Moda como essência cinematográfica no filme Emma (2020)

Indicada ao Oscar 2021, a obra de Jane Austen ganha mais uma versão com um figurino impecável e fotografia de tirar o fôlego

Os figurinos e sua relação com a fotografia são o ponto alto do filme de Wilde. Universal Pictures/Divulgação.

Dedicado leitor, eu já começo esse texto me defendendo e ressaltando, mais uma vez, a atuação de Anya Taylor-Joy, como fiz em minha última coluna. Sim, eu não tenho culpa se a atriz é impecável em tudo que faz e um dos nomes mais cotados para filmes atualmente. Juro que não estou fazendo de propósito.

Se você ama romances de época como a série Bridgerton (2020) ou Orgulho e preconceito (2005), vai se derreter assistindo Emma (2020). Dirigido por Autumn de Wilde e protagonizado por Joy (muito conhecido, também, por O gambito da rainha, 2020, da Netflix), a segunda versão para as telonas do romance de Jane Austen (1775-1817), renomada e famosa autora inglesa de obras como Amor e amizade (2016), deixa o espectador suspirando com sua fotografia e figurinos belíssimos. 

Emma Woodhouse é uma jovem destemida que decide a vida amorosa de todos ao seu redor, mas pouco se importa com a sua. A protagonista, que possui a admiração de todos ao seu redor, se vê em apuros quando sua amiga Harriet Smith (Mia Goth) recebe um pedido de casamento de um pretendente que, segundo Emma, não é muito qualificado. O enredo apresenta a garota convivendo com os dramas ao seu redor e a ideia de que nunca encontrará um amor para si mesma. 

Com imagens esteticamente agradáveis, cenários exuberantes e uma arquitetura de tirar o fôlego, o remake que mistura comédia e drama ganhou meu coração. Sou muito suspeita a falar deste filme, me considero uma grande fã de romances e suas adaptações, especialmente o longa Clueless (ou As patricinhas de Berverly Hills no Brasil), a versão moderna do livro de Austen, gravada em 1995, e o filme que assisti mais vezes em minha vida. Assim como em Cher Horowitz (Clueless), Woodhouse traz um figurino impecável, baseado em sua personalidade, com vestidos, chapéus e penteados alegres: não é à toa que, embora não tenha ganhado o Oscar deste ano, foi forte candidata a levar a estatueta na categoria de melhor figurino e maquiagem. 

Capa do longa-metragem Emma (2020). Universal Pictures/Divulgação.

Logo na cena inicial, vemos a personagem com um vestido branco e extremamente delicado. De muito bom gosto, foi uma das peças que mais desejei ter em meu guarda roupa. Em outro elemento da relação que o filme estabelece com o figurino, reparei logo de início que as vestimentas acompanham a fotografia e arquitetura do longa. Me surpreende a produção não figurar entre as indicações de Melhor Fotografia, pois foi um dos conjuntos de imagens que me deixou suspirando por horas, me lembrando muito o filme Maria Antonieta (2005), de Sofia Coppola. Conforme vai rodando, muitas vezes a direção e posicionamento da câmera fazem com que nossa percepção da cena mude de acordo com o conflito. 

Outro ponto importante é que, quando se está de dia, ou ao ar livre, os personagens vestem roupas mais coloridas. Quando se encontram no interior das mansões, usam cores claras, como branco e azul, acompanhando também a iluminação que é focada em tons claros de ar leve e romântico. Já durante a noite, vemos todos usando cores neutras, escuras e fechadas, onde a iluminação é feita a partir de velas e castiçais, deixando tudo escuro e apenas os atores iluminados.

Mas não só as roupas da protagonista são dignas de destaque. Todo o figurino, das coadjuvantes aos protagonistas, foi especialmente escolhido pelas mãos de Alexandra Byrne, já indicada cinco vezes ao Oscar por Melhor Figurino, e ganhadora de uma estatueta pelo filme Elizabeth: The Golden Age, estrelado por Cate Blanchett (Carol, de 2015). Byrne, em Emma, combinou a graciosidade da protagonista e seu poder aquisitivo em suas roupas. Para escolher o figurino, a estilista, que é especialista em roupagens de época, estudou fielmente as vestimentas da década, indo a museus na Inglaterra como o Victoria e Albert. O resultado foi uma  obra de arte em forma de moda, Emma é, dessa forma, um filme de época, leve, romântico e adorável, para assistir e desejar viver naquela época, em meio a bailes e vestidos graciosos. Encerrando meus comentários sobre o filme, é importante ressaltar que o longa nos presenteia com uma cena linda de Anya cantando e tocando piano, mostrando que sim, não existe nada que a atriz não possa fazer.

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