Ricardo Brennand morre aos 92 anos, vítima da COVID-19

Brennand faleceu no sábado (25), depois de passar uma semana internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)


Ricardo Brennand preservou e valorizou a memória cultural com as suas grandes coleções presentes no Instituto homônimo. Foto: Instituto Ricardo Brennand/Divulgação

O empresário, engenheiro, colecionador e amante da arte Ricardo Coimbra de Almeida Brennand faleceu na madrugada do sábado (25) no Real Hospital Português. Internado, desde domingo, após sentir alguns desconfortos pulmonares, o empresário testou positivo para a COVID-19. Ricardo, que faleceu aos 92 anos, deixa esposa, oito filhos, 23 netos, 48 bisnetos, uma tataraneta e um enorme legado ao patrimônio cultural, com seus acervos de arte e objetos resguardados no Instituto Ricardo Brennand.

O colecionador nasceu no município do Cabo de Santo Agostinho, na região do Grande Recife, em 1927. Formado em Engenharia pela Universidade Federal de Pernambuco, Ricardo criou sua marca Cimento Nacional, e investiu na área da energia eólica e hidráulica. 

Em 2002, Ricardo Brennand adquiriu uma área de 77 mil metros quadrados no bairro da Várzea, onde funcionava o engenho São João, para criar seu grande observatório de arte particular, titulado Instituto Ricardo Brennand. O instituto leva em seu nome uma homenagem ao seu tio homônimo, pai do artista plástico e ceramista Franscisco Brennand. Franscisco, primo de Ricardo, morreu no dia 19 de dezembro de 2019, devido a uma infecção respiratória.

No espaço do Instituto Ricardo Brennand, funciona o Museu Castelo São João (que segue o modelo da arquitetura medieval européia), a Pinacoteca, a Galeria de Exposições Temporárias e a Capela Nossa Senhora das Graças (feita em estilo gótico para a sua esposa). Dentro de alguns desses ambientes, existem algumas das maiores coleções do mundo. Entre elas, estão mais de 5 mil armas brancas, como facas e canivetes, além de tapeçarias, mobiliários e artes decorativas de países da Ásia e do Oriente Médio.

Espaço ao lado de fora da Galeria de Exposições Temporárias, onde são apresentadas diversas estátuas do acervo de Ricardo Brennand. Foto: Paloma Amorim/ Divulgação

Algumas das mais de 5 mil armas brancas da coleção. Foto: Divulgação

Uma de suas maiores coleções está voltada ao período de ocupação holandesa no estado de Pernambuco, que ocorreu entre os anos de 1630 e 1654. Nela, estão presentes cartas de Maurício de Nassau e do rei Dom João IV, moedas da época e a maior coleção privada do pintor Franz Post, que fez as primeiras paisagens do Brasil.

A paixão para criar coleções começou na infância, quando ganhou um canivete do seu pai, na década de 1940. A partir disso, Ricardo reúne e salvaguarda um grande legado cultural, que contribui também para um complemento educacional de crianças, jovens e adultos que visitam diariamente o museu.

O Instituto também foi classificado como um dos melhores do mundo, pelo site TripAdvisor, em 2014. O museu ficou duas posições à frente do museu do Louvre, em Paris, França, alcançando a 17° posição no ranking. Ricardo Brennand também ganhou a Medalha de Mérito Capibaribe em 2017, a maior honraria recifense.