Bezerros recebe primeiro concurso de poesias online

A Associação do Movimento Artístico e Literário de Bezerros promoveu o concurso com o tema “Sentimentos na Pandemia”

Poema do escritor Alcides Villaça publicado no livro Ondas Curtas. Foto: Maurício Santos/Uniplash 

A Associação do Movimento Artístico e Literário de Bezerros (AMALB) realizou no mês de julho, em comemoração ao seu 6° ano de fundação, o concurso Sentimentos na Pandemia. O evento contou com 13 finalistas de estados diferentes. Entre eles, a vencedora do concurso, Esmeralda Costa, natural de Campos Sales, Ceará, selecionada pelo público na página da AMALB no Facebook. Esmeralda recebeu, como premiação, uma coleção de livros, DVD’s, e um conjunto de artesanatos. 

A estudante de Comunicação Social e, também, finalista do concurso, Eduarda Lima, menciona que “esse concurso veio como uma válvula para que pudéssemos liberar o estresse causado pelo isolamento, de forma criativa, numa linguagem poética, seja otimista, ou aceitando o pessimismo, mas antes de tudo, real”. 

O produtor cultural e poeta membro da Associação, Lunas de Carvalho, afirma que o concurso foi formado de uma forma exemplar. “Pessoas falaram da sua experiência de vida, das suas expectativas com relação à pandemia, e também de quando sairmos dessa situação”, analisa Lunas. Segundo a escritora e produtora cultural, membra da AMALB Maria José Arimatéia, a Associação “tem como propósito trabalhar a leitura e a literatura, interligada às demais artes”.

A AMALB é uma associação bezerrense formada por pessoas dedicadas ao movimento poético e literário da cidade. Muitos dos seus projetos buscam estimular à produção da arte e da literatura na população, assim como valorizar as personalidades artísticas do município. A Organização acredita que destacar a importância da leitura reflexiva é fundamental para um melhor desenvolvimento social.

Esmeralda Costa. Foto: Acervo pessoal

Perfis dos Finalistas 

Esmeralda Costa, de 40 anos, vencedora do concurso relata ter uma grande facilidade para escrever crônicas e artigos de opinião. Além disso, gosta de analisar  e produzir trabalhos acerca de obras de outros autores. Afirma ter sido apenas leitora de poesia, e nunca imaginou que um dia descobriria esse dom. Sua primeira poesia surgiu por causa do concurso. Antes dele, ela só se recorda de ter escrito uma crônica poética, que exaltava sua profissão como professora, e o orgulho pela sua carreira. 

Pâmela Beatriz, 20 anos, residente de São Paulo capital e natural de Bezerros, diz que seu incentivo para participar do concurso foi passar para alguém esperança de que um dia todo esse contexto de pandemia possa melhorar. Incentivada por sua professora do ensino médio, Pâmela têm admiração por grandes clássicos pelos quais ela se vê influenciada na área. Ela publicou, em Abril, seu primeiro livro “A poesia na essência da alma”.

José Janailson, 25 anos, natural e residente de Sairé, Pernambuco, poeta independente desde 2013, foi incentivado por alguns professores e familiares. Seu poema finalista tinha como objetivo principal permitir “que as pessoas não parem de acreditar por estarmos passando por um momento difícil, pois isso pode ter um lado bom, como passar a amar mais as pessoas próximas da gente, valorizar mais as pequenas coisas, e também entendermos que não há rico, nem pobre, nem preto, nem branco, pois todos são tratados da mesma forma perante o vírus.”

Clóvis José, 31 anos, natural e residente de Bezerros, Pernambuco, escreve desde 2004, e não pensa em levar a literatura como principal fonte de renda. “Poderia incluir como fonte de renda, mas viver exclusivamente da literatura se torna muito difícil, especialmente nos dias atuais, em que poucas pessoas se dedicam à leitura de livros impressos”, diz ele. Uma realidade que evidencia às condições dos que se dedicam a fazer arte, numa época onde se idolatra quem faz selfies.

Letícia Quirino, 20 anos, natural e residente de Sairé, estudante de enfermagem e classificada em segundo lugar na competição, afirma que não quis participar da competição inicialmente, mas logo o reconheceu como um evento em que ela poderia se expressar e representar as mulheres e o povo interiorano. Em seus planos, se vencesse, os livros que representavam maior parte da premiação, seriam levados como material de doação à Biblioteca Pública Municipal. O título “SEDE DE VIDA”, seu poema finalista, apresenta a ânsia e necessidade do ser humano de encontrar a si mesmo.

Iram Fábio, de 38 anos, conhecido por seu pseudônimo Bradock, natural e residente de Caruaru, Pernambuco, ao ser perguntado sobre o que lhe interessou em participar do concurso, respondeu: “para não ser esquecido”. Afinal, para quê um escritor escreve, se não for para ser lembrado, ou ao menos sua ideia? Numa leitura de paladar mais sombrio, Bradock se inspira em grandes nomes da literatura dark, como Edgar Allan Poe e H.P Lovecraft.

Pedro Célio, radialista de 59 anos, de Fortaleza, Ceará, segue a literatura de forma paralela ao seu trabalho na rádio e televisão. Ele chegou a obter lucros com a poesia. Para Pedro, “estar nesse concurso, foi desfrutar de companhias agradáveis, pois todos, sem exceções, repassaram conhecimentos. Um  constante aprendizado”.

Eduarda Lima, 19 anos, de pseudônimo Gure Hanaori, classificada em terceiro lugar, afirma que o concurso lhe abriu muitas portas: “consegui entrar em contato com uma editora, e estamos discutindo a publicação do meu primeiro livro. Também fui homenageada no Primeiro Sarau Poético Online, organizado pela Cia de Teatro Os Filhos de Pã, de Bezerros. Depois do concurso, também faço parte da equipe AMALB, e fui convidada para participar do livro Sentimentos na Pandemia, assim como para o lançamento do segundo livro da participante Pâmela Beatriz.”

Eduarda Lima é estudante do primeiro período do curso de Comunicação Social na Universidade Federal de Pernambuco – Campus Agreste (UFPE-CAA), e faz parte da Associação do Movimento Artístico e Literário de Bezerros.

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