A marca incerta que é a humanidade

Pessoas fotografadas no bairro Universitário em Caruaru durante o isolamento social. Foto: Dyego Mendes.

Eu sempre gostei de assistir filmes de ficção científica. Ao final deles, sempre imaginava como será o nosso fim. Existirá um fim concreto? Ou essas suposições são mera retórica para o homem deixar de ser menos ruim? Não sei! Deixei de ter resposta para algumas coisas, para várias coisas, para muitas, muitas coisas… 

É pouco provável que você neste instante me dê atenção, ou melhor, não a mim, mas o que penso e por isso escrevo. O medo aumentou e tem tumultuado cidades e vilas, ricos e pobres. O mundo, nessa hora, se vê pequeno e ainda se nota ausência de solidariedade. Se eu tenho medo? Todos nós temos medo do desconhecido que permeia nossa vida. A morte se encaixa nessa avenida que todos vamos tomar sem saber para onde. Não sei se encontraremos dia ou noite, claridade ou escuridão, por isso tenho medo. Eu gosto de andar pelas ruas da cidade pois é no dia a dia que eu posso ver no rosto do povo o que eles estão sentindo, se há esse medo, angústia ou desespero, se há rancor ou tudo misturado! 

Esses dias estão sendo vividos como um turbilhão de sentimentos conflitantes. Paro e sento-me na calçada olhando para o fim da avenida. Acima de mim, o sol se põe e a noite começa a querer chegar… e entre ambos eu enxergo um fundo tosco que não é claridade ou escuridão mas incerteza. A humanidade sempre caminhou com as incertezas; as religiões se arvoram em ter certezas; algumas correntes filosóficas se arvoram em ter certezas, e quando ocorre um acontecimento inesperado que ninguém sabe dizer o porquê, chegamos a uma boa conclusão: a nossa vida, em essência, é mera incerteza caminhante nessa avenida que é a vida.

As tragédias geram terror e piedade em nós. Nelson Rodrigues já dizia que a tragédia merece reverência! O que isso quer dizer? O terror é o medo que a gente sente, a piedade? Todos nós somos fracos, inúteis e medíocres, o vírus está por aí por que e para quê? Por nada. Ele não quer dizer nada, é apenas mais um dos muitos e vários acontecimentos históricos que a humanidade passa, e para quê? Para nada. E além de tudo isso o mais importante a frisar é a piedade. Enquanto muitos estão em casa se resguardando, outros ainda estão lá fora tentando fazer o mínimo para que a civilidade continue.

Nunca na nossa história vivemos em tranquilidade. Ao mesmo tempo que amamos, nos alegramos e gozamos, vivemos com rancor, tristeza, morte e dúvidas. O mal do nosso século será cada vez mais as pestes em forma de vírus que, por conta do mundo interligado, se alastra. O que fazer? Não acreditar que a sociedade sairá dessa circunstância, pelo contrário, os desafios já se apresentam como a desigualdade social que sempre existiu mas alguns só agora se deram conta. Também não procuro criar pânico no vizinho. A vida já é angustiante, tentemos amenizá-la de alguma forma, sobretudo ajudando o outro que nesse momento difícil tanto tem precisado.

Depois cada qual que viva com as suas mazelas. Nossos antepassados tiveram as suas. Nós que vivamos com as nossas, mas e o medo? Se tiver que embarcar agora que seja. Uma hora a de ser assim. Agora volto para casa, tomo um banho, continuo um romance, tomo uma xícara de café e depois abraço Morfeu.

Colaboração de Emerson Barbosa, mestrando em História e apaixonado por Literatura.