Melancolia e religiosidade na obra do poeta Alphonsus de Guimarães

Há 99 anos atrás, o escritor e juiz mineiro faleceu e deixa legado com poemas que marcaram o Simbolismo no Brasil
Alphonsus de Guimaraens: biografia, obras e poemas - Toda Matéria

Aphonsus de Guimarães é autor das obras ” Setenário das Dores de Nossa Senhora”(1899), “Dona Mística” (1899) e “Câmera Ardente” (1899). Foto: Divulgação

No dia 15 de julho de 1921, o escritor simbolista brasileiro Afonso Henrique da Costa Guimarães, com pseudônimo de Alphonsus Guimarães, faleceu na cidade de Mariana, em Minas Gerais. Com temas que envolviam a melancolia da morte da mulher amada e sua adoração ao catolicismo, o poeta criava sonetos rítmicos, no qual marcaram grandes obras literárias do Movimento Simbolista Brasileiro.

Filho dos comerciantes portugueses Albino da Costa Guimarães e Francisca de Paula Guimarães Alvim, Alphonsus nasceu no dia 24 de julho de 1870. Aos 17 anos se apaixona por sua prima Constança, filha do seu tio-avô,  escritor romântico do título “A Escrava Isaura”, Bernardo Guimarães. Com a morte da prima, vítima de tuberculose, ele acende uma amargura que logo mais é colocada em seus poemas. 

Em 1891, viaja para São Paulo e inicia a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Após isso, vai ao Rio de Janeiro para conhecer os poetas Cruz e Souza e Augusto dos Anjos, no qual se tornaram, também, os principais representantes do Simbolismo. 

Como reflexo de suas vivências, entre elas a perda de sua prima Constança e sua vivência religiosa nas cidades barrocas de Minas Gerais, modela seus textos de forma envolvente e musical. O poema “Ismália” é o principal da sua obra e também da escola literária no Brasil. A amargura, perda, devoção a símbolos religiosos e seu canto sereno, estão reunidos nos seus sonetos.

“Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar
Estava perto do céu,
Estava longe do mar
E como um anjo perdeu
As asas para voar
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar”

No ano de 1897, casa-se com Zenaide de Oliveira, com quem teve 14 filhos. Em 1906, ocupa o cargo de Promotor de Conceição do Ferro e em seguida o cargo de Juiz Municipal na cidade de Mariana em Minas Gerais. Alphonsus de Guimarães faleceu aos 50 anos, mas deixou grande legado para o movimento simbolista e grandes frutos com seus filhos Alphonsus de Guimarães Filho e João Alphonsus, também escritores.

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