Pesquisa em curso visa transformar o forró em patrimônio material

Café Colombo, em parceria com o pesquisador Amilcar Bezerra, publica série de artigos sobre o tema

Autora: Anna Clara
Coautora: Sarah Coutinho


Além dos grupos de sanfoneiros organizados formalmente, há grupos informais que também são ativos nas festividades juninas.
Foto: Agência Brasil

Para marcar a aproximação do período junino, o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Amilcar Bezerra, irá produzir uma série exclusiva com quatro artigos para o Café Colombo sobre Forró.  O professor integra a equipe do Inventário nacional do Forró, junto a um time nacional de pesquisadores. A primeira publicação, de caráter mensal, será iniciada nesta sexta (24).

O primeiro artigo, intitulado “De onde é que vem o Baião: Forró, Mídia e Matrizes culturais”, trata do gênero que, institucionalizado como “baião” a partir da canção homônima composta por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira em 1946, tornou-se um grande guarda-chuva que abrigava subgêneros como o xote e xaxado. O forró, anteriormente considerado um sinônimo de festa com bebida, o “forrobodó”, substitui, de forma gradual, o baião como guarda-chuva desses gêneros musicais nordestinos. 

A pesquisa do Inventário do Forró é financiada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A instituição é responsável pelos livros de registro de bens de patrimônio material e imaterial no Brasil. Com o intuito de transformar o forró em patrimônio cultural brasileiro, o IPHAN lançou em 2011 em conjunto com a Associação dos Balaios do Nordeste, um edital para que fosse realizada uma pesquisa de grande alcance que identificasse quais são as comunidades que hoje fazem o forró tradicional no Brasil, como esse gênero vem sendo tocado e qual significação ele tem para as comunidades envolvidas. 

A Associação Respeita Januário (ARJ), sediada no Recife, foi a vencedora do edital do IPHAN e é a encarregada para realizar o inventário em âmbito nacional. O coordenador  da pesquisa e professor do Departamento de Música da UFPE Carlos Sandroni, lidera uma equipe com pesquisadores de todos os estados do Nordeste, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal. 

Com a atual pandemia do Covid-19 a equipe está realizando reuniões online e pensando, junto às organizações de forrozeiros, em soluções para mitigar os efeitos devastadores da não realização das festas juninas para esses artistas. Dessa forma, o professor afirma que “pesquisas bibliográficas e exploratórias junto a instituições sobre quais os possíveis personagens a serem entrevistados e lugares a serem visitados posteriormente” também são as iniciativas tomadas a priori pelo Inventário. 

Além disso, “Batuque Book do forró”, de Climério de Oliveira; “O Fole Roncou uma história do Forró”, de Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues; “Baião: a sociologia de um gênero”, de Elder Maia Alves e “A Vida do viajante”, biografia de Luiz Gonzaga escrita pela Dominique Dreyfus, são algumas das leituras que conduzem o olhar dos pesquisadores para a elaboração da pesquisa. 

Os professores Amilcar Almeida e Gustavo Alonso do Campus Agreste da UFPE, e o músico e professor Climério Oliveira, autor de trabalhos importantes sobre o forró, integram a equipe de pesquisa em Pernambuco. “A ideia é que a gente entreviste os principais personagens da cena forrozeira do estado, realize etnografias nos lugares em que esse forró tradicional é executado e estabeleça as relações deste forró com suas matrizes culturais na região”, afirma Amilcar. O professor acredita que a produção dos quatro textos no portal é uma forma de divulgar a pesquisa organizada pelo Inventário e uma boa maneira de atingir um público mais amplo.