Como Brigitte Bardot revolucionou o cinema nos anos 1950

Musa dos anos 1950, ícone do cinema e de beleza com suas curvas e seu estilo sensual. Escandalosa com sua atuação, aparecia quase nua em seus trabalhos, chocando o mundo conservador da época.

Brigitte Bardot em Viva Maria!, 1965 – Foto: Reprodução/IMDd

Brigitte Bardot, atriz e dançarina, completa 86 anos no dia 28 de setembro. Uma francesa com um Je ne sais quoi tipicamente parisiense. Criada em uma família de cultura tradicional, Brigitte Anne-Marie Bardot, teve uma criação extremamente rígida em sua infância. Seu pai, Louis Bardot, foi um industrial da alta burguesia, e casou-se com sua mãe, Anne-Marie, no ano de 1933.

Aos 15 anos de idade, em 1949, incentivada por sua mãe, Bardot iniciou a vida de modelo, estreando na revista Elle. O trabalho feito pela atual modelo chamou atenção de diversos profissionais, inclusive do cineasta Roger Vladim, que viria a tornar-se seu marido. Em 1952, aos 17 anos, apareceu pela primeira vez nas telinhas, atuando no filme “Le Trou normand”. No mesmo ano, após 2 meses de namoro, Brigitte e Roger se casaram.

Foi então que surgiu a Nouvelle Vague: um movimento artístico do cinema francês. A nova estética, que foi inspirada no neorrealismo italiano, começou a crescer fora da França. Roger, apostando nessa estratégia, escalou Brigitte para o papel principal do filme “E Deus Criou a Mulher”, gravado no ano de 1956. Ficou mundialmente famosa aos 23 anos, em 1957. Neste período ela passou a ser conhecida pelas suas Iniciais B.B. A partir daí, a atriz tornou-se o maior símbolo sexual de sua época. O filme, que contava a história de uma jovem moradora de uma cidade litorânea, causou grandes discussões e polêmicas. Porém, quando chegou aos EUA, estourou em bilheteria, e transformou BB em um fenômeno da noite para o dia.

E Deus Criou a Mulher, 1954 – Foto: Reprodução/Youtube

Em 1954, Brigitte Bardot fez tanto sucesso em “E Deus Criou a Mulher”, que a frase “E Deus Criou a Mulher… mas o diabo inventou Brigitte Bardot!” foi criada a partir de sua sensualidade apresentada no filme, que gerou muitas discussões, e acabou sendo proibido em alguns países, além de ter sido condenado pela atual Liga da decência católica.

Toda sua fama se deve a diversos fatores, tanto pessoais, quanto profissionais. Sua personalidade autêntica, e seus ideais modernos a fizeram ser considerada uma mulher à frente de seu tempo. Por conta disso, mesmo não ganhando nenhum prêmio importante no cinema, Brigitte recebia grande parte da atenção da imprensa americana – o que era bem incomum, visto que a imprensa dos EUA só dava foco a atrizes também americanas.

Era conhecida não só por sua ousadia e personalidade, mas também por seus looks ousados e seu jeito despretensiosamente sensual. Seu olhar marcado e seus cabelos longos e loiros, sempre soltos ou semi-presos, influenciaram uma geração de mulheres dos anos 50 e 60. Sempre era vista com roupas ou super comportadas ou extremamente sensuais – e era exatamente este o seu charme. Com seu jeito de se vestir, Brigitte deixou um legado de empoderamento, liberdade e naturalidade. Nos filmes, Bardot usava pouca roupa e foi a primeira mulher a aparecer sem meias nas telas, quebrando paradigmas e padrões estéticos.

O Príncipe e a Parisiense, 1957 – Foto: Reprodução/IMDb

Em “O Príncipe e a Parisiense” (1957), a atriz aparece em cena dentro de uma banheira, e exibe suas pernas.

O Príncipe e a Parisiense, 1957 – Foto: Reprodução/IMDb

Em 1958, Brigitte fez até uma cena de cinta-liga, um escândalo para a época.

Amar é minha profissão, 1958 – Foto: Reprodução/IMDb

De toalha, em “O Desprezo”, dirigido por Jean-Luc Godard, a atriz aparece deitada em uma cama falando ao telefone, em 1963

O Desprezo, 1963 – Foto: Reprodução/IMDb

E em 1969, apareceu nua em “Les Femmes”, ao lado de Maurice Ronet:

Les Femmes, 1969 – Foto: Reprodução/IMDb

Apesar de ter sido um Sex-Symbol nas décadas de 50 e 60, ela não se deu muito bem com a fama. A atriz disse em uma entrevista que ninguém pode imaginar até que ponto foi espantoso. Um calvário. Já não podia viver daquele jeito. Uma vez que, devido ao sucesso, era constantemente perseguida pelos Paparazzis.

Em 1973, BB anunciou a aposentadoria. Desde então, se dedica a causa animal. Em seu livro de memórias, Larmes de combat (Lágrimas de combate), ela escreve sobre sua luta pelos direitos dos animais, a criação de uma fundação que busca protegê-los e denuncia a caça, os zoológicos, o uso de pele e o consumo de carne de cavalo. Brigitte abriga animais resgatados em sua casa em Saint-Tropez, França. Segundo ela, eles são sua “família próxima”

Brigitte Bardot atualmente

Fotos: Reprodução/Instagram @brigittebardotbb

Além da personalidade ativista, Bardot continuou não seguindo regras e padrões de beleza impostos pela sociedade. Resolveu não fazer plásticas e deixou que a velhice tomasse seu rumo natural. Ainda assim, continuou a ser uma mulher forte, autêntica e, claro, continuou a andar fora do caminho comum, e a seguir seu próprio destino.

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