Projeto O Moderno Popular convida Siba em sua nova edição

Uma conversa sobre o Nordeste e as nuances entre o tradicional e o moderno

Por Anna Clara e Sarah Coutinho

Uma conversa sobre o Nordeste e as nuances entre o tradicional e o moderno

Siba na capa do seu disco “Baile Solto”, lançado em 2015, com referências do Maracatu. Foto: José Holanda/Divulgação

O projeto “O Moderno Popular”, está iniciando um novo ciclo, sendo retomado durante a quarentena de forma virtual. A nova edição traz como convidado o cantor e compositor Siba para conversar sobre “Quem é o Nordeste?”. O encontro será transmitido na sexta (22), às 20h, no perfil do instagram da jornalista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Fabiana Moraes, também coordenadora do projeto e mediadora da conversa. O projeto é uma ação do Observatório da Vida Agreste e conta com o apoio do Laboratório de Tipografia do Agreste (LTA) e do Núcleo de Comunicação (NDC) do Centro Acadêmico do Agreste (CAA). 

O pernambucano Sérgio Roberto Veloso de Oliveira, conhecido artisticamente como Siba, é conhecedor do maracatu rural e da poesia. Ao longo de 20 anos de carreira, desenvolveu um estilo musical singular, que ultrapassa as amarras da regionalidade. “Acho que Siba tem uma riqueza muito grande de análise e percepções sobre essas questões que são pensadas como regionais ou populares. Ele nos traz uma grande contribuição, uma discussão rica, já que está nessa área a mais de 20 anos sendo fustigado a comparecer ao lugar específico do regional”, comenta a jornalista. O Café Colombo também conversou com Siba sobre seu processo criativo nesse período de isolamento social e as diferenciações ainda feitas sobre moderno e popular no mercado musical. Para conferir a nossa entrevista, acesse aqui.

O Moderno Popular surgiu em 2017, na disciplina de Comunicação e Cultura Populares do curso de Comunicação Social do CAA com o propósito de discutir através da arte, a justaposição entre o tradicional/regional e o moderno/global.  

“Eu percebi a permanência de uma ideia de regionalismo muito associada ao Nordeste e até o mesmo ao Norte. Os outros locais como Sul e Sudeste são mais percebidos como nacionais. Não só pelo aspecto teórico nas leituras em relação a essa temática que é ampla, mas na interação com o próprio corpo discente. A questão sobre pensar a região e suas representações perpassa o núcleo design e comunicação social que são cursos que lidam com essas questões fortemente. Decidi fazer o projeto de extensão a partir  desse incômodo que não é novo, é uma questão quase “clássica” dos estudos de cultura”, menciona.

Com a intencionalidade de levá-lo aos lugares menos acessados de Caruaru e, mais que isso, para além do ambiente acadêmico; na edição passada, o projeto foi realizado no assentamento Normandia do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) localizado na cidade. Em 4 anos, as edições já tiveram as participações de nomes como os cineastas Marcelo Gomes, Gabriel Mascaro, Vincent Carelli, o poeta Miró da Muribeca, o artista do maracatu Mestre Anderson, a escritora Maria de Lourdes, a pesquisadora Maria Alice Amorim e o dançarino e performer Edson Vogue.

Fabiana destaca que, em meio aos retrocessos políticos e culturais no Brasil, seja pela falta de estímulos, incentivos e políticas públicas, pelo Governo, voltadas ao setor artístico:  “há um sol nascente no horizonte: acredito que a produção sobre Os Nordestes venha sofrendo mudanças positivas, e isso é reflexo de uma nova perspectiva. Ficou mais claro que trata-se de uma luta de poder, político e simbólico, e isso ajuda a desnaturalizar uma série de abordagens. O Moderno Popular, com seus sertões de plástico, cactos e crack, propõe ser mais um meio para alcançarmos uma pluralidade”, afirma.

COMPARTILHE

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp