Secretária Especial da Cultura, Regina Duarte, ignora classe artística em meio à pandemia

Além de não propor medidas para solucionar os problemas envolvendo o setor cultural, Regina minimizou a tortura e as mortes que ocorreram durante a Ditadura Militar no país


Regina Duarte em reunião com o Presidente Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/Folhapress.

Na entrevista concedida ao canal CNN Brasil na última quinta-feira (7), um dia após completar dois meses no cargo, a Secretaria Especial de Cultura, Regina Duarte, se tornou um dos assuntos mais comentados do Brasil no Twitter. O motivo foi o uso de afirmações polêmicas sobre a Ditadura Militar, e a banalização das mortes no setor cultural devido a pandemia do novo coronavírus e dos pedidos da classe artística para medidas que auxiliem neste período de isolamento social.

A entrevista realizada pelo jornalista Daniel Adjunto trouxe indagações para Regina sobre a falta de manifestação dela em relação às mortes de grandes nomes da cultura brasileira, como os escritores Rubem Fonseca e Garcia-Roza, os músicos Moraes Moreira e Aldir Blanc e o ator Flávio Migliaccio. Em resposta, Regina indaga “será que vou ter que virar um obituário?”

Ao ser questionada sobre as mortes durante o período da Ditadura Militar, a secretária afirma que “a humanidade não para de morrer” e que “se você fala em vida, tem morte”. Na fala, Regina também compara a outros governos autoritários: “Stalin, quantas mortes? Hitler, quantas mortes? Não quero arrastar um cemitério de mortos nas minhas costas. Não desejo isso para ninguém. Sou leve, viva, estamos vivos, vamos ficar vivos”, afirmou.

No término da entrevista, os apresentadores Reinaldo Gottino e Daniela Lima colocaram o vídeo da atriz Maitê Proença (que apoiou inicialmente o ingresso de Regina ao cargo), para a secretária assistir. No vídeo, Maitê cobra soluções à Regina para auxiliar a classe artística que sofre com a pandemia da Covid-19 e não consegue se sustentar. A ex-atriz Regina Duarte retirou os fones para não receber as críticas e ressaltou que o auxílio emergencial disponibilizado pelo Governo Federal, também vale para a classe artística. Na entrevista, ela não propôs nenhuma outra forma de lidar com a crise e movimentar o setor cultural.

Após a entrevista da CNN Brasil, artistas de vários setores culturais do Brasil se pronunciaram sobre as falas de Regina Duarte. O autor Walcyr Carrasco, amigo que teve ajuda da secretária no início de sua carreira, diz que dói ver as declarações.

A cantora Anitta relata o medo depois de assistir a entrevista no qual Regina minimiza os perigos da Ditadura e diz que “[…] eu e muitos dos meus amigos seríamos os primeiros censurados caso esse regime voltasse ao Brasil e nós continuássemos no exercício do nosso trabalho”.

Um dos pronunciamentos publicados foi da atriz Débora Bloch, no qual questiona a humanidade de Regina. Outros artistas também comentaram seu pensamento a respeito da fala da secretária Regina Duarte.”A Regina enlouqueceu. O que se pode fazer?”, questiona a atriz Vera Fischer. “Que horror”, acrescenta o ator e diretor Miguel Falabella. Atualmente, como bem ressaltou o apresentador Reinaldo Gottino, a classe artística se sente órfã.