Cin3filia: O mundo nerd no interior do Nordeste

Conversamos com João Soares, criador da página que já alcança mais de 145 mil seguidores de todo o país

Conversamos com João Soares, criador da página que já alcança mais de 145 mil seguidores de todo o país


João Soares, 21 anos, fala sobre cinema brasileiro, eventos e planos para o Cin3filia em entrevista ao Café Colombo. Foto: Arquivo Pessoal

João Soares, 21 anos, fala sobre cinema brasileiro, eventos e planos para o Cin3filia em entrevista ao Café Colombo. Foto: Arquivo Pessoal

Criado em 2015 como uma página sobre cinema, séries e cultura pop no Instagram, o Cin3filia cresceu e agregou site, eventos e reconhecimento rapidamente: em apenas 5 anos, já conta com 147 mil seguidores na rede social, além de colaboradores em  todo o país. João Soares conta sobre as experiências, os desafios e os próximos passos do projeto em uma conversa que você pode conferir completa aqui e também assistir no Instagram do Café Colombo.


Como é ter um site voltado para o cinema e a cultura geek no Agreste pernambucano?

Às vezes, as pessoas não  sabem que o Cin3filia está em Pernambuco, no interior, porque não abordamos tanto conteúdos locais. Culturalmente, o Brasil tem uma aversão grande ao cinema nacional, mas nós temos um grande amor pelo cinema pernambucano. Quando filmes como Bacurau (2019, dir. Kleber Mendonça Filho) alcançam muito sucesso, nós conseguimos abordar esse conteúdo. Mas como o Cin3filia já nasceu com a proposta de falar sobre todo tipo de cinema, ele acabou atingindo mais o cinema de Hollywood. Toda semana nós falamos sobre estreias, e isso direcionou o público às produções maiores. Mas também temos espaço para falar sobre cinema pernambucano e queremos investir em alguns projetos voltados a esse assunto.

Existe uma cobrança para que o site fale mais do cinema nacional e pernambucano?

Não temos uma cobrança muito grande no Cin3filia nesse sentido. Quando postamos algo do tema, são os dois extremos: ou há uma grande aversão ao cinema nacional, ou aparece muita gente para apoiar. Fizemos uma postagem muito legal falando sobre O Auto da Compadecida  (2000, dir. Guel Arraes) na época que houve a remasterização e a reexibição na Rede Globo e choveram comentários positivos sobre o cinema brasileiro. Só que, quando falamos sobre filmes que estão em circuito como Divino Amor (2019, dir. Gabriel Mascaro) e Bacurau, não conseguimos ter um movimento tão positivo quanto em filmes consagrados. O público local demonstra mais interesse, mas precisamos pautar o conteúdo relativo ao alcance. Entre produzirmos  um conteúdo que vai alcançar 10 mil pessoas e um conteúdo que vai alcançar 50 mil, a gente vai produzir o que vai alcançar 50 mil.

Quando postamos algo do tema, são os dois extremos: ou há uma grande aversão ao cinema nacional, ou aparece muita gente para apoiar.

O que você acha que falta para poder abordar o cinema brasileiro? É uma escolha do público ou a falta de conteúdo sobre o tema?

Eu acho que tem os dois lados, o do veículo produzir muito conteúdo seguindo a demanda, mas também de não oferecermos algo além do que o público poderia receber. É como se precisássemos forçar esses temas para que a galera também consuma, porque se nós não oferecemos, não vai surgir demanda. É um ciclo vicioso. Se nós falássemos sempre sobre cinema brasileiro, com certeza iríamos atingir um público e conseguiríamos criar um conteúdo mais focado para ele. Mas é complicado precisar trabalhar com o algoritmo do Instagram, que a gente precisa sempre oferecer um conteúdo que todo mundo quer ver, e não só o que um nicho quer ver.

Como funciona a distribuição da publicidade? Ser uma página do interior de Pernambuco dificulta o processo?

Para ter acesso às distribuidoras no Nordeste, a ação é terceirizada. Se as elas têm alguma ação, entram em contato primeiro com essa agências de marketing e só depois com a gente. Em São Paulo, que é onde estão concentradas as distribuidoras, existem dezenas de agências que vão entrar em contato com influenciadores específicos que têm a ver com esse tipo de conteúdo. E é por isso que nós temos um representante em São Paulo, porque se ficarmos limitados a esse contato indireto, não conseguimos acesso, porque é realmente fechado naquele circuito São Paulo-Rio.

Equipe do site na Sessão Cin3filia do filme Animais Fantásticos e Onde Habitam, realizada em Caruaru, 2016.
Foto: Sarah Teodósio

Como funciona a Sessão Cin3filia? Vocês pretendem expandir o evento para outras cidades, além de Caruaru?

A Sessão Cin3filia foi um das ações que a gente fez pra tentar regionalizar o Cin3filia, fazer com que ele atinja o público local com um conteúdo global. A intenção é produzir uma experiência diferente no cinema para os fãs, então nós trazemos cosplayers, produzimos os brindes, os quizzes. Gostamos muito de imergir no universo do fã e dos filmes que nós vamos conversar sobre. Temos vontade de expandir o evento, trazer cada vez mais para o interior, ir para Vitória, para Petrolina, mas é realmente bem complicado para levar cultura no geral, se deslocar e mobilizar cidades que não conhecemos. Por mais que o interior seja bem homogêneo no imaginário da galera, cada lugar funciona de uma forma, principalmente quando se trata de publicidade para divulgar essas sessões, além de questões legais. 

Quais serão os próximos passos do Cin3filia? Tem algum planejamento para o Agreste?

Nós queremos entrar no YouTube e produzir conteúdo, esse é o próximo passo do Cin3filia. Vamos entrar de cabeça e procurar sempre produzir e interagir por lá. Quando se fala nos próximos passos para o Agreste, pensamos em eventos e experiências. Nós vamos sempre pra CCXP em São Paulo, que é o maior evento de entretenimento nerd do mundo, e adoraríamos ter algo semelhante aqui. Então não importa se em Caruaru, Petrolina ou outras cidades da região, queremos montar eventos que entreguem essas experiências, que foquem nessa questão de filmes, séries, interação, brincadeiras. A ideia é que, junto com parceiros da região, a gente consiga produzir sempre esse tipo de evento e atingir os fãs.

João Soares, 21 anos, fala sobre cinema brasileiro, eventos e planos para o Cin3filia em entrevista ao Café Colombo. Foto: Arquivo Pessoal

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