Literatura na pandemia: o mercado literário online no Agreste de Pernambuco

Criada em 2019, a Livraria Cafundó tem o intuito de difundir a literatura em Caruaru

Os donos da Livraria Cafundó Pablo Vithor e Natália Millena. Foto: Acervo Pessoal.

Decerto, o mercado literário brasileiro sofre de uma crise longa, que afeta livreiros e livrarias desde muito antes da pandemia. Porém, depois do fechamento de espaços públicos, devido à contaminação do coronavírus, as cidades ficaram sem lugares públicos de venda e empréstimo de livros, tais como, bibliotecas, livrarias e sebos. Além disso, muitos desses ambientes não conseguiram migrar para as plataformas digitais, fazendo com que algumas cidades perdessem temporariamente seu comércio local de livros. Em Caruaru, maior cidade do Agreste de Pernambuco, que tem apenas uma livraria física, a venda online de livros por livreiros locais não parou. A equipe do Café Colombo entrevistou os proprietários da Livraria Cafundó, Pablo Vithor e Natália Millena, situada em Caruaru, que vende livros novos e itens de papelaria para todo Brasil através de pedidos online via Whatsapp. No último mês de Julho, o projeto completou um ano. 

Abaixo, eles respondem perguntas do Café.

De onde surgiu a ideia da Livraria Cafundó? 

Pablo: A ideia da livraria surgiu quando eu comecei a vender alguns livros no meu perfil pessoal do instagram. Eu estava lendo muito e comprá-los custa muito dinheiro. Isso estava comprometendo uma parte da minha renda, e eu queria ter mais renda extra. Então, eu decidi comprar alguns livros e vender no meu próprio perfil pessoal e, as pessoas foram aderindo. Muitas vezes, meus próprios amigos, achavam um livro interessante, me pediam e fazíamos a entrega. Em julho, eu tive a ideia de criar o perfil da livraria, porque nós viamos que, em Caruaru, mesmo tendo uma livraria física, ainda era pouco para a cidade.  Não tinha ninguém fazendo  publicidade no meio digital, onde as pessoas realmente estão hoje em dia.  Portanto, eu vi esta oportunidade e acabei entrando.

A gente sabe que Caruaru tem um mercado literário muito pequeno. Nós só temos uma livraria física e a biblioteca municipal está fechada há mais de dois anos. Então, quais as dificuldades e oportunidades de trabalhar num espaço como esse?

Natália: Realmente este é o cenário literário atual de Caruaru. É uma pena que a única biblioteca que temos na cidade está sem funcionar há mais de dois anos. Nós temos uma enorme oportunidade nesse cenário porque somos a pioneira, e a única livraria que está no  meio digital. Temos um espaço grande para explorar, para dar assistência a todos estes leitores que estavam muito desassistidos, que não tinham a oportunidade de ir à uma livraria física. Logo, nós oferecemos essa possibilidade, para que o leitor possa fazer uma compra de forma mais fácil. Com relação aos desafios, eu acho que não é só um desafio da cidade. Nosso desafio é num todo. É chamar a atenção das pessoas, de forma geral, para que elas desenvolvam o hábito da leitura. E mostrar às pessoas, a importância da leitura.

Divulgação dos livros da livraria no Instagram. Foto: Acervo Pessoal.

De que  modo vocês acham que a literatura poderia ganhar mais espaço aqui em Caruaru?

Pablo: Nosso objetivo é despertar o interesse por livros. E, eu acho que as pessoas e o empresariado, devem tentar produzir conteúdo que desperte o interesse. Na gestão pública, eu acredito na introdução da leitura no infantil, porque o adulto ou adolescente,  tem hábitos que  estão arraigados neles. Uma maior introdução no infantil, a longo prazo, daria um resultado excepcional. Os colégios do município precisam dar mais assistência, fazer bibliotecas infantis e feiras de livros como a Fenagreste.

Natália: O que a gente torce muito também, é para que os clubes de leitura possam se expandir pela cidade. Temos vários objetivos, várias metas para introduzir o clube de leitura da Livraria Cafundó. 

Pude observar que a conta de vocês no instagram não é apenas comercial, vocês também publicam resenhas e vídeos no IGTV com curiosidades literárias. Como surgiu a ideia de criar um perfil como esse e como vocês acreditam que isso afeta positivamente nas vendas?

Natália: Acho que esse é o grande diferencial da nossa livraria. Não estamos apenas como perfil comercial,  só ligado à venda. Queremos, construir um ambiente de maior interação com o cliente.

Pablo: Quando estabelecemos que o nosso público alvo não seria os “super leitores”, queríamos despertar o hábito de leitura em novas pessoas. Como fazer isso? Trazendo conteúdo que chame a atenção delas e que gere o interesse de, pelo menos, começar a ler um livro. Acho que o primeiro passo é importante.

Natália: Nossos posts possuem esse diferencial. Tentamos fazer posts interativos, para que as pessoas possam comentar quais são os seus melhores livros e escritores. Tentamos fazer posts  criativos, com fotos, unboxings de livros e tudo isso vai chamando atenção, as pessoas vão curtindo, se familiarizado com o nosso jeito de trabalhar, e tem dado muito certo.

Pablo: A gente aposta nessa questão do conteúdo. Um conteúdo bom, excelente e relevante, traz mais gente para a livraria e, consequentemente, aumenta as vendas.

A pandemia trouxe uma crise enorme para o mercado, principalmente para aqueles que não migraram  para as plataformas digitais. Apesar disso, o comércio online não saiu imune. De que forma a pandemia afetou o trabalho de vocês?

Natália: O que afetou, foram os cuidados que tomamos de sempre estar higienizando os livros para a entrega. Temos todos os cuidados ao fazer o contato com o cliente. Mas a crise, de uma maneira geral, nos deu uma oportunidade, nos afetou positivamente:  passamos a vender mais, entregar mais livros, o que tomou uma proporção exponencial. Nos deu um tempo que não tivemos para focar mais na livraria e trazer mais conteúdo com uma relevância maior. Então, a medida que tivemos mais foco, vimos os resultados chegarem. 

Pablo: Acho que está muito relacionado às pessoas, nessa quarentena, terem ficado mais isoladas com muito tempo ocioso. Como preencher o tempo de ócio que essas pessoas estavam tendo? Obviamente que lendo mais. As pessoas procuraram a leitura como uma forma de se entreter e isso gerou um resultado positivo para a gente.

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