Café Colombo indica: 10 livros para ler durante a quarentena

Estreia da nova série da Café Colombo reúne as recomendações literárias da equipe.

Estreia da nova série da Café Colombo reúne as recomendações literárias da equipe

Autora: Laís Guedes
Coautora: Sarah Coutinho


Para conter a pandemia do coronavírus, estamos passando mais tempo em casa. Por isso, colunistas e repórteres indicam alguns de seus livros favoritos na primeira edição do Café Colombo indica, que também abordará cinema, música e outras formas de arte. Confira a seleção abaixo:

Anjo Negro, de Nelson Rodrigues (1946)

Nova Fronteira, 2012

“”Ismael e Virgínia – ele negro, ela branca – parecem viver em desgraça: seus filhos morrem precocemente e de uma forma inexplicável”. Esse é o mote central para Anjo Negro, uma das peças mais polêmicas de Nelson Rodrigues, escrita em 1946 e montada, finalmente, em 1948, sob forte jugo da censura varguista. Nunca é demais descobrir e redescobrir um dos melhores escritores e dramaturgos do país”, define nosso editor Luiz Ribeiro.

 

Como a música ficou grátis, de Stephen Witt (2015)

Intrínseca, 2015

O jornalista Stephen Witt conta a história da música pirateada, desde os criadores do mp3, passando por uma fábrica de CDs e pelos grandes executivos da indústria da música. “A leitura é essencial para quem se interessa pela história da música e da internet, além de ser construída como uma trama divertida e envolvente”, comenta a repórter Laís Guedes.

 

O Conde de Monte-Cristo, de Alexandre Dumas (1844)

Clássicos Zahar, 2012

A trama narra as aventuras de Edmond Dantés, que é preso injustamente e busca vingança após dar a volta por cima. Para a colunista Thamara Amorim, “não há melhor hora para ler um livro de mais de 1000 páginas! Ainda que haja certa inquietação em estar de frente para um calhamaço de tamanho peso, a autoria de Dumas garante um romance completo, dos mais novelescos, sem jamais deixar de ser filosófico e esteticamente agradável. Os personagens, apesar de muitos, são extremamente bem construídos e há vários diálogos ímpares: o resultado disso é uma narrativa bastante imersiva e as inúmeras reviravoltas prendem o leitor até a última (memorável!) linha, a despeito do número de páginas. Perfeito para esses dias de tanta ansiedade! De fato, um livro para rir e chorar, além de ser, sem dúvidas, um dos maiores clássicos da literatura.”

 

Homo Deus: Uma breve história do amanhã, de Yuval Noah Harari (2015)

Companhia das Letras, 2015

Ciência, história e filosofia são componentes essenciais para entendermos a humanidade e os seus preceitos. O autor Harari foi indicado pela segunda vez dentro da nossa equipe e, dessa vez, pela colunista Ana Karoline Nascimento. “Homo Deus é permeado por muitas referências históricas, literárias e culturais. É de onde surgem muitas de suas indagações, porque dialogam com o mundo real e o passado ao invés de especular tão livremente, a ponto de parecer um mero devaneio. Harari parece estar bem mais preocupado em procurar entender as condições históricas do desenvolvimento humano futuro do que em propor um modelo de substituição do homem pela tecnologia”, afirma.

 

Maus, de Art Spiegelman (1986)

Quadrinhos na Cia., 2005

A graphic novel narra a história de Vladek Spiegelman, pai do autor, polonês sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz. “Um experiência de leitura incrível. Foi um dos melhores quadrinhos que tive a oportunidade de ler. Me arrematou desde o início. A história é 100% baseada na vivência e no relato do autor e, isso, por si só, torna a narrativa mais densa. Aprendi muito. Acredito que é uma leitura necessária e precisa para entendermos o contexto de épocas ditatoriais, como é o caso do livro, e para fazermos reflexões a respeito da dignidade humana em tempos obscuros, sejam eles recentes ou não”, analisa a editora Sarah Coutinho.

 

Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski (1864)

Editora 34, 2009

O clássico do escritor russo apresenta um homem irônico e recluso que vive no subsolo e deprecia várias personalidades do seu século, pessoas que convive e a si mesmo. O colunista Thiago Henrique Muniz fala mais sobre sua indicação:  “Na primeira parte, o livro expõe uma prosa subjetiva, como se o personagem vomitasse seu pensamento e suas inquietações a respeito das ideias e teorias que predominam no em sua época, sejam filosóficas, políticas ou sociais. Ele coloca a si mesmo como um intelectual decadente, fruto dessa sociedade da decadência, e se autointitula “um camundongo de consciência amplificada”. Na segunda, o personagem narra os episódios de sua vida, esse homem paradoxal, como ele mesmo se diz. Aqui, todas aquelas teorias discutidas, e posturas frutos de zombarias irônicas, são expostas em forma de ações e situações vividas em seu passado. Um excelente, e curto, livro para se ler na quarentena, de um homem que vive um isolamento autoimposto.”

 

Pela Mão de Alice, de Boaventura de Sousa Santos (1994)

Almedina, 2013

Uma recomendação da nossa repórter Anna Clara, em Pela Mão de Alice, o professor Boaventura de Sousa analisa as questões mais ínfimas e as problemáticas da pós-modernidade. “É um livro que fala sobre os diferentes modos básicos de viver em sociedade em meio aos processos de transformações sociais. Na minha opinião, o livro faz uma breve leitura da sociedade que estamos inseridos e dos momentos que estamos vivendo. O livro trás temáticas como solidariedade, democracia, comércio justo, preservação ambiental, direitos humanos e outros temas importantes. É um livro pra aprender e crescer, como pessoa mesmo”, acredita. 

 

A Revolução dos Bichos, de George Orwell (1945)

Companhia das Letras, 2007

A fábula satírica conta a história da revolução dos animais contra as formas de exploração causadas pelo Sr. Jones e sua família. Porém, os mandamentos iniciais da Revolução acabam se perdendo e os porcos acabam tomando o lugar de opressor, que antes era humano. A repórter Dayane Jeniffer pontua: “O livro trás de forma lúdica uma abordagem sobre a Revolução Russa, a partir de uma metáfora muito bem conectada, envolvente e simplória. Além de mostrar como que rapidamente podemos ser traídos pelos nossos próprios ideais, uma vez que eles fundamentam o nosso ponto de vista e podem acabar nos fazendo seguir princípios alienadores. A Revolução dos Bichos ainda nos faz refletir sobre como pequenas coisas podem agravar um cenário político e como os dois lados da mesma moeda, ainda são parte da mesma moeda.”

 

Sapiens: Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari (2011)

L&PM, 2015

Nosso colunista Gabriel Vila Nova indica Sapiens: uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari. “Foi um dos melhores livros que li em 2019. De fato é um livro sobre a história do Homem sob um olhar bem científico, mas a leitura é bem fluida e dinâmica, e analisa a história a partir de um olhar crítico. Leitura muito gostosa e ao mesmo tempo nos faz questionar sobre o Homem e o universo ao redor dele”, pontua.

 

Tia Julia e o Escrevinhador, de Mario Vargas Llosa (1977)

Alfaguara, 2007

Vencedor do do Nobel de Literatura, Vargas Llosa apresenta um romance cheio de nuances e contradições. Tia Júlia e o escrevinhador transita no Peru, na Lima dos anos 1950 onde um jovem aspirante a escritor vive duas experiências que determinam seu destino: a primeira é o contato com o escritor Pedro Camacho; a segunda é o encontro com sua tia Júlia. “Grande livro! Passeia sutilmente pelo mais íntimo do humano. Atitudes e acontecimentos vão expondo a dubiedade  das relações humanas, as trocas e acordos sociais, com um leve toque de crueza”, comenta nosso editor Dyego Mendes.

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