Fundação Viva Cazuza proíbe músicas do cantor em protestos antidemocráticos

A canção "Brasil", lançada em 1988, foi reproduzida em protestos pró-governo e contra o STF

A canção “Brasil”, lançada em 1988, foi reproduzida em protestos pró-governo e contra o STF


“Apoiamos a democracia e não atitudes violentas”, diz a nota assinada por Lucinha Araújo, George Israel e Nilo Romero. Foto: Divulgação

A Fundação Viva Cazuza divulgou uma nota proibindo a execução de músicas do artista em protestos antidemocráticos. Publicada na sexta-feira (8), foi motivada pela manifestação do último dia 3, que, segundo a matéria da Folha de São Paulo, teve a música “Brasil” como trilha sonora do coro que pedia o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso. Segundo o texto, “Brasil é uma música de grande importância na democracia brasileira e ser usada junto a gritos de ordem e cartazes que pedem o fim da democracia é inaceitável.”

A proibição foi amparada pelo artigo 29 da Lei de Direitos do Autor (Lei 9610/98), que delega ao autor a autorização do uso de sua obra para reprodução em qualquer meio. Além da fundação, presidida por Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, os também compositores da música George Israel e Nilo Romero assinaram a nota que apoia “a democracia, e não atitudes violentas”.

A postagem ainda destaca a importância do isolamento social recomendado pela Organização Mundial da Saúde: “Seguimos as orientações da OMS que recomenda que a população fique em casa, em isolamento, pensando no bem de todos, sendo solidários e trabalhando para diminuição do sofrimento e privação dos mais vulneráveis.”

Os protestos citados partem de apoiadores do governo de Jair Bolsonaro, que, em meio à pandemia da Covid-19, uma doença altamente contagiosa, insistem em se aglomerar e esbravejar contra as instituições democráticas do país. O presidente, que recentemente se encontrou com Major Curió, atual coronel da reserva e torturador que atuou na repressão à Guerrilha do Araguaia na década de 1970, já demonstrou diversas vezes que a defesa da democracia está longe de ser uma prioridade sua e de seus ministros.

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