“Quer ganhar uma foto?”: a reinvenção do trabalho de Eric Gomes

O fotógrafo natural de Recife divulgou ontem (18) as premiações dos sorteios


Fotografia tirada durante o encontro de Maracatus em Nazaré da Mata, no Carnaval.
Foto: Eric Gomes.

A campanha “Quer ganhar uma foto”, promovida pelo fotógrafo documental Eric Gomes, surge como autossustento e reinvenção do trabalho em tempos de pandemia. Intituladas por Rifa #1 e Rifa #2, ambas sorteiam duas fotos: A cidade é Nossa (2014) e Caboclo de lança (2014), os dois sorteios já foram postados no seu Instagram. A impressão dos prêmios é em fine art, no formato A3. O valor das rifas é de R$ 20,00 (vinte reais) cada, e ainda não há uma data prevista para a divulgação do resultado.

As entregas das premiações têm frete grátis para os ganhadores de Recife. Para os vencedores que não moram na cidade, a entrega será feita por intermédio dos Correios. Da ocupação do Estelita ao carnaval em Nazaré da Mata, suas fotos ficaram reconhecidas pelo público. A foto “A Cidade é Nossa” já esteve em exposição no FotoRio e durante os protestos, em 2014, foi fortemente compartilhada pelos apoiadores.

O profissional trabalha há 15 anos com fotografia e já desenvolveu trabalhos autorais, cursos e oficinas. Durante o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) em 2019, o fotógrafo ofereceu uma oficina de fotojornalismo para interessados na área. Gomes afirma que seu trabalho fotográfico “é de rua, de campo, seja no fotojornalismo, pesquisa, documental ou dando aulas nos meus cursos. E ficar em casa parado para mim não é uma opção.” Em tempos de pandemia, quatro dos seus cursos marcados para abril e julho deste ano em São Paulo foram cancelados.


O fotógrafo já participou de exposições coletivas no Brasil, Inglaterra, Bolívia e Nova York.
Foto: Acervo pessoal.

Além das rifas, três lives já foram organizadas com a temática “um bate-papo sobre fotografia”. As transmissões são nas quartas-feiras, e o quadro já recebeu a participação dos fotógrafos Thiago Henrique, Guy Veloso e Nayara Jinkins. “Viver do fazer fotográfico em Recife, pelo menos para mim, é algo que exige muito da invenção. E nesse período de quarentena não foi diferente. Mas exigiu que eu me lançasse por novos caminhos como a série de lives às 20h e, mais recente, as rifas. Elas começaram basicamente porque preciso levantar algum dinheiro”, menciona. 

Eric afirma que as lives são uma adaptação. Os encontros seriam em Recife, porém, com a chegada do coronavírus, foram convertidos para o formato de transmissões ao vivo. Na perspectiva do entrevistado, as lives e as rifas permitiram maior audiência para a divulgação dos seus trabalhos e das discussões realizadas. “Se antes eu ficaria restrito a convidar pessoas de Recife ou que estivessem em Recife, hoje, eu posso conversar com qualquer pessoa conectada à internet em muitas partes do mundo”. 

Ele acredita que o isolamento social é um momento necessário para o descanso e a preservação da saúde mental de todos, sem exceção. No entanto, como fotógrafo, está no processo de encontrar alternativas para reduzir os prejuízos acarretados pela COVID-19.