Revoredo: Uma imersão poética-musical em tempos de pandemia

Por Gabriel Vila Nova e Sarah Coutinho


“Este álbum é uma compilação de toda a minha vivência nessa estrada da arte: tudo que aprendi, as pessoas que eu conheci e as amizades que eu conquistei”, menciona. Foto: Breno César/Divulgação.

O lançamento do primeiro disco solo Revoredo do músico Alexandre Revoredo, é a reunião das diversas experiências e influências artísticas do compositor devido o seu contato com a música, o teatro e a poesia. O lançamento virtual do álbum, realizado no dia 27 de março, se deu no momento em que atividades culturais eram canceladas em razão da Covid-19. Na entrevista abaixo, concedida com exclusividade à repórter Sarah Coutinho e ao colunista Gabriel Vila Nova, Revoredo fala sobre o disco e os efeitos da quarentena na difusão e receptividade do álbum.


Há quanto tempo você trabalha como músico?

Eu trabalho como músico desde 1996,  quando entrei na minha primeira banda. No início da carreira, tocava em aniversários de amigos. Mas, em 2001, comecei a me apresentar em bares e a cantar profissionalmente em casamentos com um grupo que me acompanhava. Já vivo de música há um tempo. 

O que esse álbum representa para você e o que ele busca representar para as pessoas que o ouvem?

Este álbum é uma compilação de toda a minha vivência nessa estrada da arte: tudo que aprendi, as pessoas que eu conheci e as amizades que eu conquistei. Ao mesmo tempo, ele também é um primeiro passo para dizer quem é Alexandre Revoredo e o que ele tem para trazer ao mundo. É um disco que tem muito a minha cara e tem realmente tudo a ver com o que eu falo e penso. Além disso, as pessoas que participam dele fazem parte da minha trajetória enquanto artista e músico. Portanto, é um disco que me apresenta ao mundo. Tanto que a primeira canção, Sou, é autobiográfica e fala das minhas influências, dos caminhos que trilhei, da poesia.

Portanto, é um disco que me apresenta ao mundo.

Sabe-se que a área cultural foi um dos primeiros campos a parar com as atividades em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Como foi lançar o álbum nesse momento?

De fato, a classe de agentes culturais foi realmente uma das primeiras a sofrerem com as consequências do coronavírus. No meu caso, o show de lançamento do disco, que seria um show com banda, seria realizado agora no dia 4 de Abril, mas foi a primeira coisa a ser cancelado, logo no início de março. E isso não aconteceu somente comigo, eu tenho outros amigos artistas que já estavam cancelando as apresentações antes da quarentena. Quanto ao lançamento digital do álbum Revoredo, ele já estava marcado para o dia 27 de março porque, além do disco já vir sendo gravado há um bom tempo, ele recebeu o incentivo do Funcultura e, por isso, tinha um prazo para ser entregue. O planejamento seria fazer primeiro o lançamento virtual e depois o lançamento do disco físico, mas este vai ter que ser feito em outro momento.

Com o lançamento do seu novo disco, Alexandre diz ficar contente com mais uma etapa da sua carreira concluída.
Imagem: Breno César/Divulgação.

Como tem sido a receptividade e o alcance do álbum com essa impossibilidade de fazer shows?

Eu acho que pelo conteúdo do disco, pela forma como eu trato as letras e a poesia, o que trago nele acabou servindo de alento e de alívio para as pessoas que estão em casa. E elas estão consumindo muita arte neste momento. Sempre foi sofrido fazer arte, mas nesse último ano ela foi muito marginalizada por discursos extremistas. Além disso, lançar o disco nesse momento teve seu lado bom porque ele conseguiu chegar nas pessoas de uma outra forma. Isso porque, devido às circunstâncias, as pessoas estão com a sensibilidade à flor da pele para entenderem as mensagens que têm dentro do álbum. Talvez o alcance não tenha sido maior do que em tempos anteriores à pandemia, mas ele tem sido mais profundo no coração das pessoas. Eu tenho recebido um feedback muito lindo e emocionante através de textos, desenhos e depoimentos.

Seria certo dizer que o álbum Revoredo é o resultado das influências existentes dentro de ti e da forma como você observa o mundo? 

Podemos perceber um artista de acordo com o olhar dele para o mundo. A poesia é isso: a forma de entendermos as coisas do jeito que recebemos e observamos o mundo. Ao mesmo tempo, o álbum teve cinquenta pessoas envolvidas no disco diretamente do produtor musical aos compositores que fizeram as canções comigo. Marcello Rangel, Martins, Gabi da Pele Preta, Stephany Metódio, além de outros músicos, são alguns dos artistas que fizeram parte do processo. Todos estavam em prol de realizar um trabalho comprometido com a estética, com a beleza da poesia e a beleza da canção. Esse disco é o resultado dessas pessoas que estiveram ao meu lado o tempo todo durante esses quatro anos.