Jane Austen: viva no cânone literário e na luta feminista

A autora faleceu dia 18 de julho de 1817, na Inglaterra

Ilustração de Jane Austen produzida pelo artista Lucas Santos. Foto: Divulgação/Lucas Santos.

Com mais de dois séculos após sua morte, Jane Austen (1775 – 1817) continua a ocupar um papel fundamental no cânone da literatura mundial. A escritora faleceu no dia 18 de julho, sendo vítima da chamada doença de Addison (DA). Jane apresentou em seus livros críticas sociais e contradições das relações humanas, pertinentes para a sociedade atual, tornando-se reconhecida como figura de grande representação e contribuição na tradição literária feminina.

A ponte estendida entre o romance e o realismo tornou  obras — que carregam protagonistas femininas de admiráveis personalidades — como Razão e Sensibilidade (1811), Orgulho e Preconceito (1813), e Emma (1815),  clássicos do universo literário.

Um dos aspectos característicos da romancista inglesa é a crítica ao estilo sentimental melodramático dos romances do século XVIII. A narrativa peculiar da autora faz de cada incidente e diálogo, peça fundamental em seus romances. O posicionamento dos seus personagens diante das relações afetivas e sociais desconstrói discursos acerca do feminino e da representação da mulher.

“Eu odeio ouvir você falar sobre todas as mulheres como se fossem excelentes damas em vez de criaturas racionais. Nenhum de nós quer estar em águas calmas durante toda a nossa vida.” Jane Austen – (Persuasão, 1818)

A subjetividade encontrada nos escritos da autora configura a questão da feminilidade de forma histórica e socialmente construída. Assim como a escritora britânica Mary Shelley, a artista brasileira Nair de Tefé, a jornalista e militante feminista Victoire L. Béra, e diversas outras mulheres que fugiam do prejulgamento e repulsão política-social,  que as obrigava a utilizar pseudônimos não-femininos para participar de atividades com viés criativo e cultural. Jane Austen proferia a desconstrução dos papéis femininos, inserida em uma época onde não era cabível à inserção de mulheres atuantes no campo da literatura.  

Com milhões de exemplares vendidos e servindo de inspirações para adaptações literárias e cinematográficas — como o filme de Burr Steers, “Orgulho e Preconceito e Zumbis” (2016) e o livro de Elizabeth Kantor, “A Fórmula do Amor” (2013) — as obras da autora são indispensáveis objetos de estudo por abordarem assuntos como o empoderamento e a liberdade feminina, sendo estes de grande relevância para os debates públicos.  

Devo ater-me a meu próprio estilo e seguir meu próprio caminho. E apesar de eu poder nunca mais ter sucesso deste modo, estou convencida de que falharia totalmente de qualquer outro. Jane Austen – (Orgulho e Preconceito, 1813)

As vozes das personagens criadas por Jane Austen representam  mais um dos gritos que denunciam a submissão da mulher, o artificial ideal de feminilidade e a contínua luta de mulheres que devem e querem estar livres de amarras sociais.

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