Listas

Mês das Bruxas: Conheça 5 filmes de terror que vão além do jumpscare

Hereditário

Toni Collette em cena de "Hereditário" - Divulgação

Toni Collette no papel de Annie Graham traduz os horrores da trama em sua atuação. Foto: A24/ Reprodução.


Lançado em 2018, Hereditário é um terror gore, ou seja, contém cenas que podem embrulhar o estômago de quem está assistindo. Sua  narrativa tem início após a morte da matriarca da família Graham, e é marcada pela sensação constante de que algo está por vir. Dirigido e roteirizado por Ari Aster, o longa se propõe a fazer uma reflexão sobre o luto e os traumas que pode deixar em nossas vidas. Hereditário pode ser encontrado na HBO Go, Amazon Prime, Google Play e Apple Store.

Corrente do Mal

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Jay passa por momentos conturbados ao lado do personagem Hugh. Foto: California Filmes/ Reprodução.


O longa dirigido por David Robert Mitchell traz em seu elenco pessoas jovens e bonitas e uma trama sexual, alguns dos clichês mais usados em filmes de terror. Mas não se engane, o filme lançado em 2014 não é sobre pessoas caindo e sendo assassinadas, ele alerta contra um mal: o sexo sem proteção e as IST’s (nova nomenclatura da DST’s). O plot (enredo) permeia uma maldição que é transmitida através da relação sexual. Corrente do Mal está disponível na Amazon Prime, Globo Play e Telecine.

Corra

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Chris conhece pela primeira vez os pais da namorada, Rose. Foto: Blumhouse Productions/ Reprodução.


Corra, lançado em 2017, não é novidade para ninguém. O filme possui em sua lista de premiações um Oscar de Melhor Roteiro Original. Mas o que o faz ser tão bom? Dirigido e escrito por Jordan Peele, a partir de uma mescla de suspense e terror psicológico, o longa traz uma discussão sobre o racismo estrutural nos Estados Unidos — que pode ser traduzido facilmente para a realidade brasileira — e a falsa noção de igualdade que atravessa a sociedade americana. No momento, Corra se encontra disponível no Google Play e Apple Store.

Midsommar

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Cena em que as flores expressam a emancipação de Dani, protagonista do filme. Foto: A24/ Reprodução.

Lançado em 2019 e também dirigido por Ari Aster, o filme tem o gore característico de seu criador, passando por temas de luto e trauma, é inspirado no gênero folk horror   que tem características folclóricas, de lendas e tradições de determinado local. Na narrativa, a protagonista, após a perda dos pais e da irmã, parte em uma viagem rumo a um festival na Suécia, em uma tentativa de salvar seu relacionamento que está em crise. Midsommar, muito além de ser apenas sobre trauma, é sobre autoconhecimento e emancipação de relacionamentos destrutivos. Está disponível na Amazon Prime, Google Play e Apple Store.

O Babadook

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Ilustração do livro que dá inicio a trama. Foto: Causeway Films/ Reprodução.


O terror psicológico lançado em 2014, narra a história de uma mãe viúva que tem problemas em se conectar com o filho. A obra, dirigida e roteirizada por Jennifer Kent, é um terror diferente, sem mortes brutais e sangrentas, no qual o monstro sai de um livro infantil. Mas  a narrativa é a todo momento perpassada por um ambiente sombrio, com sensação de perseguição e de total angústia. O filme vem para falar sobre a depressão  pós parto, e como precisamos dominar os nossos medos, sem acabar com eles, pois eles são necessários. Infelizmente O Babadook não se encontra em nenhuma plataforma de streaming.

Bônus

A Maldição da Residência Hill': corajosa adaptação de clássico gera boa  surpresa da Netflix

A família Crain carrega traumas que a Residência Hill deixou. Foto: Netflix/ Divulgação.



Agora falando de uma série: A Maldição da Residência Hill, The Haunting of Hill House, de 2018, está disponível na Netflix e conta a história de uma família que, após se mudar para uma nova casa, começa a experienciar contatos com o sobrenatural. A série passa por diversos assuntos além da esfera do terror, como vício, negação da própria história, depressão,  e acompanha os personagens desde a infância até fase adulta. A continuação da obra estreou no dia 9 deste mês e já está disponível na Netflix. A maldição da Mansão Bly, apesar de ter os mesmos atores, não é uma segunda temporada e vai contar uma história diferente de sua antecessora, com uma nova família e uma nova casa. 

Quem tem medo de literatura russa?


Ilustração de Lucas Santos

Os russos, constantemente, encabeçam o topo dos catálogos da boa e alta literatura. Assim, quase sempre imaginamos três tipos de leitores para tais brilhantes livros: intelectuais da elite, geralmente de meia-idade, sentados em sua vasta biblioteca com um copo de vinho em uma mão e o livro na outra; são leitores inteligentes, experientes e, claro, estão à altura das ironias fantásticas de Gógol ou da poesia histórica de Pushkin. O outro tipo de leitor é o jovem hipster pseudo-cult, que conversa em mesa de bar sobre os temas mais banais da filosofia com um vocabulário (de bêbado) rebuscado e banca de erudito por ter lido Memórias do Subsolo, mas não sabe muito bem diferenciar Dostoiévski de Bukowski. Por fim, temos o leitor socialista, interessado na literatura soviética, que chora lendo Górki e Ostrovsky. Mas e quando você não se encaixa em nenhuma das categorias acima, para que ler literatura russa?

Para nada. Concordo com Italo Calvino: os clássicos só devem ser lidos por amor, quando já se pode estar fora da obrigação desanimadora da escola.  O que não significa dizer que não possam servir à qualquer propósito educacional ou social: podem, mas, um leitor comum, isto é, que não trabalha ou estuda literatura, não precisa, necessariamente, ler isto ou ou aquilo. Literatura é, sobretudo, arte e, como tal, já se basta. Ou seja, se não é pela impressionante arte russa de contar o absurdo como plausível (acordar sem nariz ou conversar com um monge negro que mais ninguém vê), ou a capacidade perturbadora de retratar a indignidade humana com tão poucas reservas, que te interessa, sobretudo, como leitor, porque dar-se ao trabalho? Além do mais, fico com os românticos – de que adianta ler se não para experienciar a amizade literária da qual Proust falava? 

Contudo, é comum querer ler alguma coisa e, por causa do rótulo de genialidade e obscuridade que há sobre ela, não sentir-se à vontade para isso. Neste caso, acredito que se deve, de fato, indicar e, portanto, desestigmatizar tais livros. Não negarei, no entanto, que é possível se estar intelectualmente despreparado para esta ou aquela leitura, quiçá, todo leitor passa por isso, provavelmente, diversas vezes na vida. Mas essa é uma questão meramente temporária: talvez te falte a leitura deste outro livro primeiro, ou quem sabe seja importante ler sobre tal assunto ou simplesmente amadurecer. A primeira vez que li Madame Bovary, aos 15 ou 16 anos, achei tremendamente maçante; hoje, acho genial. 

Mas me permitindo dar um propósito social à leitura dos russos, e aqui no Brasil, especialmente: deixar de lado a mentalidade de Guerra Fria e os muitos estereótipos negativos que ainda pesam sobre a Rússia, é tarefa que lendo a literatura produzida no país se faz com maior facilidade. Calvino também dizia que “os clássicos servem para nos dizer quem somos e aonde chegamos”. E, com efeito, a literatura é capaz de ser um meio de entender uma cultura e sua História. Por conseguinte, faz-se, talvez, necessário ler os próprios russos, a fim de pensar o período tsarista, a Revolução, a URSS e até a contemporaneidade, para além da narrativa ocidental hegemônica. Entretanto, neste texto não iremos tão longe a ponto de alcançar o presente; ler literatura russa contemporânea é, para mim, um exercício que se faz depois de ter lido o passado.

Nem tão passado assim! Como diria Vladimir Nabokov, a literatura russa é um “evento recente”. Não só para nós, não-russos, que tendemos à limitar sua produção literária ao século XIX e ao início do século XX. Para o próprio Nabokov, o sumo da literatura russa foi, efetivamente, escrito nesta época, o que chega a ser assombroso, dado que não havia uma tradição literária fortemente estabelecida no país, como na Inglaterra ou na França, por exemplo. Contudo, aqui não entrarei em detalhes históricos. A quem interessar, leia Lições de literatura russa de Nabokov, livro bem mais explicativo e completo que um texto de indicações de leitura para iniciantes poderia chegar à ser: ainda que o desprezo pela produção soviética e a cabeça deveras conservadora e patrícia do autor nos faça revirar os olhos de vez em quando.

Atentarei, pois, à literatura produzida durante todo século XIX, a chamada Era de ouro e, na primeira metade do século XX, Era de prata. Isto posto, segue-se uma lista de livros que considero acessíveis, o que, de maneira alguma, significa serem inferiores; algumas das obras citadas são de importância primordial para a produção literária e, acessibilidade não diverge de complexidade. Não indicarei, pois, livros não publicados no Brasil, nem esgotados. Abaixo, também não recomendarei Oblomov ou Vida e Destino para quem não leu nada de literatura russa ou, no máximo, algum curto Tolstói ou Dostoiévski – esta é uma lista para iniciantes. Se você já é um russófilo experiente, o texto a seguir não é para você.

Nicolai Leskov (1831-1895). Foto: Divulgação.

Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk – Nicolai Leskov (1865)

Dentre seus contemporâneos, Leskov é um dos menos conhecidos autores da literatura russa do século XIX. A despeito disso, como colocado por David McDuff, depois de Gógol, é um dos mais “quintessencialmente russos” na tradução da alma e do caráter de sua época e país. Paradoxalmente, sua literatura tem curiosa correspondência com a tradição inglesa, assim como a de Turguêniev, sempre acusado de ser mais europeu que russo. O caso é que Leskov é um escritor de paradoxos e sua mais célebre novela, Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk, é prova disso: não é sem curiosidade que lemos tal título, que indica a existência de uma heroína shakespeariana associada a um emblema de nobreza, situada em um distrito sem a menor importância na Rússia oitocentista.

A jovem Katerina Lvovna leva “uma vida angustiante na casa rica do sogro, casada por cinco anos com um homem descarinhoso; todavia, ninguém prestava, como de praxe, a mínima atenção àquelas angústias dela”. Em tal tediosa situação, Katerina acaba apaixonando-se por um criado da propriedade, em consequência de quem passa a cometer atrocidades tremendas, contadas por um narrador amoral que jamais trai a frieza com que Katerina age em todos os seus crimes.  Não é a toa que Walter Benjamin via em Leskov um jornalista que tornou-se um escritor, e é isso que faz da novela tão perturbadora e, sem dúvidas, genial, mesmo escrita em uma linguagem tão simples que beira a vulgaridade. Para mim, a protagonista é uma das melhores personagens femininas da Europa do século XIX, além de extremamente universal. Portanto, uma ótima porta de entrada para literatura russa.

Ivan Turguêniev (1818-1883). Foto: Divulgação.

Diário de um homem supérfluo – Ivan Turguêniev (1850)

Penso que sempre se é indicada sua novela Primeiro amor, para uma introdução na obra do autor. Mas, apesar de achá-la interessantíssima e até bastante parecida com o nosso Dom Casmurro, prefiro este diário, por causa de seu efeito e influência, para figurar numa lista como a que escrevo agora. Rejeitado literariamente por Dostoiévski e desestimado pessoalmente por Tolstói – os dois quase se enfrentaram em duelo, antes da política de não violência que Tolstói adotou depois de sua revolução espiritual! –, Turguêniev é sempre tido como menor dentre os mais famosos dos seus contemporâneos. Não é incomum ouvir a crítica de que sua obra é pouco original, mais européia que russa e, principalmente, muito repetitiva. Sobre ser (um pouco!) repetitiva, moderadamente concordo. Mais de resto, fico ao lado dos que veem no autor, um dos melhores escritores do século XIX. 

Em Diário de um homem supérfluo, Tchulkatúrin descreve, em mais ou menos 20 dias, sua vida insignificante, com um humor melodramático somente comparável em impacto às Memórias do subsolo de Dostoiévski. Assim como este último, é um livro para sofrer de vergonha alheia, com um dos duelos mais ridículos da literatura, que nem Dumas fez igual. E apesar da narrativa, aparentemente palerma, nesta novela, Turguêniev criou uma figura literária que incorporou-se por completo na produção russa de seu tempo e mudou os rumos da crítica: agora, interessava rastrear o homens supérfluos antes e depois de Tchulkatúrin – coisa de grande autor, sem dúvidas. Dá-se que, escrito durante o período entre a Revolta Dezembrista de 1825 e a emancipação dos servos em 1861, o homem russo se descobria desmotivado com o despotismo czarista e o anacronismo da nação: o nobre russo era o mujique do resto da Europa. Assim, como bem colocado por Samuel Junqueira, no excelente prefácio à edição da Editora 34, naquele momento, só podia haver heróis como Tchulkatúrin, que, à propósito, muito inspirou o conceito do oblomovismo, central na literatura russa da segunda metade do século XIX.

Filme Tio Vânia (дядя ваня) de Andrei Konchalovsky – 1970. Foto: Divulgação.

Tio Vânia – Anton Tchekhov (1898)

O que Doutor Jivago mais gostava em toda literatura russa, era o “espírito infantil” de Pushkin e Tchekhov, ambos preocupados com o cotidiano mais ordinário, “decorrentes de suas vocações de escritor”. Não é a toa que Rilke afirmava não apresentar nenhum problema ao bom autor um cenário muito pobre ou estático, o escritor saberia tirar desse, sua poesia mais prolífica. Discordando de Tolstói, que achava a narrativa teatral de Tio Vânia estagnada demais, acredito que essa peça é uma prova extraordinária do que pensava Jivago e Rilke. Isto posto, a literatura de Tchekhov pode soar como tediosa ou pouco interessante fora do contexto russo, mas, longe disso, essa é uma das qualidades que fazem do autor um dos mais universais. Os conflitos morais de Tio Vânia nos são comuns há muito tempo e, provavelmente, sempre serão, enquanto envelhecermos. Surpreendentemente, os primeiros rascunhos dessa peça foram escritos quando Tchekhov estava ainda na escola.

Vânia e sua sobrinha Sônia (impressionante personagem!), cuidam de uma grande propriedade, na qual passam a morar um velho professor universitário, pai de Sônia, e sua jovem e lindíssima esposa, espécie de Anna Kariênina menos corajosa. Na casa ainda moram a feminista mãe de Vânia, uma velha criada e um agregado, além de ser constantemente visitada por um belo e idealista médico, às vezes quase tão deprimido quanto Vânia. O protagonista, aos 57 anos, percebe-se envelhecer em uma vida vã e odeia o professor quase tal qual odeia a si mesmo.  Como bem disse Marie Carnicke, as peças de Tchekhov “não são cômicas, trágicas, melodramáticas, realistas, impressionistas ou simbolistas; são tudo isso de uma vez só”. Sempre acho os finais de Tchekhov extremamente emocionantes, não devido à acontecimentos memoráveis, muito pelo contrário, são enternecedores muito mais em virtude de um esforço de linguagem que somente um grande autor, como foi Tchekhov, seria capaz de fazer em circunstâncias tão medíocres. Em Tio Vânia, as falas finais são de uma melancolia tão perturbadora, bem como, esplêndida, que não surpreende saber que Gorki chorou quando viu a peça pela primeira vez. A peça foi adaptada para o cinema por Andrei Konchalovsky em 1970, um dos filmes mais lindos da era soviética, que vale muitíssimo a pena conferir.

Anna Akhmátova (1880-1966). Foto: Divulgação.

Anna Akhmátova (1889 – 1966)

Anna Akhmátova é uma das mais conhecidas autoras da geração de prata da literatura russa. Junto com Boris Pasternak (meu primeiro poeta russo), Ossip Mandelstam e Marina Tsvetáeva, fazia parte do grupo dos quatro grandes poetas da Rússia do século XX. Autora bastante prolífica, sua produção poética estreou em 1907 e foi até 1965, um ano antes de sua morte. Portanto, Akhmátova produziu durante todo o período de revoluções e estabilização do sistema soviético, o que espelhou-se em seus poemas, que foram, ao longo dos anos, tornando-se cada vez mais patrióticos e políticos. Em Réquiem de 1961, escreveu: “Não, não foi sob um céu estrangeiro,/ nem ao abrigo de asas estrangeiras –/ eu estava bem no meio de meu povo,/ lá onde o meu povo infelizmente estava.” Como consequência, foi duramente perseguida e humilhada, tendo sua obra quase desaparecido da literatura até a era de Khrushchov. Não é a toa que em Canção do Encontro Final de 1911, tenha escrito: “Eu, na mão direita, calcei a luva da mão esquerda” – Akhmátova era uma mulher e cidadã soviética pouco convencional durante toda a sua vida. A propósito, o eu lírico feminino está presente em suas obras como uma figura de intensa melancolia e solidão, mas, ainda, de romantismo e, até, misticismo; sua poesia lembra a de Emily Brontë, abundante em musicalidade. Portanto, a poesia de Akhmátova não é, somente política. A autora ousou falar de si mesma, de suas individualidades, da arte poética e, sobretudo, da condição feminina, quando o mundo ao seu redor parecia deveras inadequado para isso.  

No Brasil, há uma pequena antologia com algumas poesias da autora, publicada pela Editora L&PM, que inclui seu Poema sem herói (1940-1965), considerado pela própria autora, seu texto mais importante.

Filme O Mestre e Margarida (Мастер и Маргарита) de Iúri Kara – 1994. Foto: Divulgação.

O Mestre e Margarida – Mikhail Bulgákov (1966)

O Diabo chega à Moscou! Ele e seu séquito – um gato quase humano de tão pretensioso, um assistente falsário, uma bruxa belíssima e um capanga que é o completo oposto – transformam a cidade em um pandemônio ou, quiçá,  revelam o pandemônio que ela já era. Enquanto isso, deparam-se com um escritor frustrado e meio louco, autor de um romance censurado sobre Pôncio Pilatos e, sua amante Margarida, que tenta bravamente livrar-se da sujeição marital e reencontrar seu amado. Este livro é de uma comicidade teatral e musical tremenda! A narrativa move-se de maneira tão surpreendente, com um ritmo quase cinematográfico, que faz o leitor passar as páginas com curiosidade até o fim da leitura. 

É por tal motivo que indico o romance de Bulgákov, com total ciência de que, entre todas as recomendações deste texto, essa é a mais desafiadora. O realismo fantástico do autor pode, de fato, assustar, mas logo nas primeiras páginas, lê-se uma escrita tão maliciosa e profundamente pilhérica, que é difícil não rir, pelo menos, algumas vezes. E depois, claro, assustar-se com a maldade com que Bulgákov trata os próprios personagens – certamente, fazer uma sátira impávida do governo soviético, da sociedade literária da época e, principalmente, da natureza humana, era um objetivo que o autor levou muito à sério: era preciso coragem para escrever tal livro e Bulgákov quase foi preso em 1926 por causa do mesmo, que só chegou à ser publicado em 1960, vinte anos depois de sua morte. Assim, esse é o livro de publicação mais tardia dessa lista, depois, inclusive, do período chamado “era de prata”, mas que foi escrito ainda durante a primeira metade do século XX.

Indico fortemente, sem nenhuma obrigatoriedade, que se assista a ópera Fausto de Charles Gounod ou, ao menos, escute-a antes da leitura desse livro, pois é possível encontrá-la com legendas na internet e é, também, possível ouví-la. Não diria que faz uma diferença tremenda, mas é certo que Bulgákov assistiu à essa ópera mais de 40 vezes antes de escrever O Mestre e Margarida. O Fausto russo, então, tem mais a ver com  a obra musical de Gounod do que com o livro de Goethe.

Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Foto:Divulgação.

O eterno marido – Fiódor Dostoiévski (1870)

O tão temido Dostoiévski! Certa vez participei de uma leitura coletiva de Crime e Castigo. Tínhamos um mês para ler as quase 600 páginas de um dos livros mais emblemáticos dentro e fora da Rússia, um romance que a gente demora para ler quando compra, mas nunca esquece de ter comprado; quem nunca teve medo de Dostoiévski? Chegado o fim do mês e, consequentemente, o dia da discussão, mais da metade dos participantes não conseguiram terminar o livro, inclusive os organizadores do projeto. Ouvindo as razões dos leitores que não concluíram o romance, achei que havia apenas uma inexperiência com a literatura dostoievskiana; nós, os que terminamos, já líamos o autor há algum tempo. Logo, o medo e a resistência que muitos leitores têm quanto  à Dostoiévski, tem mais a ver com péssimas iniciações, como resolver primeiramente ler Crime e Castigo, O idiota ou Os Irmãos Karamazov; e com a etiqueta de ininteligibilidade que leva consigo o autor, como se somente os mais versados e brilhantes leitores conseguissem lê-lo: em maioria, quem perpetua esse discurso, pouco leu de Dostoiévski ou portaria-se menos como Raskólnikov.

Em O eterno marido, o quarentão Veltchanínov sofre terrivelmente com uma crise de meia-idade. Torna-se ressentido do passado, um tipo Nekhludov menos moralista e, chega a perder certas memórias de tão perturbado que está. No ápice de sua hipocondria, percebe-se observado por um homem, a quem, inicialmente não reconhece e tem medo de estar sendo perseguido. Mais tarde, descobre que o sujeito, Trussótski, é o marido da falecida Natália, com quem teve um caso. O livro, tão inquietante quanto Bartleby de Melville, por exemplo, é sobre o embate psicológico entre essas duas figuras perturbadas, unidas por uma personagem que nunca, de fato, está em cena. Escrito durante os anos 60, período muitíssimo conturbado politicamente, Dostoiévski, como um “escritor social”, não gostou muito de o ter escrito, mas, literariamente, o romance não deixa de ser uma obra-prima. Esse livro é um pouco maior do que os que normalmente são recomendados para começar a ler o autor, porém, é ainda bastante curto, não passa das 200 páginas. Recomendo, principalmente, porque é uma obra que se lê de uma vez, é difícil fechá-la e deixar para mais tarde; a tensão narrativa te deixa alerta e curioso o tempo todo. Acredito, com certeza, que se o clube de leitura, visto que havia mais inciantes na produção russa, tivesse sido de O eterno marido, teríamos, pelo menos em maioria, concluído a leitura.

Liév Tolstói (1828-1910). Foto:Divulgação.

A morte de Ivan Ilitch – Liév Tolstói (1886)

O maior clichê das indicações de por onde começar a ler literatura russa! Logo, pensei bastante se deveria mesmo colocá-lo na lista, mas, para mim, é o melhor livro para iniciar-se na arte de Tolstói. Decerto, muita gente que não lê, com frequência, literatura russa ou o autor, pelo menos, já leu essa novela. Assim, se você for uma das pessoas que só leu Ivan Ilitch dos russos ou de Tolstói, sinta-se à vontade para ler, talvez nesta ordem, a Trilogia Infância, Adolescência e Juventude; A felicidade conjugal e/ou Senhores e Servos. Se quiser passar aos grandes romances, Anna Kariênina é fascinante e ímpar até na produção tolstoiana, extremamente filosófico e, ainda assim, novelesco, portanto, um bom começo: menos assustador que Guerra e Paz e menos “doutrinador” que Ressurreição

Não me demorarei acerca de A morte de Ivan Ilitch, pois já escrevi um texto somente sobre o livro. No entanto, não poderia fazer uma lista como esta e deixar o nome do, possivelmente, melhor autor russo e, com certeza, meu escritor preferido dentre todos os oitocentistas russos ou não. Tolstói é indispensável e o maior motivo pelo qual me apaixonei pela literatura do leste europeu, então, indubitavelmente, indico sua obra sem pensar duas vezes.

alfred hitchcock

Café Colombo indica: 6 filmes de Alfred Hitchcock

Rebecca, a Mulher Inesquecível (1940)

O primeiro filme de Hitchcock em Hollywood foi o único do diretor a receber o Oscar de Melhor Filme. A trama conta a história de uma jovem, vivida por Joan Fontaine, que casa com um rico aristocrata (Laurence Olivier) e, aos poucos, descobre os segredos do passado do marido relacionados à sua antiga esposa. 

Olivier ficou ressentido por sua namorada, a atriz Vivien Leigh, não ter sido contratada para o papel principal, passando a tratar a colega de cena, a estreante Fontaine, friamente. Ela começou a se sentir deslocada no set de filmagem — o que Hitchcock achou bastante conveniente. Assim, o diretor estimulou a equipe a tratá-la da mesma forma, pois esse era o sentimento que a personagem dela deveria passar.

Festim Diabólico (1948)

Este foi o primeiro longa-metragem em cores do diretor. Construído como um plano-sequência, o filme conta a história de dois jovens, vividos por John Dall e Farley Granger, que buscam provar que conseguem realizar o assassinato perfeito. 

O elenco e os técnicos que trabalhavam no set trabalharam duro para que não fosse cometido nenhum erro — do contrário, teriam que gravar as longas cenas novamente. Por isso, quando o dolly da câmera (uma espécie de carrinho que suaviza os movimentos) passou por cima e quebrou o pé de um dos cinegrafistas, ele foi amarrado e levado para fora do set, para não gritar durante a gravação.

Disque M para Matar (1954)

O ex-tenista Tony Wendice (Ray Milland) decide matar sua esposa Margot (Grace Kelly), para ficar com o dinheiro e se vingar de um antigo affair dela. Assim, ele chantageia um antigo colega de faculdade a cometer o crime e fingir que o assassino é um ladrão. Esta foi a primeira parceria de Hitchcock com Grace.

Janela Indiscreta (1954)

Alguns consideram este o melhor trabalho do diretor britânico. L. B. Jeffries (James Stewart) é um fotógrafo preso em casa, devido a um acidente. Entediado, ele passa a espionar a vida de seus vizinhos do prédio em frente. Quando observa a briga entre um casal e o conseguinte sumiço da esposa, Jeffries começa a suspeitar de assassinato.

Janela Indiscreta funciona como uma alegoria para o próprio cinema, onde o espectador se torna voyeur. O elenco, além de Stewart, conta com Grace Kelly, que vive a namorada Lisa, e Thelma Ritter, que vive Stella, empregada de Jeff.

Um Corpo que Cai (1958)

O filme conta a história do detetive aposentado John Ferguson (James Stewart), que deve perseguir a esposa de um amigo, vivida por Kim Novak. Ela parece ter uma certa obsessão com lugares altos, que são o maior medo do detetive. 

Esta foi a última das quatro parcerias com o ator James Stewart. Hitchcock, frustrado com as críticas medianas e o fracasso nas bilheterias, culpou a idade do ator, na época com 50 anos, dizendo que a diferença de idade entre ele e Novak afastou o público. Anos depois, o filme foi reconhecido como uma das maiores obras do cinema.

Psicose (1960)

Em 2020, Psicose completou 60 anos de um importante legado para o cinema de suspense e terror, influenciando gerações de cineastas. Janet Leigh vive a secretária Marion Crane, que rouba 40 mil dólares do patrão e foge, se hospedando em um hotel de beira de estrada. O dono é Norman Bates (Anthony Perkins), um homem obcecado pela mãe.

Junto com Janela Indiscreta e Um Corpo que Cai, é considerado o maior filme de Hitchcock e um dos melhores da história. O diretor decidiu rodá-lo em preto e branco, para que fosse menos sangrento; e, para economizar, utilizou o elenco e a equipe técnica de televisão. O orçamento de US$ 800 mil era bem menor do que em trabalhos anteriores, o que não impediu Psicose de ser um sucesso de público, alcançado um lucro de US$ 40 milhões. Além da clássica cena do chuveiro, outras já foram referenciadas, como esta, em Pulp Fiction (1994, dir. Quentin Tarantino)

E você? Já viu algum desses? Tem algum pra indicar? Deixe um comentário!

8 bandas para relembrar no Dia Mundial do Rock


No dia 13 de julho é comemorado Dia Mundial do Rock. Idealizado pelos artistas Bob Geldof e Midge Ure, em 1985, a fim de arrecadar fundos para combater a fome da Etiópia, a data surge como iniciativa de promover o Live Aid, primeiro festival global de Rock. As apresentações foram realizadas em dois estádios: John F. Kennedy Stadium, na Filadélfia, EUA, e no Wembley Stadium, em Londres, Inglaterra. Lotados, o festival também foi transmitido nas televisões e assistido por bilhões de pessoas. Com o grande sucesso da empreitada, Geldof recebe o Prêmio de Nobel da Paz, além de inspirar tantos outros festivais que viriam a seguir. A equipe do Café Colombo preparou uma lista com 8 bandas/artistas para você relembrar neste dia. Confira: 

Ave Sangria

Ao lado de Zé Ramalho, Marconi Notaro, Flaviola (nome artístico de Flávio Lira), Lailson e Lula Côrtes: Ave Sangria é consagrada como uma das bandas mais expoentes de música psicodélica do Brasil. A banda, com seus três álbuns lançados, “Vendavais” (2019), “Perfumes e Baratchos” (2014) e “Ave Sangria” (1979), atualmente, é composta por Marco Polo, Almir de Oliveira e Paulo Rafael.

Barão Vermelho

Conhecidíssima dentro do rock nacional, a banda carioca Barão Vermelho que, em sua antiga formação recebeu nomes como Cazuza e Frejat, é representada atualmente por Rodrigo Suricato, Fernando Magalhães, Maurício Barros e Guto Goffi, acabam de lançar o disco “Viva”, e descrevem: “Incrivelmente, VIVA soa como um primeiro disco. Transborda identidade e provocação. Não seria absurdo dizer que trata-se do melhor álbum de inéditas do Barão desde o premiado Na Calada da Noite (1989), que marcava a acolhida de público e crítica ao grupo após a saída do inconfundível Cazuza”, fala disponibilizada no site oficial da banda.  

Lula Côrtes 

O compositor, cantor, artista plástico e poeta pernambucano Lula Côrtes, foi o pioneiro a reunir estilos nordestinos ao rock em Pernambuco juntamente com Zé Ramalho em 1970. Lançou os discos “Satwa”, em 1972; “Paêbirú” em parceria com Zé Ramalho, lançado em 1980; “O gosto novo da vida”, em 1997 e, no mesmo ano, “Lula Côrtes & má companhia”. Além dos discos que não foram lançados oficialmente como “O pirata” e “A mística do dinheiro”.

Marconi Notaro 

Nascido em Garanhuns, o artista se popularizou através das suas poesias em Recife, e tornou-se representante da música psicodélica da década de 1970; tem o álbum “No Sub reino dos metazoários”, lançado em 1973, como um dos seus trabalhos mais conhecidos. 

Queen 

O grupo recordista de vendas de discos à nível mundial, com um estilo que transitava entre os mais variados estilos do rock, foi formado por Brian May (guitarra e vocais), Freddie Mercury (vocais e piano), John Deacon (baixo) e Roger Taylor (bateria e vocais). Ganhou popularidade internacional por meio dos singles “Bohemian Rhapsody”, “You’re My Best Friend”, “We Will Rock You” e “We Are the Champions”, e “Another One Bites the Dust”. 

Rita Lee

A rainha do rock brasileiro fez história nos grupos Os Mutantes (1968-1972) e Tutti-frutti (1973-1978), além de trilhar uma brilhante carreira solo. Rita já alcançou o topo das paradas nacional e internacionalmente, sendo “Lança-perfume”, “Desculpe o auê” e “Ovelha negra” alguns de seus maiores hits.

Selvagens à procura da lei

A banda brasileira de rock iniciada no Ceará, em 2009 pelos integrantes Gabriel Aragão, Rafael Martins, Caio Evangelista e Nicholas Magalhães. Com 2 EP’s e 6  álbuns lançados, entre eles, “Suas mentiras modernas” (2010); “Selvagens à procura da lei” (2013); “Praeiro” (2016); “Na Maloca do dragão” (2019) e “Paraíso Portátil” (2020), a banda esteve presente nos festivais Lollapalooza, Rock in Rio, além de representar o Brasil na copa do mundo em Moscou. 

Sister Rosetta Tharpe

A cantora, compositora e guitarrista de música gospel, Sister Rosetta Tharpe é considerada criadora do ritmo e consagrada como uma estrela do rock. Ela tornou público o que conhecemos hoje por rock’n roll, sendo o termo referenciado pela primeira vez, em 1942, na revista Billboard, referente a uma apresentação sua.

The Doors

Criada em 1965 por Jim Morrison (vocalista), Ray Manzarek (teclados), Robby Krieger (guitarra) e John Densmore (bateria). A banda americana só encerrou suas atividades em 1973, dois anos após a morte do vocalista e, até hoje, é consagrada pelas novas e antigas gerações como uma das bandas mais influentes da história do rock.

sherlock holmes arthur conan doyle

Confira 6 adaptações de Sherlock Holmes

Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes. Foto: Divulgação

O médico e escritor escocês Arthur Conan Doyle (1859-1930) teve uma extensa carreira literária, porém, é mais conhecido por Sherlock Holmes, o detetive mais famoso da literatura. Quando era estudante de medicina na Universidade de Edimburgo, em 1877, Conan Doyle foi assistente do cirurgião Joseph Bell, um médico que observava e deduzia todos os hábitos de seus pacientes. Daí surgiu a inspiração para criar o minucioso detetive.

Segundo o Guiness Book, Sherlock Holmes é o personagem mais retratado no cinema: 75 atores já o encarnaram ao longo de 211 filmes. Séries de TV, programas de rádio, livros e videogames são responsáveis por continuar o legado das aventuras de Holmes e de seu fiel parceiro, o Dr. John Watson. Conheça algumas delas:

Sherlock Holmes Baffled (1900)

O primeiro filme a retratar o personagem tem apenas 30 segundos de duração, sendo produzido para rodar em um mutoscópio. A curta trama, dirigida pelo norte-americano Arthur Marvin, mostra Holmes sendo tapeado por um habilidoso ladrão que consegue sumir e aparecer à vontade. Na época, esta foi uma demonstração do truque de filmagem conhecido como stop trick

Basil Rathbone dá vida à Sherlock Holmes

basil rathbone como sherlock holmes
O ator caracterizou a imagem clássica do famoso detetive. Foto: Divulgação

Entre 1939 e 1946, o ator britânico Basil Rathbone deu vida ao detetive em 14 filmes, sendo os dois primeiros (O Cão dos Baskerville e As Aventuras de Sherlock Holmes, lançados em 1939) produzidos pela 20th Century Fox e o restante pela Universal Studios. A série cinematográfica trazia os atores Nigel Bruce como Watson e Mary Gordon como Sra. Hudson. Rathbone é considerado, por críticos e estudiosos, como o melhor intérprete de Sherlock Holmes.

Sherlock (2010)

Benedict Cumberbatch e Martin Freeman vivem Sherlock e Watson do séc. XXI na premiada série britânica. Foto: Reprodução/Instagram

Na televisão, uma das séries mais aclamadas é Sherlock. A produção da BBC, lançada em 2010, traz Benedict Cumberbatch na pele do acurado detetive e Martin Freeman como Dr. Watson. Criada por Mark Gatiss e Steven Moffat, a história é situada na Londres do século XXI. Sherlock  recebeu diversas indicações e prêmios como Globo de Ouro, Emmy, BAFTA Television Awards e Critics’ Choice Television Awards. Atualmente, as quatro temporadas estão disponíveis na Netflix.

O Xangô de Baker Street (1995)

Sherlock se perde nos encantos do Rio de Janeiro no livro de Jô Soares, adaptado para o cinema em 2001. Foto: Divulgação

Um violino desaparecido, orelhas decepadas e corpos deixados por um serial killer trouxeram Sherlock Holmes ao Brasil — chamado por ninguém menos que Dom Pedro II. Essa é a premissa de “O Xangô de Baker Street”, romance de Jô Soares publicado em 1995. O livro foi adaptado às telonas em 2001, dirigido por Miguel Faria Jr. O ator português Joaquim de Almeida vive o detetive, integrando o elenco que inclui Marco Nanini, Cláudia Abreu e Thalma de Freitas.

Aventuras de Sherlock Holmes (2002)

the devil's daughter
“Sherlock Holmes: The Devil’s Daughter”, lançado em 2016, é o título mais recente da franquia de jogos produzida pela Frogware. Imagem: Divulgação/Microsoft

Os mistérios de Sherlock também foram adaptados para os videogames. A série produzida pela Frogware é uma das principais sagas, que  conta com oito títulos lançados entre 2002 e 2016. Os episódios são baseados no livro de contos “As Aventuras de Sherlock Holmes”, mas cada jogo tem um enredo original. Jack, o Estripador e Arsène Lupin, personagem do escritor francês Maurice Leblanc fazem participações em alguns jogos da franquia que aumentará em 2021, com o lançamento de “Sherlock Holmes: Chapter One”. Confira o trailer.

Enola Holmes (2020)

No filme que chega às telas este ano, Sherlock tem uma irmã de 16 anos vivida por Millie Bobby Brown. Foto: Enola Holmes/Netflix/Divulgação

As aventuras de Holmes e Watson parecem ser inesgotáveis, mas a estrela deste filme, previsto para estrear em setembro de 2020, é Enola Holmes, a irmã adolescente do detetive. A história, baseada na série literária Os Mistérios de Enola Holmes, da escritora Nancy Springer, conta como a garota começou suas próprias investigações. O elenco conta com Millie Bobby Brown, que encarnará a detetive mirim, Henry Cavill como o icônico detetive e Helena Bonham Carter vivendo a mãe dos geniais personagens.

Sete filmes para maratonar no Dia do Cinema Nacional


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Capa do filme “Elena” de Petra Costa lançado em 2018. Foto: Reprodução/Espaço Filmes

No dia 19 de junho de 1898, o italiano Afonso Segreto filma a Baía de Guanabara e os arredores do Rio de Janeiro, pelas lentes de uma câmera Lumiére, à bordo de um navio francês. A história não passa de uma lenda, já que as filmagens de Afonso não foram encontradas por historiadores até hoje. Mas, o fato é: os irmãos Afonso e Paschoal Segreto se tornaram grandes empresários do ramo de entretenimento no Rio de Janeiro, no início do século XX. Aos poucos, a produção cinematográfica brasileira foi se fixando no mercado interno, a partir de grandes movimentos nacionais, como as Chanchadas e o Cinema Novo entre os anos de 1960 e 1970. 

Na atualidade, o cinema nacional ganha outra roupagem. Com uma difusão ainda maior, consegue alcançar públicos internacionais. Em 2019, os filmes “Bacurau” dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles e “A vida Invisível” de Karim Aïnouz, ganharam evidência ao serem selecionados para participar do Festival de Berlim. “Bacurau’’ levou para casa os principais prêmios do Festival de Cannes, entre eles os de melhor interpretação masculina e feminina, melhor roteiro, melhor diretor e a Palma de Ouro, maior categoria da premiação .

Assim, para comemorar o Dia do Cinema Nacional,  indicamos cinco filmes, dos mais variados estilos e épocas, para você assistir e conhecer mais sobre as produções cinematográficas nacionais. (Você pode ver nossa última lista de filmes indicados aqui)

Amores de Chumbo (2018), de Tuca Siqueira 

O longa metragem de Tuca Siqueira, Amores de Chumbo (2018) retrata um triângulo amoroso com personagens da terceira idade marcados pelo período da ditadura militar. O filme acompanha o aniversário de casamento de Miguel e Lucia, que se conheceram na época da repreensão militar. A personagem Maria Eugênia, amiga do casal, que estava exilada na França, retorna ao Brasil para rever os amigos e reacende o ardor da paixão de viveu com Miguel no passado. Amores de Chumbo é um filme singelo e que fala sobre relacionamentos não resolvidos e tempos difíceis. O longa mostra que mesmo com o passar dos anos e as experiências ruins da vida — principalmente de um momento sentimental que modificou a vida social e política de forma brusca —, o ser humano continua pronto para viver momentos incríveis e dias melhores.

Big Jato (2015), de Cláudio Assis

O drama acompanha Francisco e seu pai, que utilizam um caminhão pipa chamado Big Jato, para limpar as fossas da cidade sem saneamento básico. Porém, o menino se interessa mais pela personalidade do tio artista e libertário. A partir disso, Francisco descobre sua vocação para ser poeta.

Bingo: o rei das manhãs (2017), de Daniel Rezende

A cinebiografia conta a história de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do personagem Bozo no programa homônimo na década de 1980. Apesar da fama por ser o palhaço mais conhecido da época, Barreto não recebia reconhecimento por sempre trabalhar fantasiado. Sua frustração o levou a usar drogas antes de fazer suas apresentações na TV.

Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto

Dona Flor é casada com o apaixonado e carinhoso Vadinho, mas fica viúva e começa a sentir falta do casamento. Logo, Dona Flor se casa com o médico Teodoro, que é o oposto do seu antigo marido. Enquanto Dona Flor está casada com Teodoro o fantasma de Vadinho aparece e esquenta a relação.

Elena (2013), de Petra Costa 

Ao viajar para Nova York, Elena segue o sonho de se tornar atriz de cinema e deixa no Brasil uma infância vivida na clandestinidade, devido à ditadura militar implantada no país, e também a irmã mais nova, Petra, de apenas sete anos. Duas décadas depois, Petra, já atriz, embarca para Nova York atrás da irmã. Em sua busca Petra apenas tem algumas pistas, como cartas, diários e filmes caseiros. Ela acaba percorrendo os passos da irmã até encontrá-la em um lugar inesperado.

O menino e o mundo (2013), de Alê Abreu

Uma criança mora com os pais em uma cidade no interior. Um dia, seu pai vai em busca de trabalho na cidade e os dias do garoto ficam tristes e confusos. Até que um dia o menino junta as malas e vai em busca do seu pai. Assim, o  garoto descobre  uma cidade marcada pela pobreza e exploração do trabalho.

Os Fuzis (1964), de Ruy Guerra

Em um cenário de grande fome no nordeste brasileiro, um grupo de soldados tentam impedir que o povo faminto do sertão baiano saqueie o depósito de comida da região.

Café Colombo Indica: 6 filmes que você precisa assistir

A lista de filme se adapta a vários gêneros com obras brasileiras à francesas

Nós, da equipe do Café Colombo, somos como você e também passamos horas para escolher um filme. Pensando nisso, preparamos uma lista com recomendações de que vão do gênero dramático à comédia para te auxiliar nesse momento de isolamento social. Confira as indicações:

A Cidade onde Envelheço (Marília Rocha, 2016)


O filme que traz as deleitações e as aflições das mudanças, além  da vivência longe de casa é a indicação da nossa editora e repórter Sarah Coutinho. “A Cidade Onde Envelheço”, para Sarah, é uma das melhores narrativas  já assistidas por ela. “Quando nos referimos à temática de pertencimento dentro de um contexto marcado por conexões entre as pessoas e, principalmente, a identificação entre o sujeito (o eu) e o externo; o mundo – o longa consegue reunir todos esses aspectos em torno de uma narrativa deliciosa, delicada, incisiva e poética”,menciona.

Clímax (Gaspar Noé, 2018)

Essa é a indicação da repórter Dayanne Jeniffer. O filme conta a história de um grupo de dançarinos urbanos que se isolam em um internato e ensaiam  para uma apresentação. Na festa de comemoração do término dos ensaios, acontece o uso de drogas e muitos dos dançarinos se veem no inferno enquanto outros passeiam pelo paraíso. “O filme é profunda loucura e admiração. Ele nos diverte nos primeiros trinta minutos com os ensaios de dança (principalmente, se você gosta de observar esses tipos de apresentação). Na segunda  parte do longa, você mergulha nas inúmeras conversas dos dançarinos sobre os ciúmes e as dores dos dançarinos. Os diálogos engatilham para o último “ato” que se desenvolve a partir de um plano sequência marcado pela euforia, perturbação e animação. Os nossos sentidos se perdem no conjunto de vários sentimentos que vão sendo levados através da câmera e do som. Em uma hora e trinta e sete minutos, mergulhamos em beleza e em ódio, nos colocando, de fato, em um mix de climaxes. Isso torna a narrativa muito mais interessante e instigante”, diz a repórter.

Jovens, Loucos e Rebeldes (Richard Linklater, 1993)

A repórter Laís Guedes optou por indicar o segundo filme do diretor de Boyhood (2014) e Escola de Rock (2003), “Jovens, loucos e rebeldes”. Laís menciona que, é um dos maiores clássicos dos filmes de colegial. “Dazed and Confused é divertido e despretensioso, perfeito para os dias de tanta tensão que vivemos. Podemos ver jovens atores como Matthew McConaughey, Mila Jovovich e Ben Affleck em ascensão, além da evolução do próprio Linklater, responsável pela fluidez dos diálogos e da narrativa, que é um retrato fiel da época. A trilha sonora escolhida a dedo é o toque final que nos faz imergir no ambiente do filme”, acrescenta. 

Noites de Lua Cheia (Éric Rohmer, 1984)

A indicação do colunista Thiago Muniz faz parte da série de filmes “Comédias e Provérbios” do diretor Éric Rohmer. “Noites de Lua Cheia” possui uma narrativa que acompanha uma jovem que mora no interior com seu namorado, mas que mantém um apartamento no subúrbio de Paris como um símbolo de sua liberdade. Thiago nos conta que o filme é leve, divertido e traz como tema principal o amor e as idiossincrasias humanas que causam conflitos ao lidar com ele. “Pode ser encontrado em plataformas de Streaming como o Belas Arte Á La Carte”, destaca.

Retrato de Uma Jovem em Chamas (Céline Sciamma, 2019)

A obra da diretora francesa, “Retrato de Uma Jovem Chamas”, é a indicação de Bianca Torres, nossa editora de vídeos. “Marianne é contratada para fazer uma pintura de Héloïse sem que ela saiba. Ao ter que analisar cada detalhe da mulher, a pintora e sua musa se veem cada vez mais próximas de um vínculo profundo e romântico. O longa-metragem segue um ritmo calmo e poético, algo que o roteiro e a direção de Sciamma se destaca por completo com sua delicadeza e unicidade ao retratar um relacionamento lésbico com legitimidade e sem fetiches. É uma obra necessária em que conseguimos admirar toda a beleza cinematográfica e poética além de analisar todo o cenário de representações dentro do cinema”, expõe Bianca.

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, 2009)

O filme indicado pelo colunista Gabriel Vila Nova retrata a viagem de um geólogo que precisa atravessar o sertão nordestino e desenvolve sensações de vazio, abandono e até mesmo de solidão, que tornam sua viagem cada vez mais difícil. “Como narrativa do filme os diretores optaram pelo espectador enxergar pelos olhos do próprio protagonista, que não aparece fisicamente no filme. Dessa forma, toda a atuação é realizada tendo como ferramenta apenas a voz. Mas não se engane com o título, não é uma história de amor tradicional, o filme tem uma grande carga melancólica e de saudade e é nisso que reside a sua beleza. Lembrando que a Cinemateca Pernambucana disponibiliza esse filme em seu acervo”, comenta.

Café Colombo Indica: 7 álbuns para ouvir na quarentena


Abolerado Blues
(Cida Moreira, 1983)

Dist. Lira Paulistana/Continental

A indicação do nosso editor e colunista Luiz Ribeiro é Cida Moreira. “Abolerado Blues é um disco de 1983, da cantora, compositora, pianista, atriz e dramaturga Cida Moreira. Conhecida por uma obra consistente e por uma performance crua e sincera, que não deixa nada a desejar a nomes que vão de Belchior à Chavela Vargas e Edith Piaf, Moreira lança, com o “Blues”, o seu LP mais bem gravado e coeso: dele, vale a pena destacar “Surabaya Johnny”, faixa de abertura que marca o seu trabalho como tradutora do dramaturgo alemão Bertolt Brecht e precede o “Cida Moreira Interpreta Brecht”, de 1988; e “Traçado”, de Tico Terpins e Zé Rodrix: com sua letra dramática e nostálgica, introdução e andamento jazzísticos, toma como música incidental “Take Five”, do saxofonista Paul Desmond. Um dos melhores álbuns dos anos 1980, “Abolerado Blues” segue, apesar do seu apelo impavidamente pop, desconhecido do grande público”, comenta. 

Caixinha de Música
(Vanessa da Mata, 2017) 

Dist. Sony Music

Do romântico ao sofisticado, o álbum indicado por nossa editora Sarah Coutinho, “Caixinha de música”, lançado em 2017, da escritora, compositora e cantora brasileira Vanessa da Mata reúne alguns dos seus maiores sucessos: Amado, Segue o Som, Boa sorte/Good Luck e Vermelho. Além dos Hits, as composições Gente feliz e Caixinha de Música incorporam à singularidade ao restante das outras faixas. “Fui ao show dessa grande artista no Festival de Inverno de Garanhuns. O disco, na época, estava saindo do forno. A nova roupagem dada à ‘Vá para o Inferno com o seu amor’, música gravada por José Rico e Milionário e também por Chitãozinho e Xororó, reflete o brilhantismo presente no disco. Todas as músicas, as novas e as mais antigas, possuem um toque especial “à la Vanessa”. Vale a pena dar uma conferida!”, pontua.

Carnaval na Obra 
(Mundo Livre S/A, 1998)

Dist. Abril Music

A banda recifense Mundo Livre S/A formada por Fred Zero Quatro, Pedro Diniz, Xef Tony, Léo D e Pedro Santana, publica o disco “Carnaval na Obra” em 1998. Disco de teor político, com problemáticas vívidas e recentes referentes ao Brasil e aos seus preconceitos, também representa um ponto de transição entre o analógico para o digital na época. A indicação é da repórter Laís Guedes, que afirma: “Em Carnaval na Obra, meu álbum favorito da icônica banda pernambucana, encontramos a mistura de ritmos e a originalidade do manguebeat aliados à temáticas sociais da conturbada década de 1990. Entre hits, experimentalismo e discussões acerca da globalização e da tecnologia, o álbum é uma joia rara da música brasileira.”

Desempena
(Almério, 2017)

Dist. Biscoito Fino

Lançado em 2017, o disco Desempena foi vencedor do Prêmio Música Brasileira  em 2018 e é a recomendação da nossa repórter Dayane Jeniffer. “O segundo álbum do cantor e compositor Almério é a descoberta da melancolia com tons de saudade. O disco vem de forma bruta, como um sentimento incubado que precisa ser descoberto e demonstrado, já na primeira música título do álbum.” A respeito da intensidade das emoções do cantor no disco, Dayane pontua: “Almério mergulha com um violão forte e com uma voz potente que nos força a se identificar em várias canções, entre elas, e a minha preferida, a faixa Segredo. O álbum também é recheado da produção e dos toques do baixo de Juliano Holanda e composição de Isabela Moraes e Valdir Santos.”

Matriz  
(Pitty, 2019) 

Dist. DeckDisc

Pitty se reconecta às origens para celebrar a metamorfose em “Matriz”, álbum lançado em 2019. Indicação da nossa colunista Ana Karoline Nascimento, ela diz que “a cantora baiana abre as portas para uma nova fase que pode soar distante para alguns, mas cristaliza algo que fez parte de toda sua carreira: a coerência mesmo na hora de arriscar”, e finaliza “Pitty voltou-se à Bahia e às suas convicções para fazer algo que sempre deixou claro que é tão forte: a vontade de mostrar coisas novas ao seu público. O álbum conta com participações de outros artistas como Baiana System, Larissa Luz e Lazzo Matumbi, além de um lindo cover da banda Maglore.”

Quando o Canto é Reza
(Roberta Sá e Trio Madeira Brasil, 2010)

Dist. Universal Music Group

Lançado em 2010, “Quando o Canto é Reza é resultado da imersão de Roberta Sá e do Trio Madeira Brasil na obra do cantador e compositor baiano Roque Ferreira. Do recôncavo baiano, Roque é considerado um dos grandes mestres atuais do samba-de-roda. Com uma musicalidade madura, o álbum contempla referências do coco, ijexá e ritmos afro-brasileiros. Além disso, conta com uma atmosfera que muito se assemelha a do grandioso Caymmi, aquela da Bahia de todos os santos. Potente, o álbum nós traz narrativas do amor e de uma cultura que nos é muito íntima – ou ao menos deveria. Sons e imagens que passeiam pelo imaginário de uma possível cultura brasileira”, pontua nosso editor e colunista Dyego Mendes. 

Revoredo
(Alexandre Revoredo, 2020)

Dist. Tratore

O disco acabado de sair do forno para o mundo: Revoredo, é a indicação do nosso colunista Gabriel Vila Nova. “O álbum “Revoredo”, de Alexandre Revoredo, lançado na última sexta-feira (27) é uma bela rima entre a poesia e a música. O artista, que é de Garanhuns, já pode ser considerado um veterano no universo das artes. O álbum é o passo (de pé direito) em sua carreira solo. O disco é repleto de delicadeza e poder e tem produção musical de Juliano Holanda, outro músico e poeta envolvido na produção musical de outros belos trabalhos da música popular pernambucana. O disco ainda conta com a participação de Stephany Metódio, Jr. Black, Rubi, Antônio Marinho e Gabi da Pele Preta”, destaca. 

Curtiu a lista? A equipe do Café Colombo produziu uma playlist, exclusivamente, para você com algumas músicas dos nossos discos selecionados. Aproveita! Clica no nome “playlist” e se delicie!

(Produção das imagens: Laís Guedes)

miró da muribeca

Café Colombo indica: 6 escritores pernambucanos que você precisa conhecer

Para encerrar nossa semana de literatura, o Café Colombo reuniu uma seleção de escritores, entre clássicos e contemporâneos, de poetas a jornalistas. Confira abaixo:

Fabiana Moraes

fabiana moraes
Imagem: Reprodução

Fabiana Moraes, jornalista, escritora e professora universitária, é indicação de nossa editora de vídeos Bianca Torres. “Fabiana possui um olhar único ao observar o nosso estado, nossa nação. Sua preocupação de fugir dos estereótipos regionalistas é sua principal marca, sempre se esforçando para mostrar que nossa visão acaba sendo rasa comparada ao conteúdo imensurável que temos no Sertão, por exemplo.”

Os Sertões, publicado em 2010, é a indicação de Bianca, que comenta: “Nesse livro-reportagem, ela revisita Os Sertões de Euclides da Cunha, indo além e nos mostrando personagens que uma vez nunca passariam percebidos na nossa mente antes recheada de estereótipos. A leitura é extremamente necessária para abrir os horizontes da nossa mente, escapando de qualquer tentativa de caracterizar uma narrativa que a mídia padronizada sempre busca dentro do sertão. A escrita de Fabiana também é algo que nos prende, nos cativa e nos instiga a ir para a próxima página rapidamente. Ao ler suas palavras e analisar as fotografias de Alexandre Severo e Heudes Régis, você é convidado a viajar pelas estradas alaranjadas em suas companhias. Os Sertões é uma aula excepcional na qual todos deveriam ter uma vez na vida.”

Helder Herik

helder herik
“Não sei 
mas adivinho 
 se não existe 
 invento 
 se chover 
 eu sol” 
Hh
Imagem: Acervo pessoal

Poeta, autor de livros infantis e professor, Helder Herik é a indicação de Hellen Gouveia, social media do Café. “O conheci em aulas de filosofia e logo conheci seus poemas, em Garanhuns, interior do Agreste. Helder e sua barba, que marca seu visual característico e suas frases e aforismos, levam a mente à diferentes pontos de inflexão. O autor é minha indicação, juntamente com seu sexto livro, ‘A loucura como estratégia de sobrevivência’, ilustrado por Lorrayne Johanson, que tem previsão de lançamento para o 2° semestre de 2020.” 

Sobre sua nova obra, Helder comentou: “São textos que exaltam a loucura libertadora de artistas rebeldes e pensadores livres. Os textos mais reflexivos têm influência em Erasmo de Roterdã com o seu Elogio da loucura. Já os textos mais humorados trazem a influência da Bíblia do caos, do Millôr Fernandes.” Seu livro O menino mais estranho do mundo está disponível para download gratuito.


Manuel Bandeira

manuel bandeira
Imagem: Reprodução

“Manuel Bandeira é um dentre os tantos escritores que marcaram a literatura brasileira, tendo ocupado a cadeira de número 24 da Academia Brasileira de Letras. É Recifense e sua infância na capital pernambucana é algo bastante presente na sua poesia, o que também permeia sua obra de certa melancolia. Embora seja visto como figura importante no modernismo e na Semana de Arte Moderna de 22, discordava da atitude de rejeição generalizada à literatura mais clássica. Portanto não desprezou o soneto, nem a rima, embora também tenha tomado como forma poética o verso livre e a linguagem do cotidiano.”

A indicação é do colunista Gabriel Vila Nova, que também acrescenta: “Além do lirismo, da melancolia e da sensualidade de seus versos, o que gosto de Bandeira é que não se restringiu a um só movimento poético. Sua obra tem influências simbolistas e até românticas, mas também modernas e livres. Ele transitou entre a originalidade moderna e a métrica lírica, entre o cotidiano irônico e o passado melancólico. Ao meu ver, um poeta completo, diverso e único.”

Matheus Rocha

matheus rocha
Imagem: Reprodução/Facebook

“Nascer é outro modo de Ulisses enfurecer Polifemo: também aqui, Ninguém cegou um mundo inteiro. Era ninguém, e era desesperador ser ninguém: sem rosto, só grito”. Matheus Rocha, escritor natural de Garanhuns, é a indicação de Luiz Ribeiro, editor do Café Colombo: “Seu segundo livro, “a vida útil do fim do mundo” – assim mesmo, sem maiúsculas -, lançado em 2017, é uma dessas pérolas que temos a sorte de encontrar no mundo da literatura.

Bastante influenciado por Raimundo Carrero, Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu, Rocha nos presenteia com onze contos sobre os enigmas da existência. Em 2018, escrevi uma coluna sobre seu livro para o antigo portal do Café. Eis um trecho: “A dor, aliás, permeia a obra do começo até o fim, em formas e impressões bem diferentes: observamos a dor do nascimento, a dor de não ser quem se pretende ser, de estar só em um país que não o seu, a frustração da rotina e, por último, a dor e a estranheza da melancolia carnavalesca”. A entrevista com o escritor para o Café Colombo, veiculada em 2018, está disponível aqui.

Miró da Muribeca

miró da muribeca
Imagem: Priscila Buhr/Facebook

O poeta recifense João Flávio Cordeiro da Silva, conhecido como Miró da Muribeca, é a indicação da editora Sarah Coutinho. “Todos nós precisamos passar por uma experiência com esse poeta. Uma experiência de imersão em suas narrativas mesmo. Posso afirmar que ele é um dos principais poetas independentes da contemporaneidade e lembro-me exatamente do momento em que o conheci. Ele recitava a poesia: “Janela de ônibus” em um vídeo criado pela Asa Amiga Filmes, uma produtora de Recife. Para mim, Miró não é só texto. É alma, é interpretação, é sentido. Suas poesias transcendem as palavras, mexem com você e com os seus pensamentos. Talvez, em uma oportunidade de conversa com o mesmo, poderia até lhe dizer: Miró, você “[…] é danado pra colocar a gente pra pensar, ainda mais quando a viagem é longa.”

Pedro Irineu Neto

Imagem: Divulgação/Facebook

A repórter Anna Clara Oliveira indicou o escritor recifense que é fã dos clássicos da literatura. “Pedro Irineu Neto ganhou meu coração quando li seu primeiro livro “Pelas mãos das suas Amadas”. Ele concorreu ao prêmio Machado de Assis de Literatura, no ano de 2013. Entre os romances policiais escritos por Agatha Christie, Georges Simenon, Arthur Doyle e outros, o Pedro sempre será o que mais gosto”.

Café Colombo indica: 10 livros para ler durante a quarentena

Autora: Laís Guedes
Coautora: Sarah Coutinho

Para conter a pandemia do coronavírus, estamos passando mais tempo em casa. Por isso, colunistas e repórteres indicam alguns de seus livros favoritos na primeira edição do Café Colombo indica, que também abordará cinema, música e outras formas de arte. Confira a seleção abaixo:

Anjo Negro, de Nelson Rodrigues (1946)

anjo negro
Nova Fronteira, 2012

“”Ismael e Virgínia – ele negro, ela branca – parecem viver em desgraça: seus filhos morrem precocemente e de uma forma inexplicável”. Esse é o mote central para Anjo Negro, uma das peças mais polêmicas de Nelson Rodrigues, escrita em 1946 e montada, finalmente, em 1948, sob forte jugo da censura varguista. Nunca é demais descobrir e redescobrir um dos melhores escritores e dramaturgos do país”, define nosso editor Luiz Ribeiro.

 

Como a música ficou grátis, de Stephen Witt (2015)

como a música
Intrínseca, 2015

O jornalista Stephen Witt conta a história da música pirateada, desde os criadores do mp3, passando por uma fábrica de CDs e pelos grandes executivos da indústria da música. “A leitura é essencial para quem se interessa pela história da música e da internet, além de ser construída como uma trama divertida e envolvente”, comenta a repórter Laís Guedes.

 

O Conde de Monte-Cristo, de Alexandre Dumas (1844)

o conde de monte cristo
Clássicos Zahar, 2012

A trama narra as aventuras de Edmond Dantés, que é preso injustamente e busca vingança após dar a volta por cima. Para a colunista Thamara Amorim, “não há melhor hora para ler um livro de mais de 1000 páginas! Ainda que haja certa inquietação em estar de frente para um calhamaço de tamanho peso, a autoria de Dumas garante um romance completo, dos mais novelescos, sem jamais deixar de ser filosófico e esteticamente agradável. Os personagens, apesar de muitos, são extremamente bem construídos e há vários diálogos ímpares: o resultado disso é uma narrativa bastante imersiva e as inúmeras reviravoltas prendem o leitor até a última (memorável!) linha, a despeito do número de páginas. Perfeito para esses dias de tanta ansiedade! De fato, um livro para rir e chorar, além de ser, sem dúvidas, um dos maiores clássicos da literatura.”

 

Homo Deus: Uma breve história do amanhã, de Yuval Noah Harari (2015)

homo deus
Companhia das Letras, 2015

Ciência, história e filosofia são componentes essenciais para entendermos a humanidade e os seus preceitos. O autor Harari foi indicado pela segunda vez dentro da nossa equipe e, dessa vez, pela colunista Ana Karoline Nascimento. “Homo Deus é permeado por muitas referências históricas, literárias e culturais. É de onde surgem muitas de suas indagações, porque dialogam com o mundo real e o passado ao invés de especular tão livremente, a ponto de parecer um mero devaneio. Harari parece estar bem mais preocupado em procurar entender as condições históricas do desenvolvimento humano futuro do que em propor um modelo de substituição do homem pela tecnologia”, afirma.

 

Maus, de Art Spiegelman (1986)

maus
Quadrinhos na Cia., 2005

A graphic novel narra a história de Vladek Spiegelman, pai do autor, polonês sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz. “Um experiência de leitura incrível. Foi um dos melhores quadrinhos que tive a oportunidade de ler. Me arrematou desde o início. A história é 100% baseada na vivência e no relato do autor e, isso, por si só, torna a narrativa mais densa. Aprendi muito. Acredito que é uma leitura necessária e precisa para entendermos o contexto de épocas ditatoriais, como é o caso do livro, e para fazermos reflexões a respeito da dignidade humana em tempos obscuros, sejam eles recentes ou não”, analisa a editora Sarah Coutinho.

 

Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski (1864)

memórias do subsolo
Editora 34, 2009

O clássico do escritor russo apresenta um homem irônico e recluso que vive no subsolo e deprecia várias personalidades do seu século, pessoas que convive e a si mesmo. O colunista Thiago Henrique Muniz fala mais sobre sua indicação:  “Na primeira parte, o livro expõe uma prosa subjetiva, como se o personagem vomitasse seu pensamento e suas inquietações a respeito das ideias e teorias que predominam no em sua época, sejam filosóficas, políticas ou sociais. Ele coloca a si mesmo como um intelectual decadente, fruto dessa sociedade da decadência, e se autointitula “um camundongo de consciência amplificada”. Na segunda, o personagem narra os episódios de sua vida, esse homem paradoxal, como ele mesmo se diz. Aqui, todas aquelas teorias discutidas, e posturas frutos de zombarias irônicas, são expostas em forma de ações e situações vividas em seu passado. Um excelente, e curto, livro para se ler na quarentena, de um homem que vive um isolamento autoimposto.”

 

Pela Mão de Alice, de Boaventura de Sousa Santos (1994)

pela mão de alice
Almedina, 2013

Uma recomendação da nossa repórter Anna Clara, em Pela Mão de Alice, o professor Boaventura de Sousa analisa as questões mais ínfimas e as problemáticas da pós-modernidade. “É um livro que fala sobre os diferentes modos básicos de viver em sociedade em meio aos processos de transformações sociais. Na minha opinião, o livro faz uma breve leitura da sociedade que estamos inseridos e dos momentos que estamos vivendo. O livro trás temáticas como solidariedade, democracia, comércio justo, preservação ambiental, direitos humanos e outros temas importantes. É um livro pra aprender e crescer, como pessoa mesmo”, acredita. 

 

A Revolução dos Bichos, de George Orwell (1945)

a revolução dos bichos
Companhia das Letras, 2007

A fábula satírica conta a história da revolução dos animais contra as formas de exploração causadas pelo Sr. Jones e sua família. Porém, os mandamentos iniciais da Revolução acabam se perdendo e os porcos acabam tomando o lugar de opressor, que antes era humano. A repórter Dayane Jeniffer pontua: “O livro trás de forma lúdica uma abordagem sobre a Revolução Russa, a partir de uma metáfora muito bem conectada, envolvente e simplória. Além de mostrar como que rapidamente podemos ser traídos pelos nossos próprios ideais, uma vez que eles fundamentam o nosso ponto de vista e podem acabar nos fazendo seguir princípios alienadores. A Revolução dos Bichos ainda nos faz refletir sobre como pequenas coisas podem agravar um cenário político e como os dois lados da mesma moeda, ainda são parte da mesma moeda.”

 

Sapiens: Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari (2011)

sapiens
L&PM, 2015

Nosso colunista Gabriel Vila Nova indica Sapiens: uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari. “Foi um dos melhores livros que li em 2019. De fato é um livro sobre a história do Homem sob um olhar bem científico, mas a leitura é bem fluida e dinâmica, e analisa a história a partir de um olhar crítico. Leitura muito gostosa e ao mesmo tempo nos faz questionar sobre o Homem e o universo ao redor dele”, pontua.

 

Tia Julia e o Escrevinhador, de Mario Vargas Llosa (1977)

tia julia e o escrevinhador
Alfaguara, 2007

Vencedor do do Nobel de Literatura, Vargas Llosa apresenta um romance cheio de nuances e contradições. Tia Júlia e o escrevinhador transita no Peru, na Lima dos anos 1950 onde um jovem aspirante a escritor vive duas experiências que determinam seu destino: a primeira é o contato com o escritor Pedro Camacho; a segunda é o encontro com sua tia Júlia. “Grande livro! Passeia sutilmente pelo mais íntimo do humano. Atitudes e acontecimentos vão expondo a dubiedade  das relações humanas, as trocas e acordos sociais, com um leve toque de crueza”, comenta nosso editor Dyego Mendes.