Show online homenageia Hilda Hilst; Conheça a trajetória da escritora

Um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa, a autora faria 90 anos hoje (21)


Hilda Hilst em 1952. Foto: Divulgação/Folhapress

A Curadoria Hilst realizará hoje, às 19h, uma live no YouTube com a cantora Cida Moreira em homenagem aos 90 anos de Hilda Hilst, uma das mais influentes escritoras do século XX. O show contará com poesia e bate-papo, além do repertório musical de Cida, em um espetáculo intimista. Uma conversa entre a cantora e a artista plástica Olga Bilenky, grande amiga de Hilda, também foi ao ar na noite de ontem (20) na página do Instituto Hilda Hilst no Facebook

O Museu da Imagem e do Som também comemorou o noventenário da autora no início do ano, com a mostra Revelando Hilda Hilst, que exibiu fotografias de diferentes momentos de sua vida. Outro rico acervo é a Ocupação Hilda Hilst, mostra do Itaú Cultural realizada em 2015 e disponível online. Nela, é possível encontrar desde escritos e entrevistas a fotos e depoimentos de amigos e parentes, além de um passeio pela Casa do Sol, chácara em Campinas onde morou na maior parte da vida.

Vida e obra

Hilda de Almeida Prado Hilst é natural de Jaú, município da região central de São Paulo. Formada em Direito, estreou em 1950, com o livro de poesias Presságio. Em 1967, começa a se aventurar pela dramaturgia, e 1970, pela ficção, lançando Fluxo floema.

Hilda aos 69 anos na Casa do Sol. Foto: Pio Figueroa, Centro de Documentação Cult. “Alexandre Eulálio”/UNICAMP

O estilo inovador e forte de Hilda parece ter encantado alguns e chocado outros. O crítico José Castello, em entrevista à coluna Página Cinco do UOL, comenta que sua literatura vai do sublime ao humano, sendo dona de uma sinceridade ríspida que ia além das obras, retratando com vigor a condição humana. Frustrada com a pouca repercussão de sua obra entre o público, ela resolve deixar de lado a “literatura séria”, como ela chamava sua obra até então, e passa a explorar a pornografia. Em 1990, com O Caderno Rosa de Lori Lamby, obra polêmica que narra as experiências sexuais de uma menina de 8 anos, Hilda consegue chamar a atenção do mercado editorial e enfurecer críticos.

Na Casa do Sol, onde viveu a maior parte de sua vida, ela abrigava e recebia amigos cujos nomes estavam listados em uma agenda — entre eles, estão o jornalista e artista Jurandy Valença, que veio de Maceió para conhecer a escritora na década de 1990, Jose Luis Mora Fuentes, escritor espanhol que foi uma breve paixão e amigo de longa data e sua esposa Olga Bilenky, artista plástica que permanece na chácara. Daniel Fuentes, filho do casal de amigos, é herdeiro dos direitos autorais de Hilda, além de  presidente do instituto que leva o nome da escritora.

Casa do Sol, onde Hilda morou desde 1965. Foto: Lucas Malkut

Hilda, que passava por problemas de saúde desde a segunda metade dos anos 1990, faleceu em 2004, aos 73 anos, de falência múltipla de órgãos. Porém, seu legado e sua obra permanecem vivos, não só dentro da Casa do Sol, mas também em sua obra imensa e inigualável.