos pedidos solicitados pelos estudantes de todo o país e o cancelamento das feiras universitárias organizadas pela editora literária, em razão da proliferação do novo coronavírus. Além da promoção ofertada, o frete é gratuito para todo o Brasil na modalidade de Impresso Registrado nos Correios (entrega de até 12 dias úteis). Para as entregas mais rápidas, há a opção Sedex (4 dias úteis) com aplicação de taxa. 

As entregas expressas para os interessados localizados na Região Metropolitana de São Paulo, especificamente, nos municípios de: São Paulo, Guarulhos, Osasco, Barueri, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Itapevi, Jandira, Santana de Parnaíba, Santo André, São Bernardo e São Caetano; são entregues até 48 horas. Para aqueles situados em Campinas, Jundiaí e Rio de Janeiro capital, variam até 72 horas. Para os locais selecionados, terá um frete fixo de R$ 15,00 (quinze reais) nas entregas.

De Álvaro Lins à Carpeaux

O crítico literário Eduardo Cesar Maia publica ensaio para a Revista Teresa da Universidade de São Paulo (USP)


Imagem: Divulgação

Hoje (3) saiu a nova edição da revista literária Teresa da Universidade de São Paulo (USP). A vigésima edição é dedicada ao escritor, ensaísta, crítico e historiador literário Otto Maria Carpeaux, e contou com contribuições de intelectuais especialistas nas obras do autor, além de críticos e poetas. Entre eles, está o autor Guilherme Mazzafera, o crítico Alcides Villaça e a poeta Bruna Beber. 

Uma das colaborações é a do professor e crítico literário Eduardo Cesar Maia, um dos idealizadores do Café Colombo. No ensaio “Para além da Erudição e do Método: Álvaro Lins e Carpeaux”, o autor destaca que a relação entre ambos surge no Correio da Manhã e “com o intercâmbio de ideias que estabeleceram”, e os questionamentos feitos pelo crítico pernambucano Álvaro Lins às obras de Carpeaux. 

Segue um trecho do ensaio:  
“A versatilidade intelectual – uma capacidade ao mesmo tempo intuitiva, enciclopédica, analítica, engenhosa (criativa) – que melhor aclara o alcance crítico-filosófico dos textos de Otto Maria Carpeaux. Álvaro Lins usa uma frase de Karl Mannheim que se coaduna perfeitamente com o perfil que ele traça nesse segundo ensaio dedicado ao amigo: “O problema da intelligentsia é a síntese” (JC3, p. 242). A ideia de síntese crítica, assim, não pode ser confundida com uma mera operação matemática ou tautológica, não se trata de tirar uma média aritmética. A literatura, como uma forma superior de “representação das ideias e homens em movimento” (JC3, p. 235), origina-se da compreensão profundamente humanista de que os problemas humanos não são compartimentados: política, arte, religião, psicologia são manifestações diversas de interpelações existenciais indissociáveis, confluentes.”

Link para a edição nº 20 da Revista : https://www.revistas.usp.br/teresa
Link para baixar o PDF do Ensaio de Eduardo Cesar Maia: https://www.revistas.usp.br/teresa/article/view/154942

Café Colombo Indica: 7 álbuns para ouvir na quarentena

Produção das imagens: Laís Guedes

A equipe recomenda artistas de Cida Moreira à Alexandre Revoredo


Do samba ao Manguebeat, da dramaturgia voraz à cena independente pernambucana, a segunda lista do Café Colombo indica é voltada ao âmbito musical e reúne álbuns de artistas nacionais e estrangeiros espalhados pelo mundo. Confira as indicações:

Abolerado Blues
(Cida Moreira, 1983)

Dist. Lira Paulistana/Continental

A indicação do nosso editor e colunista Luiz Ribeiro é Cida Moreira. “Abolerado Blues é um disco de 1983, da cantora, compositora, pianista, atriz e dramaturga Cida Moreira. Conhecida por uma obra consistente e por uma performance crua e sincera, que não deixa nada a desejar a nomes que vão de Belchior à Chavela Vargas e Edith Piaf, Moreira lança, com o “Blues”, o seu LP mais bem gravado e coeso: dele, vale a pena destacar “Surabaya Johnny”, faixa de abertura que marca o seu trabalho como tradutora do dramaturgo alemão Bertolt Brecht e precede o “Cida Moreira Interpreta Brecht”, de 1988; e “Traçado”, de Tico Terpins e Zé Rodrix: com sua letra dramática e nostálgica, introdução e andamento jazzísticos, toma como música incidental “Take Five”, do saxofonista Paul Desmond. Um dos melhores álbuns dos anos 1980, “Abolerado Blues” segue, apesar do seu apelo impavidamente pop, desconhecido do grande público”, comenta. 

Caixinha de Música
(Vanessa da Mata, 2017) 

Dist. Sony Music

Do romântico ao sofisticado, o álbum indicado por nossa editora Sarah Coutinho, “Caixinha de música”, lançado em 2017, da escritora, compositora e cantora brasileira Vanessa da Mata reúne alguns dos seus maiores sucessos: Amado, Segue o Som, Boa sorte/Good Luck e Vermelho. Além dos Hits, as composições Gente feliz e Caixinha de Música incorporam à singularidade ao restante das outras faixas. “Fui ao show dessa grande artista no Festival de Inverno de Garanhuns. O disco, na época, estava saindo do forno. A nova roupagem dada à ‘Vá para o Inferno com o seu amor’, música gravada por José Rico e Milionário e também por Chitãozinho e Xororó, reflete o brilhantismo presente no disco. Todas as músicas, as novas e as mais antigas, possuem um toque especial “à la Vanessa”. Vale a pena dar uma conferida!”, pontua.

Carnaval na Obra 
(Mundo Livre S/A, 1998)

Dist. Abril Music

A banda recifense Mundo Livre S/A formada por Fred Zero Quatro, Pedro Diniz, Xef Tony, Léo D e Pedro Santana, publica o disco “Carnaval na Obra” em 1998. Disco de teor político, com problemáticas vívidas e recentes referentes ao Brasil e aos seus preconceitos, também representa um ponto de transição entre o analógico para o digital na época. A indicação é da repórter Laís Guedes, que afirma: “Em Carnaval na Obra, meu álbum favorito da icônica banda pernambucana, encontramos a mistura de ritmos e a originalidade do manguebeat aliados à temáticas sociais da conturbada década de 1990. Entre hits, experimentalismo e discussões acerca da globalização e da tecnologia, o álbum é uma joia rara da música brasileira.”

Desempena
(Almério, 2017)

Dist. Biscoito Fino

Lançado em 2017, o disco Desempena foi vencedor do Prêmio Música Brasileira  em 2018 e é a recomendação da nossa repórter Dayane Jeniffer. “O segundo álbum do cantor e compositor Almério é a descoberta da melancolia com tons de saudade. O disco vem de forma bruta, como um sentimento incubado que precisa ser descoberto e demonstrado, já na primeira música título do álbum.” A respeito da intensidade das emoções do cantor no disco, Dayane pontua: “Almério mergulha com um violão forte e com uma voz potente que nos força a se identificar em várias canções, entre elas, e a minha preferida, a faixa Segredo. O álbum também é recheado da produção e dos toques do baixo de Juliano Holanda e composição de Isabela Moraes e Valdir Santos.”

Matriz  
(Pitty, 2019) 

Dist. DeckDisc

Pitty se reconecta às origens para celebrar a metamorfose em “Matriz”, álbum lançado em 2019. Indicação da nossa colunista Ana Karoline Nascimento, ela diz que “a cantora baiana abre as portas para uma nova fase que pode soar distante para alguns, mas cristaliza algo que fez parte de toda sua carreira: a coerência mesmo na hora de arriscar”, e finaliza “Pitty voltou-se à Bahia e às suas convicções para fazer algo que sempre deixou claro que é tão forte: a vontade de mostrar coisas novas ao seu público. O álbum conta com participações de outros artistas como Baiana System, Larissa Luz e Lazzo Matumbi, além de um lindo cover da banda Maglore.”

Quando o Canto é Reza
(Roberta Sá e Trio Madeira Brasil, 2010)

Dist. Universal Music Group

Lançado em 2010, “Quando o Canto é Reza é resultado da imersão de Roberta Sá e do Trio Madeira Brasil na obra do cantador e compositor baiano Roque Ferreira. Do recôncavo baiano, Roque é considerado um dos grandes mestres atuais do samba-de-roda. Com uma musicalidade madura, o álbum contempla referências do coco, ijexá e ritmos afro-brasileiros. Além disso, conta com uma atmosfera que muito se assemelha a do grandioso Caymmi, aquela da Bahia de todos os santos. Potente, o álbum nós traz narrativas do amor e de uma cultura que nos é muito íntima – ou ao menos deveria. Sons e imagens que passeiam pelo imaginário de uma possível cultura brasileira”, pontua nosso editor e colunista Dyego Mendes. 

Revoredo
(Alexandre Revoredo, 2020)

Dist. Tratore

O disco acabado de sair do forno para o mundo: Revoredo, é a indicação do nosso colunista Gabriel Vila Nova. “O álbum “Revoredo”, de Alexandre Revoredo, lançado na última sexta-feira (27) é uma bela rima entre a poesia e a música. O artista, que é de Garanhuns, já pode ser considerado um veterano no universo das artes. O álbum é o passo (de pé direito) em sua carreira solo. O disco é repleto de delicadeza e poder e tem produção musical de Juliano Holanda, outro músico e poeta envolvido na produção musical de outros belos trabalhos da música popular pernambucana. O disco ainda conta com a participação de Stephany Metódio, Jr. Black, Rubi, Antônio Marinho e Gabi da Pele Preta”, destaca. 

Curtiu a lista? A equipe do Café Colombo produziu uma playlist, exclusivamente, para você com algumas músicas dos nossos discos selecionados. Aproveita! Clica no nome “playlist” e se delicie!

11° edição do Prêmio Pipa divulga os indicados à premiação a partir de segunda-feira

70 artistas brasileiros já foram selecionados pelo Comitê de Indicação para participar da premiação


Imagem: Divulgação.

A partir de segunda-feira (30) até o dia 03 de abril, o resultado dos artistas indicados à 11° edição do Prêmio PIPA serão divulgados. Durante a semana serão anunciados os 70 artistas indicados à premiação em três boletins diários que sairão às 10h, 14h e às 18h. Ontem (29), também foram divulgados os 26 membros que participarão do Comitê de Indicação. Entre eles, destacam-se curadores, críticos, artistas, colecionadores e galeristas com formação em arte contemporânea. Desde nomes como a crítica e curadora de Brasília Ana Cândida de Avelar, a colecionadora francesa Sandra Hegedüs até o artista carioca Matias Mesquita farão parte dessa bancada. 

Os competidores escolhidos pelo Comitê concorrerão em duas áreas: o Prêmio PIPA que beneficia quatro finalistas com um valor de R$ 30.000 (trinta mil reais) cada. Além dos trinta mil ganhos, o vencedor será contemplado com mais 30 mil reais adicionais para o desenvolvimento de um projeto seu dentro do Instituto PIPA. Já o vencedor do Prêmio PIPA Online, receberá uma premiação de R$ 15.000 (quinze mil reais). Vale ressaltar que o mesmo artista pode vencer em ambas premiações.

O Instituto PIPA é responsável pela criação da premiação surge com o intuito de promover o estímulo à produção e à divulgação da arte contemporânea no Brasil. Um dos prêmios mais relevantes no campo das artes visuais é voltado aos artistas brasileiros com mais de 15 anos de carreira. Enquanto a isso, o Instituto pontua “Premiar e consagrar artistas já conhecidos no mercado de arte brasileiro que vêm se destacando por seus trabalhos. O Prêmio PIPA não busca descobrir novos talentos totalmente desconhecidos. É uma premiação.”

Segue o cronograma da próxima semana:
(Dados disponibilizados pelo site do Prêmio PIPA 2020)

* 30 de março a 03 de abril – Boletins dos artistas indicados
* 19 de junho – Anúncio dos finalistas
* 26 de julho a 02 de agosto – 1º turno PIPA Online
* 16 de agosto a 23 de agosto –  2º turno PIPA Online
* 24 de agosto – Anúncio do Vencedor do PIPA Online 2020
* 12 de setembro – Abertura da Exposição do PIPA 2020  no Paço Imperial, Centro, Rio de Janeiro
* 25 de setembro – Anúncio do Júri de Premiação
* 06 de novembro –  Anúncio do vencedor do Prêmio PIPA 2020
* 14 de novembro – Lançamento do catálogo
* 15 de novembro –  Término da exposição

Após a divulgação dos resultados, os artistas selecionados e interessados devem anexar o material completo solicitado pela coordenação endereçado ao e-mail: premiopipa@premiopipa.com e, para mais informações, acesse o site do Prêmio: https://www.premiopipa.com/